A violência doméstica é uma realidade que afeta milhões de mulheres em todo o mundo, através da prática de diversas formas de abuso: físico, emocional, psicológico e patrimonial. Essa situação provoca profundas consequências na saúde psíquica e emocional das vítimas. As mulheres submetidas a esse tipo de violência enfrentam um sofrimento psicológico intenso que pode levar ao desenvolvimento de transtornos graves, como depressão, ansiedade e transtorno de estresse pós-traumático (TEPT).
Para Letícia Peres, advogada especialista em Direito das Famílias, entender e abordar os efeitos devastadores da violência doméstica na saúde das mulheres é essencial para romper o ciclo de abuso, para promover a recuperação e capacidade de reação das vítimas.
“O ambiente de constante medo e insegurança pode levar a um estado de alerta permanente, dificultando o descanso e o bem-estar emocional. A violência doméstica cria um ciclo de sofrimento que pode ser difícil de romper sem o apoio adequado”, afirma.
A violência também afeta o relacionamento da mulher com os filhos e outros familiares, criando um ambiente de tensão e insegurança dentro do lar.
“As mulheres podem sentir vergonha ou culpa, acreditando que de alguma forma são responsáveis pela violência, o que pode agravar o sofrimento psicológico. Esse sentimento de culpa é muitas vezes reforçado pelo agressor, criando um ciclo de dependência emocional que é difícil de quebrar”, explica Letícia Peres.
/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_da025474c0c44edd99332dddb09cabe8/internal_photos/bs/2022/k/0/YCrNG7QAeKLB9VKqJxDg/captura-de-tela-2022-07-28-as-21.46.04.png)
Segundo Letícia Peres, é crucial que as mulheres em situações de violência doméstica tenham acesso a abordagens terapêuticas apropriadas, múltiplas modalidades de cuidado, como atendimento psicológico e psiquiátrico, farmácia popular, grupos de apoio e assistência jurídica.
“A intervenção precoce pode ajudar a prevenir o agravamento dos danos à saúde mental, colaborando na a recuperação e na construção de uma nova vida longe do agressor”, diz Letícia. A assessoria jurídica e o suporte emocional andam de mãos dadas para restaurar a dignidade e o bem-estar das vítimas.
Sobre denúncias, Letícia informa: “De forma mais imediata, se for violência física, a vítima deve acionar o 190. Se se a violência ocorrer de outra forma, ela deve acionar o 180 ou se dirigir a uma das Delegacias Especializadas de Atendimento à Mulher (DEAM) ou até mesmo uma delegacia de bairro As prefeituras municipais também têm atendimento dedicado a situações dessa natureza, como o RJ através do nº 1746 , assim como o Tribunal de Justiça do RJ através do “app Maria da Penha” e Temos também a Casas da Mulher Brasileira e as Defensorias Públicas Estaduais”, pontua a advogada.
Na cidade do RJ foi sancionada a Lei 8913/25 prevendo que casos de violência doméstica contra mulheres cometidos em casas, apartamentos ou em áreas comuns de condomínios residenciais e comerciais devem ser formalmente denunciados às autoridades.
Por fim, Letícia destaca que é fundamental que a sociedade como um todo reconheça o impacto da violência doméstica na saúde psíquica e psicológica das mulheres e trabalhe para criar redes de apoio e políticas públicas eficazes. “A conscientização e a educação sobre o tema são essenciais para romper o ciclo de violência e garantir que as mulheres tenham um futuro melhor, mais seguro e saudável”, finaliza.
Por O GLOBO — Rio de Janeiro


