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Pesquisa da Embrapa e IPA poderá retomar a produção de algodão em Pernambuco.

Na última segunda-feira (5), os pesquisadores implantaram a primeira Unidade de Referência Tecnológica (URT), no Sertão do Araripe, em uma área de aproximadamente dois mil metros quadrados
Na última segunda-feira (5), os pesquisadores implantaram a primeira Unidade de Referência Tecnológica (URT), no Sertão do Araripe, em uma área de aproximadamente dois mil metros quadrados – DIVULGAÇÃO

Uma boa notícia para os agricultpres de pernambuco.

Uma pesquisa do Instituto Agronômico de Pernambuco (IPA) e a Embrapa Algodão/PB poderá devolver ao estado um status conquistado na década de 70, quando Pernambuco aparecia como um grande produtor de algodão no país. Por meio de um convênio de cooperação técnica, o IPA e a Embrapa iniciaram no estado o plantio experimental de cultivares do algodão (branco e colorido). O objetivo é pesquisar e avaliar as áreas mais propícias para o cultivo, analisando a produtividade e os custos envolvidos.

Na última segunda-feira (5), os pesquisadores implantaram a primeira Unidade de Referência Tecnológica (URT), no Sertão do Araripe, em uma área de aproximadamente dois mil metros quadrados. Outras unidades serão instaladas em Serra Talhada, no final deste mês, e mais uma em Caruaru, na primeira quinzena de abril.

De acordo com o diretor presidente do IPA, Joaquim Neto, o contrato de cooperação técnica com a Embrapa foi firmado no segundo semestre de 2023. “Agora, demos o primeiro passo para retomar a produção do algodão em Pernambuco. Uma ação que poderá influenciar na melhoria da oferta de matéria prima para o setor têxtil de Pernambuco e criar mais uma alternativa de renda para agricultura familiar”, destacou o gestor. Somente o Polo de Confecções do Agreste, um dos maiores do país, movimenta em torno de R$ 5 bilhões na economia do estado. (Fonte NTCPE).

A retomada do plantio de algodão poderá impulsionar a produção de matéria prima (fios, tecidos, etc) para o setor, otimizando custos logísticos como frete e impostos. “Além de ter um impacto significativo nas esferas social e econômica para os agricultores familiares do estado”, afirmou Jaime Cavalcanti, pesquisador da área de melhoramento genético de algodoeiro da Embrapa Algodão.

“Muitos agricultores e filhos de agricultores aguardam a retomada da cultura em todo estado de Pernambuco, no entanto, essa retomada do plantio, passa necessariamente pela adoção de práticas e tecnologias modernas e sustentáveis de cultivo que favoreçam melhores índices de rentabilidade, e gerem impactos, sociais, econômicos, culturais, na saúde e por que não dizer na vida dos agricultores pernambucanos que buscam na cultura mais uma alternativa agrícola”, ressaltou Jaime.

Nessa parceria Embrapa/IPA, os pesquisadores buscam o aprimoramento técnicos das culturas do algodão e, posteriormente, treinamento de agentes multiplicadores, visando implementar e difundir os cultivos dessas culturas no estado.

Algodão em Pernambuco

Na década de 70, Pernambuco chegou a ter cerca de 108 mil hectares cultivados de algodão. Conhecido, naquela época, como “o ouro branco pernambucano”, em função de sua importância econômico e social para a região Agreste Setentrional. O IPA mantinha nas estações experimentais de Itambé e Serra Talhada, campos de pesquisas voltados exclusivamente para o estudo com dois tipos de algodão: Herbáceo e Mocó.

A cultura entrou em declínio na década de 80, com o surgimento da chamada praga do bicudo, que destruiu grande parte da plantação no Estado. Esse cenário ocasionou a falência de dezenas de unidades de beneficiamento e fábricas de tecidos que se alicerçaram em todo o estado mediante a pujança que a cultura apresentava.

Hoje, o Brasil se destaca como o maior exportador de algodão do mundo, com Mato Grosso liderando a produção nacional. No Nordeste, os estados do Piauí e Maranhão concentram a maior parte da produção, enquanto Pernambuco possui, atualmente, uma produção pouco expressiva.

Em termo de produtividade, o algodão rende de 3 a 6 toneladas (entre pluma e caroço) por hectare. Quando se trata da produção de sementes, um hectare pode gerar de 1,2 a 3 mil quilos, os quais podem ser utilizados para plantar uma área de 100 hectares (?). Diversos produtos derivados do algodão são aproveitados: a pluma destinada à indústria têxtil; a semente na produção de torta para alimentação animal; o óleo no uso doméstico e o biodiesel na indústria.

Para Jaime Cavalcanti, as áreas mais propícias são as mais planas, que possibilitam a mecanização do cultivo. O ciclo de colheita do algodão ocorre, em média, uma vez por ano, contribuindo para a estabilidade e previsibilidade da produção. Esses esforços conjuntos visam não apenas fortalecer a posição do Brasil no mercado global de algodão, mas também promover o desenvolvimento sustentável da agricultura no estado de Pernambuco.

Por: JC