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Após decisão da Justiça, Sinpol diz que irá recorrer e garante manter paralisação durante o Carnaval.

Em protesto na terça (6), a categoria decidiu em assembleia geral pela paralisação das atividades durante o Carnaval  (Foto: Wilson Maranhão/DP)
Em protesto na terça (6), a categoria decidiu em assembleia geral pela paralisação das atividades durante o Carnaval (Foto: Wilson Maranhão/DP)

Segundo o sindicato, a decisão de realizar a paralisação em assembleia geral da última terça (6) será mantida e, que, se for preciso, o sindicato irá realizar uma nova assembleia com a categoria nesta sexta (9)

Um dia após o Tribunal de Justiça de Pernambuco (TJPE) determinar que os policiais civis do Estado se abstenha de iniciar a paralisação das atividades durante o Carnaval, o Sindicato dos Policiais Civis de Pernambuco (Sinpol-PE) irá recorrer da decisão da corte.

A afirmação foi feita pelo presidente da entidade sindical, Áureo Cisneiros, em entrevista ao Diario de Pernambuco, nesta quinta (8).

Segundo o sindicalista, a decisão de realizar a paralisação em assembleia geral da última terça (6) será mantida e, que, se for preciso, o sindicato irá realizar um novo plebiscito com a categoria nesta sexta (9), para definir os rumos do movimento paradista.

“Vamos recorrer. Neste momento, não queremos aumento salarial, e sim a abertura de um canal de negociação com o Governo. Porém, não há sinalização nenhuma e não podemos ficar nessa situação. A Polícia Civil de Pernambuco pede socorro”, disse Áureo Cisneiros.

Na decisão do TJPE da quarta (7), assinada pelo desembargador Cândido Saraiva, que estabeleceu que em caso de descumprimento, está prevista a aplicação de multa diária de R$ 300 mil em desfavor do sindicato.

De acordo com Áureo, se for preciso, a categoria irá se mobilizar para realizar uma “vaquinha” para bancar os custos da decisão de paralisação.

Também na quarta (7), o Sinpol solicitou por meio da assessoria jurídica,ingressou com um requerimento no Centro Judiciário de Solução de Conflitos e Cidadania (Cejusc) do TJPE, requerendo que a corte instaure uma mediação entre a entidade sindical e o Poder Executivo.

Segundo diz o texto assinado pelo presidente do sindicato, Áureo Cisneiros, diz que: “Requerer a mediação no Tribunal de Justiça de Pernambuco (TJPE) em face da decretação de de greve na data de ontem (06/02/24) pela categoria a qual esta entidade classista representa”.

O que diz o TJPE

No despacho do TJPE, de número  0005069-91.2024.8.17.9000, o magistrado Cândido Saraiva diz que: “Defiro a tutela provisória de urgência requerida para determinar ao sindicato réu que se abstenha de iniciar o movimento grevista anunciado para a meia-noite (0h) do dia 09.02.2024 e, na hipótese de já haver sido iniciado, que seja imediatamente encerrado, a fim de que os servidores policiais civis sejam compelidos a voltar a exercer o munus público decorrente da sua condição, ficando vedada qualquer forma de mobilização que acarrete paralisação, suspensão ou prejuízo das suas atividades essenciais, independentemente da denominação atribuída ao movimento. Deve a entidade ré, ainda, comprovar imediatamente o efetivo cumprimento da decisão judicial, proibindo-se a prática de quaisquer atos que tragam embaraço ou perturbem de qualquer forma o regular funcionamento do serviço de segurança pública”.

O que diz o Governo

O Diario de Pernambuco procurou a assessoria de imprensa do Governo do Estado na quarta (7) para saber se o Executivo Estadual iria se pronunciar sobre a decisão do TJPE e se tomaria outras medidas sobre a paralisação.

No entanto, não houve respostas por parte da gestão estadual.

A equipe do Diario também procurou a assessoria do Palácio do Campo das Princesas nesta quinta (8), mas também não houve retorno.

Por: Wilson Maranhão.

Policiais Civis de Pernambuco anunciam paralisação durante o carnaval.

A categoria alega falta de estrutura para trabalhar, equipe reduzida e salário não compatível com a profissão (Foto: Adelmo Lucena/DP)
A categoria alega falta de estrutura para trabalhar, equipe reduzida e salário não compatível com a profissão (Foto: Adelmo Lucena/DP)

Os agentes alegaram falta de negociações com o Governo do Estado durante o encontro realizado no Palácio do Campo das Princesas.

