
Estamos batendo à porta de uma das maiores e mais comemoradas festas populares de todo o mundo, o Carnaval. Nada melhor do que fazermos uma homenagem a um dos monstros consagrados da música brasileira e que tanto fez e faz o público delirar nessa época de tanta alegria, Lamartine de Azeredo Babo ou popularmente Lamartine Babo. Que nasceu no dia 10 de janeiro de 1904 no Rio de Janeiro. Foi um compositor popular brasileiro.
Era um dos doze filhos de Leopoldo Azeredo Babo e Bernarda Preciosa Gonçalves, sendo um dos três que chegaram à idade adulta. Era tio de Oswaldo Sargentelli, cujo pai Leopoldo, nunca o reconheceu oficialmente. Lamartine Babo nasceu no mesmo ano da fundação do seu clube de coração, o tradicional América Football Club.
Tijucano e americano fanático, Lamartine protagonizou cenas memoráveis como o desfile que fez em carro aberto pelas ruas do centro do Rio, fantasiado de diabo, comemorando o último campeonato do América, em 1960. Mesmo tendo sido um leigo em técnica musical, Lamartine criou melodias resultantes de seu espírito inventivo e versátil.
Começou a compor aos catorze anos, a valsa “Torturas de Amor”. Formou-se em Ciências Jurídicas e Sociais na Faculdade de Direito da Universidade do Rio de Janeiro. porém, foi através das marchinhas carnavalescas, cantadas até hoje, como “O teu cabelo não nega”, “Grau 10”, “Linda Morena”, e a marchinha do grande galo, que seu nome se tornou mundialmente conhecido como o Rei do Carnaval.
Em suas letras, predominavam o humor refinado e a irreverência. Como poucos, Lamartine alcançou os dois extremos da alma brasileira: A Gozação e o Sentimento. Em 1937, na cidade mineira de Boa Esperança, numa situação inusitada, compôs o famoso samba-canção “Serra da Boa Esperança”. Em 1949, compôs os hinos alternativos (não oficiais) dos 11 participantes do Campeonato Carioca de Futebol daquele ano. Em um só dia, Lamartine Babo compôs os famosos hinos dos considerados seis maiores e mais tradicionais clubes de futebol do Rio de Janeiro, sendo o primeiríssimo em seu coração, o Mequinha.
Lalá , como era conhecido, era uma das pessoas mais bem humoradas e divertidas de sua época, não perdendo nunca a chance de um trocadilho ou de uma piada (tipo o nosso querido Danizete Siqueira – O Perninha, colaborador semanal deste conceituado blog). Sua primeira marchinha gravada, foi a divertida “Os calças-largas”, em que Lamartine debochava dos rapazes que usavam calças boca-de-sino.
Lamartine Babo nunca se casou. Morreu vitimado por um infarto, no dia 16 de junho de 1963, deixando seu nome no rol dos grandes compositores do Brasil. Seu amigo e parceiro João de Barro, o popular Braguinha, disse certa vez: “costumo dividir o carnaval em duas fases: antes e depois de Lamartine”.
Em 12 de agosto de 1963, a Praça da Tijuca recebeu o nome de Praça Lamartine Babo, homenageando o artista que em vida frequentava o local. Em 1981, a Escola de Samba Imperatriz Leopoldinense conquistou seu primeiro bicampeonato com o enredo “O teu cabelo não nega”. Uma comovente e divertida homenagem ao compositor. A escola reeditou o enredo em 2020, com o nome de “Só dá Lalá” para homenagear o grande Lamartine Babo (Lalá) que partiu há 60 anos, sugerimos a melodia que continua agradando a cada época de carnaval: O TEU CABELO NÃO NEGA…
Por Naldinho Rodrigues (do PE Notícias)


