Adultização: por que pular etapas e transformar crianças em pequenos adultos não é saudável

Impor uma cobrança excessiva por desempenho escolar é uma forma de adultização da criança — Foto: Getty Images via BBC
Foto: Getty Images via BBC

Além de efeitos na fase inicial da vida, a aceleração do desenvolvimento da criança pode trazer consequências futuras.

Nos últimos dias, a exploração de crianças na internet gerou um intenso debate no Brasil após um vídeo feito pelo influenciador Felipe Brassanim Pereira, o Felca, viralizar nas redes sociais.

O conteúdo, que já ultrapassa 35 milhões de visualizações no YouTube, trouxe à tona um termo que se tornou centro das discussões — a adultização — e mobilizou parlamentares em Brasília, de diferentes espectros políticos, para acelerar a tramitação de projetos de lei para proteger crianças e adolescentes no ambiente digital.

Mas o que é a adultização e como ela compromete o bem-estar e desenvolvimento saudável das crianças?

A adultização é como uma aceleração forçada do desenvolvimento infantil, fazendo com que as crianças adotem comportamentos ou responsabilidades que não correspondem à idade delas.

“Nada mais é do que você acabar quebrando o ciclo da fase da infância dessa criança. A partir do momento em que a gente quebra o ciclo desse desenvolvimento, e faz essa criança ou adolescente entrar em um contexto adulto, a gente está colocando essa criança no processo de adultização”, explica Michelly Antunes, líder do programa Nossas Crianças, da Fundação Abrinq.

Esse processo pode acontecer de várias formas: seja ao sobrecarregar a criança com tarefas de adulto — como torná-la responsável por cuidar dos irmãos ou ajudar nas finanças de casa —, ao impor uma cobrança excessiva sobre desempenho escolar ou esportivo, ou ainda ao permitir que ela tenha acesso a conteúdos inadequados para a idade dela, como vídeos sexualizados.

Por André Biernath

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