Os policiais civis de Pernambuco anunciaram que irão paralisar as atividades a partir da próxima sexta-feira (9), véspera da data oficial do carnaval. O comunicado foi feito após uma reunião entre o Sindicato dos Policiais Civis de Pernambuco (Sinpol-PE) e representantes do Governo do Estado no final da tarde desta terça-feira (6), no Palácio do Campo das Princesas, no Recife.

Cerca de 3 mil policiais civis realizaram um protesto, saindo da sede do sindicato, localizada na Rua Frei Cassimiro, no bairro de Santo Amaro, até o Palácio do Campo das Princesas. O ato reuniu policiais legistas, papiloscopistas, delegados, comissários e escrivães. Este protesto já estava previsto desde o dia 23 de janeiro, quando foi anunciada uma paralisação de 24h por parte dos agentes da polícia.

A categoria alega falta de estrutura para trabalhar, equipe reduzida e salário não compatível com a profissão.

“Não houve sinalização de melhorias na estrutura da Polícia Civil para a gente investigar os crimes e diminuir a violência e nem na questão do efetivo. Nós temos um efetivo hoje menor do que 30 anos atrás. Temos policiais sobrecarregados e muitos adoecendo. O salário que nós recebemos hoje em Pernambuco é o pior salário do Brasil, não dá mais para continuar trabalhando em péssimas condições e ganhando o que a gente está ganhando”, disse o presidente do Sinpol, Áureo Cisneiros.

De acordo com o Sinpol, por conta da paralisação, as atividades do Instituto de Medicina Legal (IML) também serão afetadas. No IML, o trabalho é prestado por peritos e médicos legistas.

A população deverá registrar os Boletins de Ocorrência (BOs) através da Delegacia Virtual. “Desde o ano passado que a gente vem pedindo uma audiência com a governadora e solicitando a abertura da negociação para a gente reestruturar para a Polícia Civil. Em janeiro tivemos 359 homicídios. Isso é um absurdo, isso é número de guerra civil”, afirmou o presidente do Sinpol.

De acordo com o presidente do sindicato, Pernambuco deveria contar com 11 mil policiais civis, mas possui apenas 5.300, sendo que destes, 1.400 estão prestes a se aposentar.

“Pernambuco está um caos, a insegurança, roubos, homicídios estão batendo recordes. Já começamos janeiro batendo recorde. Então não podemos normalizar essa onda de violência que está aqui em Pernambuco. Pernambuco voltou a ser um dos estados mais violentos do país. Até agora não houve sinalização para que a gente melhorasse”, afirmou Áureo.

Por meio de nota, o Governo de Pernambuco informou que “uma comissão do Sindicato dos Policiais Civis de Pernambuco (Sinpol-PE) foi recebida, nesta terça-feira (6), no Palácio do Campo das Princesas, por representantes da Casa Civil e da Secretaria de Administração (SAD). Mais uma vez, foi ressaltado que o Governo já abriu diálogo e que um cronograma para reabertura das mesas de negociações será apresentado ainda neste mês de fevereiro com o objetivo de discutir as pautas pleiteadas pela categoria”.

Policiais civis cruzaram os braços por 24h em janeiro

Paralisação de janeiro afetou as atividades do IML (Foto: Adelmo Lucena/DP)
Paralisação de janeiro afetou as atividades do IML (Foto: Adelmo Lucena/DP)

Os policiais civis do estado fizeram uma paralisação de 24h e cruzaram os braços no dia 24 de janeiro após o resultado de uma reunião com representantes do Governo não agradar a classe. A paralisação foi intitulada de “Operação Padrão” e atingiu todas as atividades compreendidas ao exercício da função dos policiais civis.

Neste protesto, as atividades do ILM foram afetadas e ficaram mais lenta, pois os agentes da polícia impediram a saída dos corpos e colocaram um caixão em frente ao instituto. Nesta paralisação, a categoria saiu da reunião do Palácio do Campo das Princesas insatisfeita e prometeu continuar se mobilizando para cobrar do Poder Executivo melhorias à categoria.

Pernambuco registra 359 assassinatos em janeiro de 2024
Somente no mês de janeiro, Pernambuco contabilizou 359 casos de Mortes Violentas Intencionais (MVIs), ou seja, 11 mortes por dia. O número supera a série de ocorrências de 2023, quando em 365 dias foram contabilizados 3.623 casos, o que compreende a uma média de 9.9 assassinatos por dia no Estado. 

Se comparado com o mesmo período do ano passado, o aumento foi de 24,2%, quando em janeiro de 2023 foram contabilizados 289 casos.

Por: Adelmo Lucena.