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Adultos que passam horas no celular podem desenvolver TDAH, mostra estudo.

"É legítimo analisar a possibilidade de déficit de atenção adquirido", disse John Ratey, professor clínico associado de psiquiatria da Harvard Medical School  (foto: Reprodução/Unsplash)
“É legítimo analisar a possibilidade de déficit de atenção adquirido”, disse John Ratey, professor clínico associado de psiquiatria da Harvard Medical School (foto: Reprodução/Unsplash)
Uma pesquisa sugere que apenas duas horas por dia já pode aumentar em 10% o risco de desenvolver o transtorno de déficit de atenção e hiperatividade (TDAH).

Um estudo publicado no Journal of the American Medical Association relacionou as pessoas que usam seus smartphones por duas ou mais horas por dia a um risco 10% maior de desenvolver o transtorno.

O TDAH é um distúrbio de saúde mental que pode fazer com que as pessoas tenham uma capacidade de atenção limitada, hiperatividade ou impulsividade. O distúrbio é normalmente diagnosticado em crianças pequenas.

Historicamente, o TDAH tem sido definido como um distúrbio genético que pode ser controlado por meio de medicação e terapia. Mas os pesquisadores descobriram agora que as mudanças no estilo de vida mais tarde, como tornar-se muito dependente do smartphone, podem tornar o TDAH um distúrbio adquirido.

Entenda o motivo 

Eles teorizam que a mídia social bombardeia as pessoas com informações constantes, fazendo com que elas façam pausas frequentes em suas tarefas para verificar o telefone.

Logo, estima-se que as pessoas que passam o tempo livre usando tecnologia não estão permitindo que o cérebro descanse e se concentre em uma única tarefa, e as distrações combinadas podem fazer com que os adultos desenvolvam períodos de atenção mais curtos e se distraiam facilmente.

“É legítimo analisar a possibilidade de déficit de atenção adquirido”, disse John Ratey, professor clínico associado de psiquiatria da Harvard Medical School. Ele disse que as pessoas são constantemente pressionadas a realizar várias tarefas na sociedade atual e o uso onipresente da tecnologia pode causar vício em telas, o que pode levar a uma menor capacidade de atenção.

De acordo com o estudo, as evidências sugerem que a tecnologia afeta a função cerebral e o comportamento, levando ao aumento dos sintomas do TDAH, incluindo inteligência emocional e social prejudicada, vício em tecnologia, isolamento social, desenvolvimento cerebral prejudicado e sono interrompido.

Números sobem 

A pesquisa também notou que o número de adultos diagnosticados com TDAH em todo o mundo saltou de 4,4%, em 2003, para 6,3%, em 2020. Estima-se que 8,7 milhões de adultos nos EUA tenham TDAH, enquanto cerca de 6 milhões de crianças de 3 a 17 anos de idade são diagnosticadas, de acordo com os Centros de Controle e Prevenção de Doenças (CDC).

Por fim, a pesquisa recomenda que os adultos que desejam se livrar dos efeitos colaterais indesejados que acompanham o uso excessivo de seus smartphones devem tomar medidas para desenvolver um relacionamento saudável com a tecnologia, incluindo passar menos tempo ao telefone, estabelecer limites de tempo de uso e tirar um tempo para descansar longe da tecnologia.

Confira as informações no Correio Braziliense.