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Arcoverde, abrace o seu coreto

 

Na minha Afogados da Ingazeira, solo sagrado da poesia que brota de repente ao som da viola, havia um lindo coreto, destruído no final dos anos 70 por um prefeito nada afeito à cultura. Uma pena! Na verdade, um crime contra o patrimônio público. Lá, até bailes, serestas e comícios haviam. Tudo em harmonia com a beleza arquitetônica do saudoso coreto da praça Arruda Câmara.
 
 
Arcoverde, onde tenho dividido minha rotina com Recife e Brasília, em razão de ser o pedaço da minha Nayla Valença, o coreto, ou os coretos, ainda resistem ao tempo da mão implacável dos gestores públicos insensíveis, mas abandonados, sem um mínimo de olhar curioso por parte do poder público.
 
 
Pelo amor que tenho hoje à Arcoverde, faço uma sugestão ao prefeito Wellington Maciel (MDB): dar uma guaribada nos dois coretos da praça da Bandeira e, no principal, criar eventos culturais em torno do equipamento. O projeto poderia ser batizado de “Abrace o Coreto”. Assim, ao menos uma vez ao mês a Prefeitura promoveria um evento cultural com artistas.
 
Poderia ser um sarau poético, um festival de violeiros, um concerto harmorial, uma retreta ou uma seresta, tudo em torno do coreto, dando a sensação de um abraço no coreto. Uma forma da cidade dedicar seu amor a um patrimônio vivo, com tantas histórias e glórias.
 
Os coreto são construções em cidades interioranas que conseguiram preservar esse elemento urbanístico que teve grande importância até o fim da década de 1960. Guardam o romantismo do tempo em que as praças eram o ponto central dos eventos da sociedade.
 
A arquitetura básica deles é composta de planta circular, elevado em alvenaria e com cobertura. Alguns estudiosos apontam que o Coreto nasceu na China e foi trazido para a Europa na época das Cruzadas. Outros sugerem que surgiu com os movimentos liberais europeus, no século XIX, como forma de democratização de espaços para oradores e apresentações musicais, onde a população pobre poderia assisti-los, por isso o formato redondo.
 
E isso foi um grande passo na sociedade que até então vivia excluída das atividades artísticas restritas aos grandes salões, palácios e óperas, como também para a política em si, pois vários pensadores ou líderes poderiam expor suas ideias aos menos favorecidos e assim surgir movimentos locais.
 
Esse espaço democrático se espalhou por toda a Europa e, em vários países, tinha significados distintos: na Itália coretto significava local de vendas de tabaco, bebidas e jornais; na Inglaterra bandstand, na França kiosque a musique e na Espanha quiosco de musica significava local de apresentação de bandas musicais.
 
Com o início das instalações dos povoados e das vilas, o centro era, em sua maioria, composto por uma capela com um espaço aberto em frente, que hoje denominamos de praça. Nesse espaço eram construídos chafarizes, para o abastecimento de água que predominaram até o fim do século XIX. Quando as praças começaram a receber o paisagismo, o coreto surgiu como elemento decorativo e tornou-se popular, com a função de entretenimento para a população e também um espaço para discursos políticos e transmissão de notícias importantes.
 
Na década de 1940, a popularização do rádio e suas radionovelas fizeram com que as pessoas ficassem mais em suas casas à noite e, uma década depois, com a chegada da televisão, o coreto foi relegado ao segundo plano. Muitos coretos foram demolidos, ou “abafados” nas praças dos grandes centros urbanos, porém nas cidades interioranas eles ainda são destaque na paisagem urbana, mas não funcionam como antigamente.
 

 

Prefeito Wellington Maciel, a ideia está dada!
 
Por Blog do Magno
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