O adeus a Almina Arraes

Almina Arraes de Alencar Pinheiro, a única das 5 irmãs do ex-governador Miguel Arraes que estava viva/Reprodução/Redes sociais
Almina Arraes de Alencar Pinheiro, a única das 5 irmãs do ex-governador Miguel Arraes que estava viva (Reprodução/Redes sociais )

Morreu, na quarta-feira da semana passada, aos 101 anos, Almina Arraes de Alencar Pinheiro, a única das 5 irmãs do ex-governador Miguel Arraes que estava viva

Morreu, na quarta-feira da semana passada, aos 101 anos, Almina Arraes de Alencar Pinheiro, a única das 5 irmãs do ex-governador Miguel Arraes que estava viva. Almina Arraes morava no Crato e viveu cercada dos filhos (5), netos (16) e bisnetos (26).

A vida lhe ensinou a não ficar parada na janela vendo o tempo passar. Abraçou a carreira de professora e fez do ensino mais uma razão pra viver. Sempre se mostrou antenada e criativa. São vários os exemplos que ficaram registrados ao longo do seu centenário de vida. Saiu das anotações dos seus cadernos, em 1953, o primeiro livro de poesias de Patativa do Assaré, que ditava seus versos e Almina copiava.

Quando as mulheres fabricantes de redes da região entraram em crise por falta de compradores e começaram a passar necessidade, Almina Arraes teve a ideia de criar um “consórcio de redes” e as vendas foram retomadas. Na véspera de um jogo (preliminar) entre a Portuguesa do Crato e o Siqueira Campos, para marcar a inauguração do Estádio Governador Virgílio Távora, descobriu-se que o padrão dos 2 times tinha vindo de Fortaleza sem os meiões.

Almina Arraes foi acionada para salvar a festa. Contratou duas ajudantes e em menos de 24 horas os atletas entraram em campo com a vestimenta completa e saíram como autores dos primeiros gols do novo estádio (o jogo foi 1 a 1). E nada parou por aí. A inquietude de Almina Arraes sempre foi invejável.

Em 2007, aos 83 anos, não se conformou em ver o mundo tecnológico desfilar na sua frente e ela ficar de bobeira. Comprou um computador e se matriculou num curso de informática. Na sala de aula, o colega mais velho da turma dela tinha 12 anos de idade. Nada abateu o seu ânimo. Almina tirou das dificuldades inerentes à idade um incentivo para escrever uma cartilha dirigida às pessoas idosas com dicas sobre o mundo dominado pelos computadores. Ficou frustrada quando o Orkut saiu de moda. Mas logo deixou a tristeza de lado e aderiu ao Facebook. E, em seguida, ao Instagram.

Seu divertimento predileto era passear pelas redes sociais e se conectar cotidianamente ao mundo digital. Mandava e recebia pelas redes notícias dela e dos parentes. Lia diariamente os blogs e os portais para se informar de tudo.

Afinal, ser uma internauta do dia a dia com a idade na faixa dos 100 anos não era nem nunca será tarefa fácil para ninguém.

Nem aqui nem no Japão – um dos países com a maior expectativa de vida do mundo!!!

Ítalo Rocha Leitão – Jornalista

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