Ministério emite alerta para azeites fraudados; um dos lotes foi encontrado em PE

Azeite de oliva. /Foto: Canva
Azeite de oliva. (Foto: Canva)

Ministério da Agricultura inspecionou lotes considerados impróprios

O Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) emitiu um alerta aos consumidores sobre a comercialização e o consumo de azeites de oliva fraudados. Os produtos foram fiscalizados pelo Departamento de Inspeção de Produtos de Origem Vegetal da Secretaria de Defesa Agropecuária.

De acordo com o órgão, eles não atendem aos padrões de identidade e qualidade estabelecidos pela legislação. As marcas citadas foram a Santa Lucia, La Vitta, Godio e Royal – a última teve seu lote encontrado em Pernambuco.

As amostras coletadas pelo departamento foram analisadas pelos Laboratórios Federais de Defesa Agropecuária que confirmaram a presença de outros tipos de óleos vegetais na composição, o que caracteriza fraude.

Confira as marcas e lotes inspecionados que foram considerados impróprios:

Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) divulga lista de azeites impróprios para consumo  - Ministério da Agricultura e Pecuária
Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) divulga lista de azeites impróprios para consumo (crédito: Ministério da Agricultura e Pecuária)

O ministério orienta os consumidores a interromper imediatamente o uso dos produtos, caso tenham adquirido. Lembra, ainda, que é possível solicitar a substituição do produto, conforme prevê o Código de Defesa do Consumidor.

Aos comerciantes, o Mapa reforça que a comercialização desses produtos constitui infração grave.

“Os estabelecimentos que mantêm os itens à venda podem ser responsabilizados”, disse o ministério, em nota.

Agência Brasil 

Quem são os presos na operação da PF contra esquema de desvios do INSS

CGU e Polícia Federal deflagram 4ª fase da Operação Sem Desconto/Reprodução/ Govbr
(Reprodução/ Govbr)

Nove dos 10 alvos de prisão determinadas pela Justiça já estão presos

A Polícia Federal realizou, nesta quinta-feira (13), a 4ª fase da Operação Sem Desconto, que investiga um esquema nacional de descontos associativos não autorizados em aposentadorias e pensões do Instituto Nacional de Seguridade Social (INSS).

Nove dos 10 alvos de prisão determinadas pela Justiça já estão presos.

Ex-presidente do INSS, Alessandro Stefanutto foi preso. Investigado por permitir desvios durante sua gestão, ele assumiu o INSS em julho de 2023, na atual gestão de Lula. Ele pediu demissão no final de abril deste ano, após ordem do presidente. Procurada, a defesa de Stefanutto ainda não se manifestou.

Segundo o Blog do Fausto Macedo, o ex-procurador-geral do INSS, Virgílio Antônio, e a esposa dele, a médica Thaísa Hoffmann, também foram presos.

A lista de presos, segundo o blog, inclui também três pessoas ligadas à Confederação Nacional de Agricultores Familiares e Empreendedores Familiares Rurais (Conafer): Cícero Marcelino, Tiago Abraão Ferreira Lopes e Samuel Chrisostomo do Bomfim Júnior, além de Vinícius Ramos da Cruz, presidente do Instituto Terra e Trabalho.

Quem é Alessandro Stefanutto

Desde o início do ano, a PF e a Controladoria-Geral da União (CGU) apuram um esquema nacional de descontos associativos não autorizados em aposentadorias e pensões. O valor estimado em cobranças irregulares pode chegar a R$ 8 bilhões, segundo auditoria da CGU.

Stefanutto foi nomeado para o cargo no dia 11 de julho de 2023 pelo ministro da Previdência Social, Carlos Lupi. À época da nomeação, Lupi não economizou nos elogios ao escolhido e chegou a dizer que ele não “se deixa dobrar por interesses menores”. Antes da presidência do INSS, ele esteve à frente da Procuradoria Federal Especializada junto ao INSS de 2011 a 2017.

Sua formação inicial também inclui passagens pelo Colégio Naval e pela Escola Naval, onde ficou de 1988 até 1992. Cursou direito pela Universidade Mackenzie, onde se formou em 1998. Fez pós-graduação em gestão de projetos, e também cursou especialização em mediação e arbitragem pela Fundação Getúlio Vargas (FGV).

Stefanutto tem dois mestrados. O primeiro, em 2013, foi obtido junto à Universidade de Alcalá, em Madrid, onde conseguiu o título de mestre em gestão e sistemas de seguridade social. O segundo, foi concluído em 2024, em direito internacional pela Universidade de Lisboa.

