Fim do Carnaval é largada para corrida às urnas para Raquel e João

Raquel Lyra, Lula e João Campos

Com a proximidade da disputa eleitoral de outubro, a governadora Raquel Lyra (PSD) e o prefeito do Recife, João Campos (PSB), aproveitaram os festejos do Carnaval para reforçar simbolismos da festa popular como vitrine. Após o encerramento do período momesco, a tendência é que a corrida às urnas se intensifique e os projetos eleitorais comecem a ganhar contornos mais delimitados com filiação de aliados, formação de chapas e consolidação de candidaturas.

Na Quarta-feira de Cinzas, a governadora e o prefeito tiveram o primeiro encontro após o fim da festa do período carnavalesco. Em um encontro formal, eles participaram do lançamento da Campanha da Fraternidade 2026, na Paróquia do Santíssimo Coração de Jesus Eucarístico, no bairro do Espinheiro, Zona Norte do Recife.

Na primeira fila, estavam a governadora, acompanhada do filho, João, e da mãe, Mércia Lyra; a vice-governadora, Priscila Krause, com o esposo; o prefeito João Campos, ao lado da noiva, a deputada federal Tabata Amaral; do seu irmão, o deputado federal Pedro Campos; da mãe, Renata Campos; e do vice-prefeito do Recife, Victor Marques.

Ao contrário do lançamento da campanha do ano passado, não houve discursos das autoridades políticas. Os líderes políticos chegaram a se cumprimentar no momento da saudação de paz, durante a celebração religiosa.

Redes sociais

As manifestações mais simbólicas ficaram para as redes sociais. Em vídeo publicado no seu perfil, a governadora Raquel veste as cores e segura a bandeira de Pernambuco para divulgar os investimentos feitos pela sua gestão no Carnaval. O gesto foi repetido em diversas agendas carnavalescas da gestora que aparece cumprimentando e festejando com a população nas ruas.

“Com o tema ‘A gente é festa’, o governo do estado investiu R$ 87,2 milhões em cultura, segurança e turismo, apoiando mais de 100 municípios e garantindo estrutura pra todo mundo brincar em paz. Foram mais de 3 mil novos profissionais na segurança, reforço no monitoramento e ações integradas em todas as áreas”, enfatizou Raquel.

A bandeira de Pernambuco também é destaque em postagem de João. Em um vídeo, o gestor ergue uma bandeira de Pernambuco sob o som de “Anunciação”, de Alceu Valença.  Ainda ontem, ele fez um balanço daquele que pode ser seu último Carnaval como prefeito do Recife. Ele também reforçou a “animação” do seu grupo político em circular pelos polos da festa.

“Pessoas que estão menos no dia a dia da rua ficam muito impressionadas com o calor da rua. É muito bom circular com o time de deputados, vereadores, pessoas que trabalham para a realização do Carnaval, e o sentimento é positivo”, afirmou João.

Análise

O cientista político Thales Castro relembra que o Carnaval é uma manifestação importantíssima para o povo brasileiro. Devido a essa importância simbólica, a festa também é um momento em que os políticos passam recados e começam a traçar planos eleitorais. “O Carnaval tem um simbolismo maiúsculo para a vida sociopolítica de cada brasileiro. (…) Tem toda uma imagem afetiva do Carnaval.”

O cientista político Marco Tulio Freitas afirma que a festa também é uma oportunidade para ocupar um espaço simbólico. “(O Carnaval) é expressão de identidade histórica, orgulho regional e pertencimento cultural. Quando lideranças como João Campos e Raquel Lyra ocupam esse espaço, elas não estão só marcando presença institucional, mas disputando simbolicamente o vínculo com essa identidade coletiva”, analisou.

O uso de cada da bandeira estadual também carrega simbolismo. Para a cientista política Fernanda Negromonte, o gesto é um recado político de que Pernambuco é protagonista da disputa. “Tem todo um peso e um significado que a bandeira de Pernambuco está no centro de todas as atenções”, analisa.

De acordo com Castro, o uso da bandeira, principalmente nas redes sociais, revela mais um elemento de projeção política, tendo em vista o objetivo de conquistar o governo estadual. “Nas inserções, entrevistas, presenças, fotos, vídeos e stories de ambos, a bandeira de Pernambuco está sempre associada a isso (projeção de poder)”, avalia.

Já Marco Tulio analisa que o uso mais ostensivo da bandeira e dos símbolos do estado revelam uma disputa simbólica do significado de ser pernambucano. “Estão disputando algo que vai além da agenda administrativa, estão disputando vínculo simbólico com a identidade pernambucana”, sustentou.

Por Alex Fonseca, Maysa Sena e Anthony Santana

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