Ricardo Costa era um lírio

Acordei hoje com a notícia da partida eterna do ex-deputado Ricardo Costa, de coração efervescente e amoroso como as ladeiras da sua Marim dos Caetés em tempos de folia carnavalesca. O informe chegou por um parente próximo, tão logo me viu online ao raiar do dia.

Notícia de perda de ente querido não faço questão de dar. Não é furo. Vai para o meu blog com letras de um poema ferindo a alma. Só gosto, na verdade, de dar notícias de coisas boas, que dão alegria, coisas do amor, sentimentos e situações que nos levam a deparar com as coisas da grande arte de ser feliz.

Ricardo era um homem alegre e feliz. Convivi de perto com ele. Era político, empresário da comunicação e fazendeiro. Na comunicação, me ajudou com suas placas de outdoor a chegar ao grande público com minha ousadia no pioneirismo do mundo da blogosfera em Pernambuco.

Ricardo era um doce, era como um lírio. E como os lírios, sabia que um dia ia morrer. Os lírios morrem, mas vivem no presente, no futuro. Ricardo viveu o presente conjugando o futuro. Olhai os lírios do campo, eles são belos. Jesus nos ensinou que a sabedoria é viver o presente. “Por que andais ansiosos com o dia de amanhã? Olhai os lírios do campo, olhai as aves do céu. Os lírios do campo serão cortados e morrerão”, diz a palavra eterna.

Ricardo era um lírio cortado por dentro pela enfermidade do século, o câncer. Mas nunca deixou de brilhar e ter a essência dos lírios. Vez por outra, ele me convidava para ver os lírios da sua fazenda em Carnaíba, no meu Pajeú das flores, onde todas as almas são de cantadores, como disse Rogaciano Leite, o trovador do improviso.

Ricardo deixou seus lírios e foi levado de supetão para o paraíso, nos pregando um susto. Adélia Prado tem um verso que diz que o paraíso é igualzinho a esta vida, tudo do mesmo jeito, com uma diferença: a gente não vai mais ter medo. Os físicos antigos olhavam para os céus estrelados e ouviam a silenciosa música das esferas.

A partir da saudade instalada em nós pela partida de Ricardo, só nos resta olhar para os céus e enxergá-lo como um lírio.

Por Magno Martins

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