Rinite alérgica pode favorecer o surgimento do ceratocone, alerta especialista.

Mulher coçando os olhos
Mulher coçando os olhos – Freepik

Coceira nos olhos, comum em quadros alérgicos não controlados, pode causar lesões na córnea e contribuir para doença que afeta a visão.

O hábito de coçar os olhos, frequentemente presente em pessoas com rinite alérgica, pode ter consequências mais sérias do que se imagina.

A otorrinolaringologista Raquel Rodrigues, do Hospital de Olhos de Pernambuco (Hope), alerta que esse comportamento repetitivo está entre os fatores que contribuem para o desenvolvimento ou agravamento do ceratocone, uma doença que afina e deforma a córnea, afetando diretamente a visão.

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“O ato repetido de coçar os olhos, provocado pela coceira intensa, pode causar microlesões na córnea que favorecem ou agravam o ceratocone”, explica a médica. A doença é progressiva e degenerativa, e geralmente aparece na adolescência ou no início da vida adulta, podendo evoluir se não for diagnosticada precocemente.

Embora a rinite alérgica não tenha cura, ela pode ser controlada com o uso de medicamentos específicos, medidas de controle ambiental e, em alguns casos, imunoterapia.

“A partir do momento em que conseguimos controlar a rinite, os sintomas como a coceira ocular tendem a desaparecer, reduzindo o risco de trauma ocular”, afirma Raquel.

Coceira ocular pode ser o primeiro sinal da rinite

A especialista destaca que a coceira nos olhos muitas vezes é o primeiro sintoma perceptível, mesmo em pacientes que não relatam sintomas respiratórios.

“Há pessoas que não percebem os sintomas respiratórios, por já estarem acostumadas a respirar mal. Mas a irritação nos olhos leva ao incômodo, e é quando elas procuram ajuda médica”.

No Hope, o acompanhamento é feito em parceria entre otorrinolaringologistas e oftalmologistas, o que facilita o diagnóstico precoce e o tratamento integral.

“Se o paciente chega com sintomas oculares e diagnóstico de rinite, fazemos o encaminhamento ao oftalmologista para avaliar possíveis alterações na córnea. O mesmo ocorre quando o oftalmologista identifica um quadro alérgico que precisa de controle. O acompanhamento conjunto é fundamental para garantir um tratamento eficaz”, pontua.

Atenção redobrada com as crianças

Entre as crianças, o cuidado deve ser ainda maior. Muitos pequenos não sabem expressar desconfortos com clareza, mas o comportamento pode indicar sintomas alérgicos: espirros repetidos, sono agitado, coceira no nariz, olhos ou ouvidos e irritabilidade são sinais comuns.

“É comum que a criança manifeste os sintomas de forma comportamental. Os pais devem observar, inclusive, como ela se comporta na escola, onde passa grande parte do dia”, orienta a médica.

Mesmo com orientações para evitar coçar os olhos, controlar esse reflexo pode ser difícil. “É por isso que o foco deve ser sempre o tratamento da causa. Quando tratamos a rinite de forma eficaz, conseguimos eliminar o sintoma e prevenir danos maiores”, reforça a especialista.

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Diagnóstico e prevenção

Segundo a médica, é essencial que profissionais estejam atentos a queixas oculares em pacientes com histórico alérgico.

O diagnóstico precoce e o tratamento adequado da rinite não apenas melhoram a qualidade de vida, como também evitam o risco de surgimento ou agravamento de doenças como o ceratocone.

Por Maria Clara Trajano

 

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