Kid pretos se reuniram para buscar a adesão de generais do Alto-Comando ao golpe Bolsonaro

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O relatório final do inquérito do golpe mostra que oficiais das Forças Especiais (FE), os kid pretos, buscaram convencer os generais do Alto-Comando do Exército a aderir ao golpe militar para impedir a posse do então presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva e manter Jair Bolsonaro no poder. Diz o relatório que esses oficiais, “com formação em forças especiais, estava lotados “em postos relevantes dentro da estrutura do Exército”.

O presidente da República, Jair Bolsonaro participa das comemorações do Dia do Soldado, no Quartel-General do Exército, em Brasília, ao lado dos comandantes das Forças (da esq. para dir.), general Freire Gomes, almirante Almir Garnier e brigadeiro Carlos Baptista Júnior Foto: Antonio Cruz/Agência Brasil

Eram, principalmente, assessores de generais de quatro estrelas, membros do ACE. Eles fizeram uma reunião, no dia 28 de novembro de 2022, na SQN 305 BL I, em Brasília, com o objetivo, segundo a PF, “de executar ações para pressionar alguns integrantes do alto comando, a aderirem ao golpe de Estado, que estava em curso”.

“Novamente o objetivo era o emprego de técnicas de forças especiais em ambiente politicamente sensível para desencadear ações que incitassem o meio militar e, com isso, convencer os comandantes que mantinham uma conduta legalista, em especial, o comandante do Exército, general (Marco Antônio) Freire Gomes, a aderir ao intento golpista.”, diz o documento da Operação Contragolpe, que levou ao indiciamento de Bolsonaro e outros 36 acusados pelos crimes de golpe de Estado, tentativa de abolição violenta do estado democrático de direito e organização criminosa e organização criminosa.

Recuperação de dados apagados dos telefones

Segundo os federais, apesar de apagar os dados em seus telefones celulares, as medidas cautelares de quebra de sigilo telemático “foram exitosas em recuperar trocas de mensagens pelo aplicativo WhatsApp que demonstraram o objetivo da referida reunião”. Segundo os federais, os assessore atuaram de forma deliberada, sem conhecimento dos comandantes, em evidente quebra de hierarquia, com a finalidade estabelecer uma relação de confiança entre Freire Gomes e Bolsonaro.

O objetivo seria que o então comandante do Exército aderisse a tentativa de golpe de Estado, dando o suporte armado à ação que estava em curso. Para exemplificar essa ação, os federais citam mensagens do coronel Correa Netto, então assistente do comandante militar do Sul, general José Sant’Anna Soares Silva, e dos coronel Fabrício Moreira de Bastos, na época integrante do Centro de Inteligência do Exército (CIE).

Correia Netto escreveu que o objetivo era “reunir alguns FE em funções chaves para termos uma conversa sobre como podemos influenciar nossos chefes”. “Para isso vamos fazer uma reunião em BSB (Brasília)”. Após a reunião, houve novas trocas de mensagem entre Correa Neto e o coronel Fabrício Moreira de Bastos descreveram as “fragilidades identificadas e as ações que seriam adotas, dentre elas, a utilização de técnicas de forças especiais no campo de controle da informação, a criação de um denominado ‘gabinete de crise’, no Comando de Operações Terrestres (Coter)”.

Na época, o Coter eras comandado pelo general Estevam Theóphilo, um dos 37 indiciados pelo golpe. Ainda no final da mensagem, os investigados evidenciaram que o objetivo final das ações seria estabelecer o tal vínculo de confiança entre Freire Gomes e Bolsonaro. “Além disso, também descreveram que o então presidente do Tribunal Superior Eleitoral e ministro do Supremo Tribunal Federal, Alexandre de Moraes seria o alvo a ser atacado, utilizando o jargão militar de ‘centro de gravidade’”.

Estadão

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