Leia mais

Ex-presidente do INSS Alessandro Stefanutto é preso pela PF

O ex-presidente do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), Alessandro Stefanutto, foi preso na manhã desta quinta-feira (13) durante uma operação da Polícia Federal (PF), que investiga fraudes no órgão, como esquemas de descontos ilegais em aposentadorias e pensões.

Stefanutto é alvo de um dos dez mandados de prisão cumpridos nesta quinta-feira (13), em nova fase da Operação Sem Desconto, deflagrada pela PF em parceria com a Controladoria-Geral da União (CGU).

Alessandro havia sido afastado do cargo quando as notícias sobre fraudes no INSS vieram à tona. Em abril, ele foi demitido da função.

Na época, as investigações apontaram um esquema criminoso voltado à realização de descontos irregulares nos valores recebidos por aposentados e pensionistas do órgão, ocorridos entre 2019 e 2024. Os desvios podem chegar a R$ 6,3 bilhões, segundo a PF.

Ao todo, as forças de segurança cumprem 63 mandados de busca e outras medidas cautelares no Distrito Federal e em 14 estados: Espírito Santo, Goiás, Maranhão, Minas Gerais, Paraíba, Paraná, Pernambuco, Piauí, Rio Grande do Norte, Rio Grande do Sul, Santa Catarina, São Paulo, Sergipe e Tocantins.

Com informações do G1

Lula manifesta solidariedade às vítimas do tornado no Paraná e anuncia envio de equipes para a região

Presidente Luiz Inácio Lula da Silva/Valter Campanato/Agência Brasil
Presidente Luiz Inácio Lula da Silva (Valter Campanato/Agência Brasil)

Dados da Defesa Civil apontam que 90% da área urbana de Rio Bonito do Iguaçu sofreu algum estrago na infraestrutura, seis pessoas morreram, duas estão desaparecidas e 432 estão feridas

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva expressou, na manhã deste sábado (8), sua solidariedade às pessoas afetadas pelo tornado que atingiu cidades do Paraná na sexta-feira (7).

“Quero expressar meu profundo sentimento a todas as famílias que perderam seus entes queridos no tornado em Rio Bonito do Iguaçu e em Guarapuava, no Paraná. E prestar minha solidariedade a todas as pessoas que foram afetadas”, escreveu na rede social X.

De acordo com Lula, uma equipe liderada pela ministra Gleisi Hoffmann (Secretaria de Relações Institucionais do Brasil), composta pelos Ministérios da Saúde e da Integração e Desenvolvimento Regional, está se deslocando para a região. “Técnicos da Defesa Civil Nacional especializados em ajuda humanitária e reconstrução, já estão a caminho das cidades, e profissionais da Força Nacional do SUS prestarão auxílio à população e às equipes do governo paranaense envolvidas no resgate e no auxílio às vítimas”, acrescentou.

“Seguiremos apoiando a população paranaense. E prestando todo o auxílio que for necessário”, finalizou.

Dados da Defesa Civil apontam que 90% da área urbana de Rio Bonito do Iguaçu sofreu algum estrago na infraestrutura, seis pessoas morreram, duas estão desaparecidas e 432 estão feridas.

Imagens aéreas da cidade mostram bairros inteiros destruídos pelo tornado.

A tempestade foi classificada como tornado de categoria F3 com ventos que chegaram a até 250 quilômetros por hora, segundo o Sistema de Tecnologia e Monitoramento Ambiental do Paraná (Simepar).

Diario de Pernambuco e Agência Brasil

Dia D de combate ao Aedes aegypti ocorre neste sábado em todo o país

Mosquito Aedes aegypti, causador da dengue/Foto: Fotos Públicas
Mosquito Aedes aegypti, causador da dengue (Foto: Fotos Públicas)

Participam profissionais de saúde, agentes de endemias e comunitários

Como parte da nova campanha de prevenção e controle das arboviroses intitulada Não dê chance para dengue, Zika e chikungunya, o Ministério da Saúde promove neste sábado (8), em todo o país, o Dia D nacional de combate ao mosquito Aedes aegypti, causador da dengue. Participarão do mutirão gestores locais, profissionais de saúde, agentes de endemias, lideranças comunitárias e da população em geral. Serão realizadas ações de conscientização e mutirões de limpeza em locais públicos e residências.

