A democracia ainda sob risco

A pesquisa intitulada “Invasão do Congresso, do STF e do Planalto”, realizada pela AtlasIntel e concluída ontem, traz resultados alarmantes. Com nível de confiança de 95% e margem de erro de 2 pontos percentuais, com aplicação de 2.200 questionários, identifica focos graves contra a democracia.

Na pergunta “Na sua opinião, a invasão do Congresso Nacional, do Planalto e do STF por apoiadores do ex-presidente Bolsonaro é justificada ou injustificada?”, 47% dos brasileiros dão algum tipo de justificativa favorável aos atos terroristas ocorridos domingo passado, enquanto 53% negam qualquer justificativa.

Assim, mais de 73 milhões de eleitores brasileiros consideram justificados os atos de terror. Por regiões, o Sudeste, a mais poderosa do Brasil, 53.8% justificam o terrorismo enquanto 46.2% rejeitam qualquer justificativa. Já no Sul “europeu e branco”, 60% justificam e apenas 40% rejeitam qualquer justificativa do terrorismo, e, pasmem, no Norte 75.8% justificam e parcos 24.2% refutam de maneira integral os atos da violência bolsonarista. No Nordeste, só 18.7% justificam e 81.3% rechaçam qualquer justificativa.

O que gera todos os tipos de alarmes é no que se refere aos evangélicos. Apenas 30.9% rejeitam inteiramente qualquer justificativa para as violências praticadas pelos bolsonaristas, enquanto 69.1% dão alguma forma de justificativa. Assim, o Brasil vive uma situação dramática em termos de comunidades evangélicas que se revelam manipuladas de forma ameaçadora para toda a nação. Nesse contexto, outros atos terroristas podem voltar a acontecer, mesmo que sejam de maneira menos espetaculosa como foi no domingo.

De fato, continuam graves ataques terroristas, a exemplo da destruição de partes das redes nacionais de transmissão elétrica e tentativas de sabotar a distribuição de combustíveis. Nesse sentido, escutei de uma fonte segura que existe também o risco de ataques certeiros mirando contra o presidente Lula, sobretudo por iniciativa de atiradores de altíssima periculosidade. Me deixaram claro e a pesquisa acima é clara, o bolsonarismo não está morto, só ferido.

Nesse contexto, comenta-se que Lula está errando gravemente ao atiçar o ódio, no lugar de buscar a pacificação nacional. Seus dois discursos no dia da posse foram ambos agressivos, mesmo falando de amor, acusando Bolsonaro de genocida, alimentando o rancor pelo impeachment da Dilma, além de outras linhas agressivas. No lugar de acalentar a paz e a compreensão para o Brasil enfrentar tantos dramas sociais, como a miséria e a fome, Lula seguiu uma linha revanchista e isso pode ainda lhe custar muito caro.

 O jornal O Estado de São Paulo identificou a participação de 88 pessoas nas invasões e depredações dos espaços públicos. A convocação para os atos já tinha um propósito golpista estabelecido: “Nós vamos colapsar o sistema, nós vamos sitiar Brasília, nós vamos tomar o poder de assalto, o poder que nos pertence”, disse Ana Priscilla Azevedo, numa live realizada em 5 de janeiro, no acampamento bolsonarista montado no entorno do Quartel General do Exército, em Brasília. Não era um grito isolado. Mensagens de mesmo teor foram reforçadas em centenas de postagens produzidas por manifestantes, que também trataram de destacar o papel de liderança do ex-presidente Jair Bolsonaro sobre a mobilização golpista.

Por Magno Martins

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