Dom Helder estava em Roma desde o 1º mês de março, ainda se acostumando à ideia da nova moradia. Na metade do mês lhe chega nova e surpreendente notícia: Nem Salvador, nem São Luís. Novo endereço: Olinda e Recife. Motivo da mudança, o falecimento do arcebispo Dom Carlos Coelho.
Na madrugada do sábado 14 de março, na sua 15ª Circular, ele relata como foi o encontro com o papa Paulo VI, após o recebimento da notícia de sua mais nova transferência.
Dom Helder conta que o papa o recebeu de braços abertos. Abraçou-o paternalmente. E seguida, agradeceu a Dom seu amor à Igreja, pelos trabalhos realizados no Rio de Janeiro, trabalhos que viu com os próprios olhos e o fizeram feliz ao ver como os pobres conheciam Dom Helder e o amavam.
Agradeceu ainda pela Conferência dos Bispos, por toda a ajuda que ele estava dando na realização do Concílio, e acima de tudo, por sua atitude em face da transferência, inclusive referindo-se a Salvador, São Luís e Recife.
“Sei que lhe custará muito arrancar-se de seu Rio e que aos seus colaboradores será também penosíssimo vê-lo partir. Quero que eles saibam que o Papa também sofreu. Mas tenham certeza de que tudo vai correr bem: quando uma criatura fica assim nas mãos de Deus opera maravilhas…”, afirmou Paulo VI.
Dom Helder respondeu que sentia-se tranquilo em saber que o papa em pessoa, examinou tudo, julgou e decidiu para onde ele devia ir. Paulo VI o interrompeu e disse: “Fique tranquilo. É evidente a mão de Deus sobre a sua cabeça. A Providência se tornou tangível”.
Na tarde daquele mesmo sábado, ele escreveu a 16ª Circular, a sua primeira circular para a “Família Mecejanense”, onde ele diz. “A Rádio Vaticano acaba de anunciar minha transferência para a Arquidiocese de Olinda e Recife. Quem sabe, no entanto, como as circunstâncias atuais tão especiais – isso afaste qualquer dúvida dos mais céticos quanto à intervenção direta da Providência e torne mais fácil a aceitação?!…”
“Foi essa pessoa especial, com o coração cheio de bondade e amor ao próximo, com uma visão profética do mundo e das pessoas, que a Arquidiocese de Olinda e Recife recebeu de presente, no dia 11 de abril de 1964, escrevendo, a partir de então, uma nova história para o povo de Deus, não apenas dessa Arquidiocese, mas, por que não de dizer, de todo o Brasil e até do mundo. Temos como duvidar que foi um sopro do Espírito Santo?”, questiona a entidade promotora do evento festivo.
Por: JC.