Mais de 370 mil profissionais atuam diariamente na prevenção das arboviroses em todos os 5.570 municípios brasileiros. Os Agentes Comunitários de Saúde (ACS) orientam as famílias durante visitas domiciliares, distribuem materiais informativos e estimulam a participação da população. Já os Agentes de Combate às Endemias (ACE) realizam inspeções, aplicam larvicidas e registram dados que subsidiam o planejamento das ações de vigilância.

O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, destacou que a ação ocorre antes mesmo do período de maior transmissão da dengue, que é no primeiro semestre do ano.

“Este é o momento de conscientizar e engajar a população e os municípios para identificar os pontos críticos e eliminar os criadouros do mosquito”, afirmou Padilha. O ministro acredita que o uso de novas tecnologias, como a Wolbachia, é essencial para conter a transmissão do vetor.

Queda

Até o dia 30 de outubro deste ano, o Brasil registrou mais de 1,6 milhão de casos prováveis de dengue, mostrando queda de 75% em relação a 2024. No mesmo período, foram confirmados cerca de 1,6 mil óbitos, redução de 72% em comparação ao mesmo período do ano anterior. Os estados com maior número de casos são: São Paulo (890 mil), Minas Gerais (159,3 mil), Paraná (107,1 mil), Goiás (96,4 mil) e Rio Grande do Sul (84,7 mil).

Leia mais

CNH Social: estados sancionam lei que começa a valer em 2026; veja se o seu está na lista

Carteira Nacional de Habilitação (CNH) — Foto: Felix Carneiro/Governo do Tocantins
Foto: Felix Carneiro/Governo do Tocantins

Sancionada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em junho deste ano, a CNH Social é um programa para emitir a primeira carteira de habilitação. A lei já caminha a largos passos no Paraná, Ceará, Piauí e Maranhão, onde já foram sancionadas e já até abriram inscrições. Confira o detalhe de cada estado abaixo.

As novas regras já estão em vigor, desde o dia 12 de agosto de 2025. A regulamentação, com detalhes sobre inscrições, critérios e funcionamento, é de responsabilidade do governo e dos Detrans de cada estado.

No Paraná, por exemplo, a lei 22.763/2025 foi sancionada pelo governador Carlos Massa Ratinho Junior na última terça-feira (4) e o primeiro edital, com 5 mil vagas, deve ser publicado ainda em 2025.

No Ceará, as inscrições para o programa CNH Popular 2025 serão abertas nesta quinta-feira (6). Em outubro, o programa foi expandido para contemplar também estudantes de graduação e do ensino técnico de instituições públicas estaduais e federais. Já no Piauí, a lei que cria o programa foi sancionada em maio, com expectativa de beneficiar 10 mil estudantes neste ano.

E o Maranhão é um dos estados mais avançados no quesito. O estado divulgou, na terça-feira (4), a lista completa dos mais de 317 mil inscritos no programa. A lista, disponível no site do Departamento Estadual de Trânsito do Maranhão (Detran-MA), reúne todos os candidatos que se inscreveram até 1º de novembro.

As inscrições também serão definidas pelos órgãos estaduais e municipais. Alguns estados já iniciaram o programa, conforme citado acima. Veja outros que também aderiram:

Leia mais

Mais de 30 suspeitos são presos na Bahia e no Ceará em operação contra o Comando Vermelho

A ação contra o Comando Vermelho é realizada simultaneamente na Bahia e no Ceará/Foto: ascom-pcba
(Foto: ascom-pcba)

Prisões ocorrem uma semana após a megaoperação das forças de segurança do Rio de Janeiro deixarem 121 mortos em uma ofensiva contra o CV

Mais de 30 suspeitos de integrar o Comando Vermelho foram presos nesta terça-feira, 4, em uma operação realizada simultaneamente nos Estados da Bahia e do Ceará contra o tráfico de drogas. As prisões ocorrem uma semana após a megaoperação das forças de segurança do Rio de Janeiro deixarem 121 mortos em uma ofensiva contra a facção nos complexos do Alemão e da Penha.

Segundo a Polícia Civil da Bahia, a Operação Freedom tem como objetivo desarticular o Comando Vermelho, organização criminosa do Rio de Janeiro que também atua em outras áreas do País. Até o momento, a operação resultou na prisão de 31 pessoas e no cumprimento de 46 mandados de busca e apreensão. “Os mandados estão sendo cumpridos em Salvador, nos bairros da Liberdade, Uruguai, Pernambués, Narandiba e Areia Branca, nos municípios de Aratuípe e Ilhéus, e também na cidade de Eusébio, no Ceará”, disse a PCBA.

