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“Não pendurei as chuteiras”, adverte Fernando Bezerra

 

O senador pernambucano Fernando Bezerra Coelho (MDB) fez sua despedida, na última quarta-feira, do Congresso Nacional. Em entrevista concedida a este blogueiro, FBC falou que os seus filhos Fernando Filho, deputado federal, Antônio Coelho, deputado estadual, e Miguel Coelho, ex-prefeito de Petrolina e ex-candidato ao Governo do Estado, já estão encaminhados na política e, cada um, tem seu jeito e luz própria. Sobre o seu futuro, Fernando decretou: “Eu vou continuar participando do debate político em Pernambuco e também no Brasil”. Confira abaixo a entrevista na íntegra.
 
 
Eu acompanhei, na quarta, sua despedida e seu discurso foi bastante emocionante e importante que eu nunca vi tantos apartes, não é? 
 
Eu quero confessar a emoção que senti na solenidade de despedida do plenário do Senado Federal. Sei que ao longo da minha trajetória eu construí muitos amigos, mas ter concluído o discurso e ter recebido aquela manifestação de aplauso dos senadores que estavam em plenário se levantaram para aplaudir e de pé foi uma coisa que eu não esperava, e daí a emoção foi muito forte. E você destaca também o número de apartes que eu fui merecedor nesse meu discurso de despedida, portanto, eu estou de alma leve, consciência tranquila. Volto para Petrolina com a sensação de dever cumprido. Procurei fazer sempre muito por Petrolina, por Pernambuco e pelo Brasil e acho que agora é o momento de abrir caminhos para os novos quadros da vida pública do nosso Estado. A política exige sempre renovação e acho que Pernambuco tem bons talentos jovens que estão surgindo para liderar um novo ciclo na política pública do Estado.
 
Acompanhei também a despedida do senador Tasso Jereissati, mas incomparavelmente os apartes com a sua despedida foram bem maiores.
 
Isso todo mundo ficou comentando. O senador Tasso tem uma trajetória e uma biografia ímpar. Ele fez a despedida dele um dia antes da minha e muitos ao final da sessão faziam esse reconhecimento e manifestação ao comparar uma despedida com a outra. Portanto, quero é agradecer a todos os amigos do Senado, ao presidente Rodrigo Pacheco, e a todos os amigos que me ajudaram a desempenho das minhas tarefas como líder partidário, líder do governo e, sobretudo, da amizade, da camaradagem que nós fizemos com tantos senadores e senadoras na condições das quais tive a oportunidade de participar.
 
Ao longo do início da campanha, o que se dizia era que Fernando Bezerra Coelho não vai deixar a vida pública, vai ser candidato a deputado federal, vai dividir com o filho, Fernando Bezerra Filho, vão se eleger os dois. Qual foi o momento que o senhor decidiu que não iria disputar nada?
 
Quando Miguel tomou a decisão de disputar o Governo de Pernambuco. Isso já tinha essa decisão desde setembro de 2021 e desde aquele momento a gente já tinha consolidado a decisão de que era o momento de a gente poder abrir o espaço para que Miguel, Fernando Filho e tanta gente nova, Raquel, o prefeito João Campos, Priscila Krause, tem muita gente nova chegando e essas pessoas vão dar uma grande contribuição ao quadro político do Estado. 
 
Por falar em nova, eu, ontem (6), no meu blog postei, por ocasião do seu aniversário de 65 anos, sua primeira campanha de deputado estadual cujo slogan era “votem no deputado mais jovem”.
 
É verdade. Era sonho de novo. Eu acho que é um ciclo, são quarenta anos de trajetória, de vida pública, fui deputado estadual, fui secretário de dr. Roberto Magalhães, fui secretário de Arraes, de Eduardo, tive o privilégio de presidir e dirigir o destino da minha querida Petrolina por três ocasiões. Fui ministro de estado, portanto, acho que dei uma grande contribuição para promover o desenvolvimento de Pernambuco e do Brasil. 
 
Agora, tão jovem como o senhor está, não vai colocar o pijama, não é, senador?
 
Claro que não. Eu disse que não precisava de mandatos eletivos para poder fazer política. A política está dentro da gente. Ela não sai da gente. A gente vai continuar sim participando do debate político, procurando ajudar, construir, convergir, então, vou continuar fazendo política. Ontem mesmo a gente deu a nossa contribuição para aprovação da PEC da Transição. Eu fui distinguido com um reconhecimento feito pelas lideranças do PT, dos senadores Jaques Wagner, Humberto Costa, pela ajuda e contribuição que a gente deu em cima de uma proposta de encaminhamento para o entendimento que se estabeleceu na Comissão de Constituição e justiça. E o próprio presidente eleito, Luiz Inácio Lula da Silva, fez questão de agradecer o apoio que a gente deu para a PEC poder ter logrado o êxito que logrou no tempo que era necessário para que a matéria pudesse ser, hoje, encaminhada para a Câmara dos Deputados.
 
