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A todos os Professores

 

Começo meu texto de hoje extremamente emocionada pela importância que tem o dia 15 de outubro na minha vida.
 
Eu sempre disse que somos feitos de sonhos e movidos pela fé naquilo que acreditamos, sendo assim, reativo as janelas da memória e faço um reencontro com uma criança que desde muito pequena já dava aulas as suas bonecas, que não sonhou em ser médica, advogada, policial, dentista ou qualquer outra profissional.
 
Eu sonhei em ser professora, eu sonhei em ser educadora, em sonhei em ser formadora de opiniões, eu sonhei em transformar vidas… e… de forma muito satisfatória consegui me realizar integralmente.
 
Os cursos realizados me deram oficialmente o direito de exercer minha função, mas papel nenhum pode ser mais importante do que aquilo já nascemos predestinados. A gente não se torna professor no percurso, a gente já nasce com o dom e vai apenas desenvolvendo as habilidades.
 
No próximo dezembro, coleciono 13 anos de Educação, uma vez que exerço o magistério antes mesmo do término do curso Normal Médio.
 
São 13 anos de muitas alegrias, de muitas experiências exitosas. Ensinei muito, mas aprendi muito mais. Passei por algumas escolas que não foram apenas locais de trabalho, mas verdadeiros lares acolhedores e inspiradores, foi assim com meu Colégio Normal, foi assim com meu Arnaldo Alves, foi assim com tantas instituições por onde passei e tive a oportunidade de contribuir um pouquinho.
 
A Educação me deu presentes muito valiosos, me deu pessoas que permanecem até hoje no meu coração, independente de vínculos profissionais. 
 
Foi na Educação que construí metade dos laços afetivos que tenho na sociedade, foi na Educação que me descobri e é na Educação que pretendo ficar até o último dia da minha vida, porque não sei fazer absolutamente nada longe disso.
 
Eu ainda consigo me emocionar fazendo Educação, ainda consigo olhar as pessoas nos olhos e acreditar que somos veículos de transformação social. Deve ser por isso que minha empolgação é tão grande, tão imensa, tão intensa.
 
Nunca deixei de ser inteira quando o assunto é relacionado às coisas que amo, que defendo e que luto para que aconteçam. Não sei ser meio termo, só sei ser o dobro, o triplo daquilo que esperam.
 
Eu sempre estive pronta para os desafios e se em algum momento tive medo das experiências novas, precisei demonstrar que sou muito maior do que isso. Foi assim quando fui convidada para fazer parte da minha Gerência Regional, foi assim quando tive o privilégio de aprender com os profissionais mais renomados que conheço, foi assim quando pude percorrer todo o meu Sertão do Pajeú, sendo hoje um pedacinho dos 17 municípios que acompanhamos através do Criança Alfabetizada.
 
Acho que a criança que dava aulas as suas bonecas só queria ter o direito de ter sua sala de aula, mas teve muito além: ELA TEVE INCONTÁVEIS SALAS DE REFERÊNCIAS.
 
No palco da sala de aula, sempre utilizei o amor como antídoto principal, nunca me coloquei como carrasca ou detentora do saber, sempre acreditei na democracia, na afetividade, no cuidado, na disponibilidade humana. Deve ser por isso que meu jardim é tão grande e recebo tanto carinho diariamente.
 
 
 
 
Troquei os gritos palas palavras mansas…
 
Troquei as reclamações pelos pedidos singelos…
 
Troquei os castigos pela compreensão…
 
Troquei a distância pelo abraço…
 
Troquei o silêncio pelo diálogo….
 
Troquei as dúvidas pelo debate propositivo…
 
 
 
 
E assim fui me tornando exatamente como os educadores devem ser, conforme aponta o mestre Paulo Freire:
 
“Eu sou um intelectual que não tem medo de ser amoroso. Amo as gentes e amo o mundo. E é porque amo as pessoas e amo o mundo que eu brigo para que a justiça social se implante antes da caridade’’.
 
Eu continuo brigando muito… Continuo a mesma revolucionária dos meus tempos estudantis. Continuo defendendo meus meninos, o direito inalienável do acesso ao conhecimento, do pensamento crítico, da comunicação, da cultura, da participação, da argumentação, da empatia, da responsabilidade, da cidadania, dos sonhos… Porque falar de sonho é o princípio infindável… Enquanto estivermos vivos precisamos sonhar e precisamos de oportunidades para executar.
 
Augusto Cury, um dos meus escritores preferidos disse que “Ser professor é importar-se com o outro numa dimensão de quem cultiva uma planta muito rara que necessita
 
de atenção, amor e cuidado”. 
 
Ele tem razão! A Educação ainda resiste, porque temos muitos profissionais ‘’teimosos’’, que ainda insistem em transformar o cansaço numa aventura maravilhosa de ensinar e aprender… A gente se importa com as nossas sementes e dá o sangue todos os dias como irrigação.
 
Apesar das intempéries da vida, prosseguimos em uma luta constante, levantando bandeiras norteadoras para que a Educação avance nesse país.
 
Queremos continuar formando advogados, médicos, engenheiros, psicólogos e até professores, porque o nosso legado não pode morrer. Os nossos ideais precisam ganhar voz em outras vozes que nos representarão em tempos vindouros.
 
Encerro meu texto citando Immanuel Kant, filósofo alemão e a sabedoria da sua frase que ecoará para sempre dentro de nós: “O ser humano é aquilo que a educação faz dele’’.
 
Muito obrigada ao destino pela oportunidade de ser professora!
 

 

 

 

 

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