Ao todo, mais de 90 ordens judiciais foram expedidas e estão sendo cumpridas ao longo do dia. Além das ações de prisão e busca, a Justiça determinou o bloqueio de 51 contas bancárias ligadas ao grupo investigado.

Conforme a investigação, os alvos da operação são suspeitos de envolvimento em homicídios e na expansão do tráfico de drogas em Salvador e outras cidades da Bahia. “De acordo com o Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), os resultados da operação devem contribuir para a elucidação de cerca de 30 assassinatos ocorridos na capital baiana”, disse a Polícia Civil da Bahia.

Instagram

Batizada de Freedom, a operação tem como foco enfraquecer a estrutura criminosa, apreender armas e bens, prender lideranças e interromper o fluxo de recursos ilícitos usados para sustentar o domínio territorial e a prática de homicídios. A Freedom também conta com o apoio do Denarc da Polícia Civil do Ceará e da Força Integrada de Combate ao Crime Organizado (FICCO-BA).

Estadão Conteúdo

Polícia divulga perfis dos mortos no Rio; 17 não tinham histórico criminal

Presos na Operação Contenção, na terça-feira (28)./Foto: MAURO PIMENTEL / AFP
Presos na Operação Contenção, na terça-feira (28). (Foto: MAURO PIMENTEL / AFP)

Mais de 95% dos identificados após operação no Rio de Janeiro eram comprovadamente ligados ao CV

A Polícia Civil do Rio de Janeiro divulgou no fim da noite deste domingo (2) o perfil com imagens de 115 das 117 pessoas mortas na Operação Contenção, realizada na última terça-feira (28/9) nos Complexos do Alemão e da Penha, na zona norte do Rio de Janeiro. O relatório foi feito pela Ouvidoria Geral da Defensoria Pública do Estado do Rio de Janeiro.

De acordo com nota distribuída à imprensa, “mais de 95% dos identificados tinham ligação comprovada com o Comando Vermelho e 54% eram de fora do estado. Apenas dois laudos resultaram em perícias inconclusivas.”

A Polícia Civil descreve que 97 das pessoas mortas “apresentavam históricos criminais relevantes”. Entre os mortos, 59 tinham “mandados de prisão pendentes.”

O comunicado oficial admite que outras 17 “não apresentaram histórico criminal”, mas segundo as investigações posteriores, “12 apresentaram indícios de participação no tráfico em suas redes sociais.”

A lista nomina as pessoas mortas como “neutralizados” e assinala que 62 desses são de outros estados: “19 do Pará, 9 do Amazonas, 12 da Bahia, 4 do Ceará, 2 da Paraíba, 1 do Maranhão, 9 de Goiás, 1 de Mato Grosso, 3 do Espírito Santo, 1 de São Paulo e 1 do Distrito Federal.”

Doca

Relatório da Polícia diz que há no Rio de Janeiro “chefes de organizações criminosas de 11 estados da Federação, de quatro das cinco regiões do país.” O principal alvo da operação – Edgar Alves de Andrade, conhecido como “Doca”, líder do Comando Vermelho (CV) – segue em liberdade após seis dias da operação policial.

Leia mais

William Bonner deixou a bancada do Jornal Nacional, ‘ultimo, BOA NOITE’

Quase 30 anos depois de sua estreia, William Bonner deixa, nesta sexta-feira (31), a bancada do Jornal Nacional. O jornalista apresenta a última edição do JN antes de passar o bastão para César Tralli, que começa no posto na próxima segunda-feira (3).

A edição final de Bonner está prevista para começar ao vivo, segundo a grade oficial da TV Globo, às 20h30, depois da novela “Dona de mim”.

Na época do anúncio de sua saída, em setembro, Bonner disse: “Não estou pronto para me aposentar, só estava precisando mudar de ares e ter uma rotina nova”.

O jornalista segue para o o Globo Repórter em 2026, ao lado de Sandra Annenberg. Renata Vasconcellos permanece na apresentação do JN, que terá como editora-chefe Cristiana Souza Cruz, atual editora adjunta.

Mudanças também no Jornal Hoje e no Hora 1: Roberto Kovalick substitui Tralli no vespertino e Tiago Scheuer entra no matinal.

