Orelhões serão extintos no Brasil até o fim de 2028; saiba onde ainda há aparelhos em Pernambuco

Orelhão da Oi: empresa tem a grande maioria dos aparelhos instalados em Pernambuco
Foto: José Cruz/Agência Brasil

No estado, existem mais de 200 orelhões obrigatórios instalados, segundo dados da Anatel

Símbolo de uma era da telefonia no Brasil, os populares orelhões já têm data para a aposentadoria: 31 de dezembro de 2028.

A remoção definitiva dos aparelhos ainda disponíveis no país começa neste mês de janeiro de 2026, após o fim do contrato de concessão da prestação do serviço em dezembro passado.

Em Pernambuco, segundo dados levantados pela Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) a pedido da reportagem, 236 aparelhos obrigatórios, sendo 235 operados pela Oi e um pela Claro, ainda estão instalados em 79 cidades, majoritariamente no Interior.

Do total, 138 orelhões estão ativos em Pernambuco e os outros 98, em manutenção. Os dados correspondem a 31 de dezembro de 2025.

Confira, na tabela abaixo, onde ainda há orelhões no estado

A Anatel reforça que as prestadoras que já adaptaram o serviço de telefonia fixa para o regime privado têm até o último dia de 2028 para manter quase nove mil orelhões instalados em localidades onde a cobertura de telefonia celular ainda se apresenta deficiente.

Ainda segundo a agência, no mês passado, havia um total de 38.354 orelhões instalados no país — sendo a grande maioria em São Paulo, onde estão 28.767 aparelhos.

Em seu site, a Anatel disponibiliza uma consulta pública com dados sobre todos os orelhões, como localização, número e qual prestadora opera.

Concessão dos aparelhos chegou ao fim
Desde 1º de janeiro de 2026, as empresas Vivo, Algar e Claro foram liberadas pela Anatel para retirar os telefones públicos não obrigatórios. A Sercomtel, em processo de adaptação da concessão, deve manter todos os orelhões em sua área de concessão, os municípios de Londrina e Tamarana, no Paraná.

No caso da Oi, prestadora responsável pela quase totalidade dos aparelhos em Pernambuco, foi pactuado que a retirada poderia começar após a efetivação da adaptação da concessão da empresa, que passa por uma crise financeira desde 2016. A adaptação foi aprovada pela Anatel em novembro de 2024 e desde então a empresa foi autorizada a remover os aparelhos.

Essa adaptação dos contratos da Anatel com as empresas prevê a extinção gradual dos telefones públicos dentro do plano de universalização do acesso à telefonia no país, hoje amplamente dominado pela tecnologia móvel.

“Com a proximidade do término dos referidos contratos, tornou-se oportuna uma discussão mais ampla sobre o atual modelo de concessão, com o fim de buscar estimular os investimentos em redes de suporte à banda larga. Nesse cenário, as concessionárias buscaram celebrar acordos com a Administração Pública para viabilizar a adaptação da concessão do STFC [sistema de telefonia fixa] para a modalidade de autorização, regida pelo regime privado”, explicou a Anatel, em comunicado.

Orelhão
Fim do orelhão no Brasil: telefone público marcou era da comunicação no país | Foto: Rafa Neddermeyer/Agência Brasil

Em contrapartida, as prestadoras assumiram compromissos de manter a oferta do serviço de orelhões até o fim de 2028 e investir em infraestrutura de telecomunicações, como:

  • a implantação de fibra óptica em localidades sem a infraestrutura;
  • antenas de telefonia celular (tecnologia no mínimo 4G) em localidades sem a infraestrutura;
  • expansão da rede de telefonia celular;
  • implantação de cabos submarinos e fluviais;
  • conectividade em escolas públicas;
  • e construção de data centers.
Projeto do orelhão é assinado pela arquiteta sino-brasileira Chu Ming Silveira
Projeto do design do orelhão é de autoria da arquiteta Chu Ming Silveira | Foto: Chu Ming Silveira/Wikimedia Commons

Orelhões no Brasil
O popular orelhão foi lançado no Brasil em abril de 1972, com design assinado pela arquiteta sino-brasileira Chu Ming Silveira.

O desenho buscou privilegiar fatores como proteção ao telefone e ao usuário, baixo custo de fabricação e manutenção e boa estética.

Durante décadas, o orelhão foi parte importante das paisagens urbanas do país e essencial para a comunicação cotidiana, em um contexto onde o acesso à telefonia fixa domiciliar era cara, burocrática e até inacessível para boa parte dos brasileiros.

A rede, que era mantida por conacessionárias de telefonia fixa como contrapartida obrigatória do serviço, chegou a ter mais de 1,5 milhão de aparelhos, mas perdeu força com o advento de outras tecnologias, como a telefonia móvel presente nos celulares e smartphones.

Por Fabio Nóbrega

Compartilhe:

Deixe um comentário