
“Projeto Vivas”, da ETE Ministro Fernando Lyra, de Caruaru, ficou com o segundo lugar da 12ª edição do programa Diálogos, da Brazil Conference
Um projeto que facilita a denúncia e acolhimento de jovens em situação de violência doméstica criado por estudantes da Escola Técnica Estadual (ETE) Ministro Fernando Lyra, de Caruaru, no Agreste de Pernambuco, ganhou destaque nacional.
O “Projeto Vivas” ficou em segundo lugar da 12ª edição do programa Diálogos, da Brazil Conference, e vai ser exibido em Harvard, nos Estados Unidos.
A ferramenta foi desenvolvida pelos estudantes Ingridy Silva e Kauã Silva, sob orientação da professora Eligivania Macedo, gestora da ETE.
Como funciona
A iniciativa criou um canal de registro de casos de violência doméstica por meio de aplicativo de celular, permitindo que estudantes comuniquem situações de agressão vividas ou testemunhadas dentro de casa.
Em uma realidade com tantos casos de violência doméstica e feminicídios no estado, o projeto chega como um ponto de ajuda e informação para os jovens que sofrem isso na pele ou dentro de casa. E isso se traduz de maneira prática: após o registro, a família é acolhida pela escola e recebe orientação sobre medidas de proteção, acesso à rede de apoio e encaminhamentos necessários.
“O projeto também incentiva a autonomia financeira das mulheres atendidas, com orientações sobre qualificação profissional e possibilidades de empreendedorismo, contribuindo para que possam romper o ciclo de dependência econômica do agressor”, explicou a Secretaria de Educação.
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Educação é essencial para formação
Para Ingridy, que atualmente atua na escola como agente da Busca Ativa, o projeto busca fortalecer o papel dos profissionais de educação na formação de jovens e prestação de apoio aos alunos.
“Professores e gestores são pontos de apoio para muitos estudantes. São eles que percebem mudanças de comportamento, quedas no desempenho, faltas frequentes. Em muitos casos, essas situações estão diretamente ligadas ao ambiente doméstico. Quando uma mulher sofre violência, não é apenas ela que é atingida. A estrutura familiar é afetada e, principalmente, os filhos. Esse sofrimento chega à escola, interfere na rotina e pode resultar em evasão. Foi a partir dessa compreensão que começamos a refletir”, afirmou.
Já Kauã Silva, que hoje em dia é estudante de Ciência da Computação, explicou como a formação na escola o levou a tirar a ideia do papel.
“Eu cursei Desenvolvimento de Sistemas na escola e foi a partir desse curso que consegui estruturar o aplicativo. A base técnica que recebi foi essencial para transformar a ideia em algo concreto e funcional. Acredito no poder da tecnologia como ferramenta de transformação social”, disse.
Projeto vai para Harvard
O governo estadual anunciou ainda que, em abril, o Projeto Vivas será apresentado na Harvard University, em Cambridge, nos Estados Unidos, por meio de exibição em vídeo durante a programação oficial da conferência.
O programa Diálogos é considerado a maior maior conferência de estudantes brasileiros no exterior. O resultado, inclusive, chama atenção por ter sido o melhor do Nordeste entre as 128 equipes inscritas, sendo mais de 600 participantes de todo o país.
“A proposta do projeto está diretamente ligada ao trabalho que já desenvolvemos na escola com foco no empreendedorismo. Como estimulamos fortemente essa cultura, entendemos que promover autonomia financeira para essas mulheres é uma estratégia concreta para ajudá-las a romper o ciclo da violência. Quando elas conquistam independência econômica, ampliam suas possibilidades de escolha e passam a ter mais condições de sair daquele contexto e reconstruir suas vidas com mais segurança e dignidade”, completou a professora Eligivania.
Por Portal Folha de Pernambuco


