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A História de um Garson que Virou Politico.

A história real de Zé Negão. Um gigante com um coração enorme!
 
 
No curso de nossas entrevistas nos deparamos com histórias bellissimas e muito verdadeiras. A exemplo da história do garoto José Edson Ferreira, “Zé Negão” que tinha tudo para viver sua infância, apenas pensando em brincar e aproveita o seu período infantil, o que seria normal para qualquer uma outra criança, não fosse a necessidade de enfrentar a vida, aos dez anos de idade, para encarar tipos de trabalhos, que seria, pelo certo, destinados só para adulto.
 
 
Quiz o destino que, aos dez anos, zé negão olhasse para o seu pai, dentro de um caixão, e ali se comprometesse consigo mesmo que, daquele momento em diante, ele não seria mais aquela criança que gostava de brincar e partisse para a responabilidade que a vida lhe chamava. A partir daquele momento ele passaria a ser arrimo de família, para sua mãe e seus cinco irmãos.
 
 
Zé Nêgão era filho de dona Neguinha e seu pai era conhecido como seu Mariano, que vendia cereais. Na epóca, não existia mercado público e a feira de Afogados da Ingazeira/PE acontecia nas ruas da cidade, como bancas de cerais, verduras, calçados, roupas, galinhas, balaios e sextas de cipó, panelas de barros, potes e quartinha, miudezas, geladinha, barracas que vendia pão, outras que vendiam extratos sendo o mais comercializado era o famoso mistral, que por sinal eram muito cheirosos. Tinha também muita brilhantina para usar nos cabelos, que era muito procurada na época, bem como, as banquinhas de óleo de cocô, óleo verde era o de capim. Tinha também as bancas de tecidos, uma vez que não existia lojas de roupas, botiques ou coisa do tipo, então era de costume, as famílias, comprar o tecido e levar para as cotureiras fazerem suas roupas. Coisas que já não são vistas nos dias de hoje. Era uma verdadeira feira de mangaio. Seu Mariano, o pai de Zé Nêgão, era personagem desta feira, nas ruas de Afogados da Inazeira, nos anos setenta.
 
 
Seu Mariano, transpostava mercadoria da cidade de Vitória de Santo Antão/PE enfrentando muitas horas de viagem, e até dias, para chegar em Afogados. O transporte, muito précario, quase não existia carros rodando na estrada. Seu Mariano, também levava de Afogados da Ingazeira, mercadorias como: goma, feijão, galinhas entre outras coisas para comercializar em vitória de Santo Antão e até Recife. E trazia de Vitória de Santo Antão a famosa “Farinha Vitória”. Foi justamente esta farinha que tornou o comércio de seu Mariano tão conhecido na cidade de Afogados da Ingazeira pois, esta farinha era uma iguaria consumida somente pelos ricos daquela época. Assim era sustentada a família de dona Neguinha, como era conhecida a mãe de Zé Negão.
 
 
Com a morte de seu Mariano, Zé Nêgão se viu obrigado, pela força do destino, a trabalhar para ajudar na manutenção da casa. Lembrando que até aos dezesseis anos de idade, Zé não pegava, no pouco dinheiro que ganhava em seus empregos. Aos finais de semana, ou final do mês sua mãe, dona Neguinha, ia até o estabelecimento, onde Zé trabalhava, e recebia o seu “ordenado”, como era chamado o salário de antigamente.
 
 
Quando precisava comprar uma roupa, era sua mãe quem comprava, porque o dinheiro, fruto do trabalho de Zé, era para ajudar nas compras de alimentos para toda a sua família.
 
 
Zé passou, então, a fazer todo o percurso que seu Mariano fazia, e ele, aos doze anos, viajava com seu pai, para Vitória de Santo Antão, em busca das mercadorias, que era costume, seu pai trazer para comercializar nas feiras das ruas de Afogados.
 
 
Zé era um menino muito esperto porquê, além de ser uma criança, muito responsável, com o trabalho, Zé, ainda arrumava um tempinho, para nas horas vagas, brincar com seus aminguinhos. Já era de costume, levantar cedo e pegar no batente, ajudando ao seu pai na labuta do dia a dia.
 