William Bonner entrou no JN em 1996, ao lado de Lillian Witte Fibe, substituindo Sérgio Chapelin e Cid Moreira. O jornalista é o apresentador com maior tempo no programa, mais até do que o próprio Cid. São 29 anos de um, contra 26 de outro. O paulistano radicado no Rio disse que a decisão de deixar os cargos de apresentador e editor-chefe foi puramente pessoal e começou a ser tomada em 2020, durante a pandemia da Covid-19. Os boatos sobre sua possível saída já corriam desde então.

Mães de mortos questionam operação no Rio: “Arrancaram o braço dele”

Rio de Janeiro (RJ), 29/10/2025 - Dezenas de corpos são trazidos por moradores para a Praça São Lucas, na Penha, zona norte do Rio de Janeiro. Operação Contenção.Foto: Tomaz Silva /Agência Brasil
© Tomaz Silva/Agência Brasil
Relatos são de que muitos foram mortos depois de terem sido rendidos

A cena dos corpos enfileirados na Praça São Lucas, no complexo da Penha, na manhã desta quarta-feira (29), correram o Brasil e o mundo. Ao lado das dezenas de homens mortos durante a Operação Contenção, realizada ontem (28) pelas polícias Civil e Militar do Rio de Janeiro, estavam familiares, em sua maioria mulheres. Mães, irmãs e esposas que choravam ao redor dos corpos e questionavam a ação do Estado.  

Uma delas era Elieci Santana, 58 anos, dona de casa. Ela conta que o filho Fábio Francisco Santana, de 36 anos, mandou mensagem dizendo que estava se entregando e compartilhando sua localização.

“Meu filho se entregou, saiu algemado. E arrancaram o braço dele no lugar da algema”, diz.

O relato de que muitos foram mortos mesmo depois de terem sido rendidos era comum entre as famílias que acompanhavam a movimentação na praça. Os corpos foram trazidos pelos próprios moradores, na caçamba dos carros, durante a madrugada. 

A confeiteira Tauã Brito, cujo filho Wellington morreu durante a operação, diz que muitos ainda estavam vivos ontem na mata, apesar de baleados.

“Ontem eu fui lá no Getúlio [Hospital Getúlio Vargas] pedir para subirem com a gente, para gente poder salvar esses meninos. Ninguém podia subir. Eles estavam vivos”, afirma.

Segundo ela, os moradores começaram a entrar na mata para procurar os feridos somente à noite, depois que a polícia tinha ido embora.

“Ficamos lá, cada um caçando seus filhos, seus parentes. Isso aí está certo para o governo?”, questiona.

Rio de Janeiro (RJ), 29/10/2025 - Moradores protestam contra execuçoes na comunidade da Vila da PenhaOperação Contenção.Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil
Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil

mocionada, Tauã disse à reportagem que só queria tirar o filho do meio da rua.

“Não vai dar em nada. A verdade é essa. Porque aqui tem um montão de gente chorando, mas lá fora tem um montão de gente aplaudindo. Isso que eles fizeram foi uma chacina”, lamentou.

Execução

Rio de Janeiro (RJ), 29/10/2025 - Dezenas de corpos são trazidos por moradores para a Praça São Lucas, na Penha, zona norte do Rio de Janeiro. Operação Contenção.Foto: Tomaz Silva /Agência Brasil
Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil

O advogado Albino Pereira, que representa algumas das famílias, acompanhou a ação durante a manhã. Na avaliação dele, há sinais claros de tortura, execução e outras violações de direitos.

“Você não precisa nem ser perito para ver que tem marca de queimadura [na pele]. Os disparos foram feitos com a arma encostada. Chegou um corpo aqui sem cabeça. A cabeça chegou dentro de um saco, foi decapitado. Então isso aqui foi um extermínio”,  aponta.

Os corpos começaram a ser recolhidos pela Defesa Civil na parte baixa da comunidade por volta de 8h30, e encaminhados para o IML.

Fundador da ONG Rio da Paz, Antonio Carlos Costa acompanhou as cenas na Praça São Lucas e criticou a letalidade da operação.

“Não há uma invasão aqui do Estado na sua plenitude, trazendo saneamento básico, moradia digna, acesso à educação de qualidade, hospitais decentes. Por que historicamente a resposta tem que ser essa? E por que a sociedade não se revolta?”, questionou.

Operação Contenção 

A Operação Contenção, realizada pelas polícias Civil e Militar do Rio de Janeiro, deixou 119 mortos, sendo 115 civis e quatro policiais, de acordo com o último balanço. O governo do estado considerou a operação “um sucesso” e afirmou que as pessoas mortas reagiram com violência à operação, e aqueles que se entregaram foram presos. No total, foram feitas 113 prisões.

Leia mais