Agora o seu legado fica com Fernando Filho, deputado federal na Câmara dos Deputados, com Antonio Coelho, deputado estadual na Assembleia Legislativa de Pernambuco, e com Miguel Coelho, que disputou recentemente o Governo de Pernambuco. O senhor vai ficar assessorando os filhos?
 
Na realidade não é assessorar os filhos. Cada um vai tomar o seu caminho, cada um tem a sua luz própria. Na realidade, eu vou continuar participando do debate político em Pernambuco e também no Brasil. Eu irei sempre a Brasília. Na recepção que ofereci após a minha despedida do Senado, na quarta, tive a alegria de contar com a presença do presidente do meu partido, Baleia Rossi, e conversamos sobre o futuro do partido, sobre a situação que se coloca com a chegada do novo governo. O presidente Rodrigo Pacheco também fez questão de ir lá, o Davi Alcolumbre, o Agnaldo Ribeiro, Ciro Nogueira, muitos amigos, o Paulo Guedes, várias pessoas fizeram questão de dar um abraço num momento em que a gente estava apresentando, digamos assim, a nossa despedida do mandato de senador, mas é evidente que com tantas amizades construídas nós vamos ter a oportunidade de ajudar e de colaborar.
 
Como o senhor vê o futuro do Governo Lula?
 
FBC: Eu acho que Lula conseguiu desarmar os principais problemas que estavam diante dele. Primeiro, a relação com o setor militar, acho que avançou uma pedra importante, que foi a escolha, ou que será a escolha do ministro José Múcio Monteiro, então ele já encaminha uma solução. José Múcio é muito competente, muito habilidoso, tem biografia, trajetória para poder fazer um grande trabalho de pacificação nessa área que é muito sensível. O segundo movimento do presidente Lula, e aí ele é craque, eu disse isso a jornalistas, foi definir desde logo a sua base de apoio tanto na Câmara quanto no Senado e o definidor dessa governabilidade foi ele juntar o MDB, o União Brasil e o PSD, tanto assim que esses três partidos formaram um bloco no Senado Federal e o PT já manifestou o interesse de participar desse bloco, que será o bloco da maioria, esses quatro partidos vão dar 41 votos no Senado Federal.
 
Portanto, essas duas iniciativas enfrentam dois importantes problemas. Agora, o desafio maior do novo governo é na economia. O governo não pode errar no seu primeiro ano. É importante que o governo demonstre responsabilidade fiscal, possa controlar a inflação e possa de fato reduzir as taxas de juros já a partir de abril ou maio para que o Brasil possa manter essa taxa de crescimento. Este ano o Brasil vai crescer mais de 3%, o desemprego está diminuindo, taxa de desemprego está em 8,3%. Se errar na economia, ele pode encerrar o primeiro ano de governo com a inflação subindo, os juros muito altos, inviabilizando e reduzindo os investimentos e, consequentemente, ampliando o desemprego.
 
Esse é o maior desafio do início da administração que vai se iniciar a partir de 1º de janeiro. Eu destaco também que um problema é que, pela primeira vez na redemocratização, as forças políticas que vão atuar na oposição têm capacidade de mobilização da sociedade. Por isso que o desafio é grande, não é uma tarefa singular, e é preciso, portanto, estar atento para poder o governo, no arriar das malas, poder de fato ter uma agenda econômica que possa propiciar a chegada de novos investimentos e a promoção do desenvolvimento do Brasil.
 
O senhor fez essa radiografia do futuro do Brasil, do governo Lula. Como faria a radiografia do futuro governo de Pernambuco?
 
Eu estou muito esperançoso, muito otimista com a nova governadora. Raquel tem experiência administrativa, tem experiência política, ela tem uma trajetória política muito importante como deputada, como secretária, como prefeita de Caruaru por duas vezes. Raquel vem de uma família de tradição política, o ex-governador, ex-deputado João Lyra é de uma escola política que tem Fernando Lyra, João Lyra que foi meu companheiro na Assembleia Legislativa quando iniciei a minha vida pública, portanto, ela tem todos os predicados para realizar um governo de mudança, de transformação que a população de Pernambuco espera. O nosso papel vai ser de ajudar, de contribuir para que essa mudança que foi prometida na campanha de fato possa se concretizar e Pernambuco poder retomar o seu protagonismo. Pernambuco está com baixo nível de investimento, uma alta taxa de desemprego, quase o dobro da do Brasil. Pernambuco tem que atrair mais investimentos, tanto privados, quanto públicos. Portanto, o nosso papel vai ser ajudar a governadora Raquel a honrar com os compromissos que ela assumiu na campanha.
 
Por Blog do Magno
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