 
Ao assumir as viagens para Vitória de Santo Antão, Zé, apesar de ser ainda muito criança, já tinha uma certa esperência e assim, por um bom tempo, Zé Nêgão comercializou cerais de Vitiória para Afogados e de Afogados para Vitória.
 
 
Em uma dessas viagens, Zé estava parado na beira da estrada, esperando o caminhão passar, para que ele subisse na carroceria com a mercadoria e seguisse viagem para Afogados. Neste momento chega um guarda e lhe pede as notas da mercadoria. Zé se deseperou porquê nada tinha de notas. As mercadorias foram apreendidas e ele ficou com as mão na cabeça, sem saber o que fazer. Dai, lembrousse de um amigo de seu pai, que imediatamente, ao ser procurado por Zé, entrou em ação e mandou liberar os sacos de mercadoria. Zé ficou feliz, porém apreensivo com o ocorrido ficou desiludido com o trabalho.
 
 
Zé voltou para Afogados da Ingazeira, desiludido com o comércio e, dai em diante, procurou trabalhar em outras atividades que não corresse mais o risco de, ficar com as mãos na cabeça sem saber o que fazer em uma outra possível a apreenção. Desta forma resolveu, não mais, se arriscar na estrada nem tão pouco diante dos guardas que, sem dó nem piedade, haviam lhe causado tamanho contrangimento.
 
 
Na luta por dias melhores, para si e para ajudar sua mãe, dona Neguinha, e seus cinco irmãos, Zé nunca escolheu trabalho, desde que fosse honesto. Como se diz aqui no sertão pernambucano: “caiu na rede, é peixe!”. Entre, tantos outros tipos de trabalho, pelos quais Zé Negão passou, podemos destacar o emprego de entregador de pão, na panificadora Estrela do Norte, de propiedade, na época, do saudoso Severino Lolô, dono da primeira padaria chique e organizada da cidade de Afogados da Ingazeira, sertão pernambucano.
 
 
Zé também trabalhou no comércio local, começando na mercearia de seu padrinho Zé Coió, entregando feiras nas residências. Foi ajudante nas feiras livres, carregando fretes e em bancas de calçados. Foram muitas passagens de trabalho na vida de Zé mas, a que mais marcou, foi o trabalho de garson. Esse tornou Zé Negão muito mais conhecido e o seu desembaraço foi tanto, que o credenciou, a ingressar na vida pública.
 
 
Zé se candidatou para ser representante do seu povo, povo esse que lhe viu crescer e vencer, sempre usando dos meios honestos com tudo e com todos. Assim, Zé e seus irmãos, cresceram colocando em prática os ensinamentos que receberam dos seus pais, dona Neguinha e seu Mariano. Todos os seus irmãos seguiram o caminho do bem, sendo hoje homens e mulheres de bem, cada um seguiu seu caminho e Zé, seguiu o caminho da politica do bem, onde está até hoje. Foi verador por quatro mandatos, sendo eleito com mais de mil votos em cada pleito disputado, e foi o primeiro negro a assumir o cargo de presidente do poder legilativo da cidade de Afogados da ingazeira no sertão pernambucano.
 
 
Zé disputou, em 2020, a eleicão para prefeito da cidade de Afogados da Ingazeira, não obtendo êxito porém, com uma margem de votos muito signifcativa para o munícipio.
 
 
Sempre militando na política, Zé é casado, pai de cinco filhos, sendo um deles o então vereador e advogado Edson Henrique que pretende trilhar os caminhos e os exemplos do pai.
 
 
No momento, Zé Negão disputa o pleito de Deputado Federal, aspirando uma cadeira na câmara dos deputados em Brasília. Essa é, um pouco, da história de um sertanejo que logo cedo abraçou o trabalho como prioridade em sua vida.
 
 
O blog De Frente com Ana Maria vai estar sempre trazendo as histórias escritas dos nossos entrevistados do Canal, no YouTube, De Frente com Ana Maria. Essa é a segunda história da sequência que teve início há poucos dias.
 
 
Assista a nossa live com Zé Negão.

 

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