Megaoperação da PF e Receita Federal mira esquema bilionário do crime organizado no setor de combustíveis

Megaoperação da PF e Receita Federal miram esquema bilionário do crime organizado no setor de combustíveis/Foto: PF/Divulgação
Megaoperação da PF e Receita Federal miram esquema bilionário do crime organizado no setor de combustíveis (Foto: PF/Divulgação)

A megaoperação foi deflagrada nesta quinta-feira (28)

A Polícia Federal (PF), com apoio da Receita Federal, deflagrou nesta quinta-feira (28) duas operações simultâneas voltadas ao combate à atuação do crime organizado na cadeia produtiva de combustíveis.

As duas operações, embora distintas, têm em comum o objetivo de desarticular esquemas de lavagem de dinheiro, com grande impacto financeiro e envolvimento de organizações criminosas.

Operação Quasar

A Operação Quasar tem como objetivo desarticular uma organização criminosa especializada em lavagem de dinheiro e gestão fraudulenta de instituições financeiras. A investigação identificou um esquema sofisticado que utilizava fundos de investimento para ocultar patrimônio de origem ilícita, com indícios de ligação com facções criminosas.

A estrutura criminosa operava por meio de múltiplas camadas societárias e financeiras, nas quais fundos de investimento detinham participação em outros fundos ou empresas. Essa teia complexa dificultava a identificação dos verdadeiros beneficiários e tinha como principal finalidade a blindagem patrimonial e a ocultação da origem dos recursos.

Entre as estratégias utilizadas estavam transações simuladas de compra e venda de ativos — como imóveis e títulos — entre empresas do mesmo grupo, sem propósito econômico real.

Estão sendo cumpridos 12 mandados de busca e apreensão nas cidades de São Paulo, Campinas e Ribeirão Preto. A Justiça Federal autorizou o sequestro integral de fundos de investimento utilizados para movimentação ilícita, além do bloqueio de bens e valores até o limite de cerca de R$ 1,2 bilhão, valor correspondente às autuações fiscais já realizadas. Também foi determinado o afastamento dos sigilos bancário e fiscal de pessoas físicas e jurídicas envolvidas.

Operação Tank

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População estimada do país chega a 213,4 milhões de habitantes em 2025

População do país cresceu 0,39% em relação ao ano passado, chegando a 213,4 milhões de habitantes – Foto: Claudio Vieira/PMSJC

O país chegou a 213,4 milhões de habitantes em 2025, segundo as Estimativas da População, divulgadas hoje (28), pelo IBGE. O resultado representa crescimento de 0,39% em relação ao ano passado. A pesquisa revela também o contingente populacional de todos os municípios do país, que agora somam 5.571 com a criação de Boa Esperança do Norte (MT), considerando também o Distrito Federal e o distrito de Fernando de Noronha. O novo município tem 5.877 habitantes.

Os dados da pesquisa são utilizados pelo Tribunal de Contas da União (TCU) no cálculo do Fundo de Participação de Estados e Municípios e são fundamentais para indicadores econômicos e sociodemográficos nos períodos entre o Censo Demográfico. A pesquisa também considera alterações de limites territoriais que ocorreram após o Censo 2022. Os dados têm como data de referência o dia 1º de julho de 2025.

De acordo com o gerente de Estudos e Análises da Dinâmica Demográfica do IBGE, Marcio Minamiguchi, a tendência de crescimento da população é cada vez menor. “Os resultados mostram uma desaceleração, o que já era indicado pelo Censo 2022 e pelas Projeções da População, ambas pesquisas realizadas pelo IBGE”, avalia.

As Estimativas da População mostram que as 27 capitais estaduais concentraram 49,3 milhões de habitantes em 2025, o equivalente a quase um quarto (23,1%) da população total do país. O crescimento populacional das capitais com mais de um milhão de habitantes ficou abaixo de 1%, com exceção de Manaus (AM), que cresceu 1,05%.

Salvador (BA), Belo Horizonte (MG), Belém (PA), Porto Alegre (RS) e Natal (RN) foram as cinco capitais com perda na população em relação a 2024, respectivamente, -0,18%, -0,02%, -0,09%, -0,04% e -0,14%.

“As capitais maiores, esses municípios mais centrais, em geral têm um entorno mais conurbado e perdem população para ele. O crescimento vai do centro para a periferia. Entre as capitais que perderam população, com exceção de Salvador, houve aumento de habitantes na respectiva região metropolitana”, esclarece Marcio.

Já Boa Vista (RR) é a capital com maior taxa de crescimento de 2024 para 2025, com ganho populacional de 3,26%. “A alta em Boa Vista é explicada pela migração internacional, em especial pela chegada de venezuelanos”, explica Márcio.

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Moraes determina monitoramento de Bolsonaro “sem exposição”; entenda

O ex-presidente Jair Bolsonaro • 09/06/2025 – Ton Molina

Decisão inlcui exposição “midiática” e segue pedido da PF que cita possibilidade de fuga do ex-presidente para a Embaixada dos Estados Unidos

Em decisão emitida nesta terça-feira (16), Alexandre de Moraes, ministro do STF (Supremo Tribunal Federal), determinou que a residência do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) conte com policiamento reforçado. A medida, contudo, afirma que a polícia deverá evitar “exposição indevida”.

“O monitoramento realizado pelas equipes da Polícia Penal do Distrito Federal deverá evitar a exposição indevida, abstendo-se de toda e qualquer indiscrição, inclusive midiática, sem adoção de medidas intrusivas da esfera domiciliar do réu ou perturbadoras da vizinhança; ficando ao seu critério a utilização ou não de uniforme e respectivos armamentos necessários à execução da ordem”, escreveu o ministro do Supremo.

Moraes impôs que a Polícia Penal do Distrito Federal monitore integralmente o ex-presidente, que cumpre prisão domiciliar em sua residência, em Brasília. Moraes também pede a “manutenção e constante checagem do sistema de monitoramento eletrônico”.

Bolsonaro está em prisão domiciliar desde 4 de agosto e está sob uso de tornozeleira eletrônica. O ex-presidente está proibido de usar telefone celular e de receber visitas sem autorização judicial, com exceção dos advogados e familiares.

A decisão segue na esteira de um pedido da PF (Polícia Federal) e do líder do PT na Câmara, o deputado Lindbergh Farias (RJ). Ambos consideraram uma possibilidade de fuga e refúgio na Embaixada dos Estados Unidos. Bolsonaro é réu no processo criminal que investiga uma tentativa de golpe de Estado no país em 2022, após as eleições.

A Embaixada, que fica a cerca de 10 minutos da casa do ex-presidente, é considerada uma extensão do território americano. Por isso, decisões judiciais brasileiras ou eventuais mandados de prisão contra Bolsonaro não poderiam ser cumpridos no local sem autorização do governo dos EUA.

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Preso por ameaçar Felca explorava crianças e adolescente em desafios na internet, diz polícia

Cayo Lucas Rodrigues dos Santos (Reprodução)

Cayo Lucas Rodrigues dos Santos, de 22 anos, suspeito de ameaçar o youtuber Felipe Bressanim Pereira (Felca), é apontado pela Polícia Civil de São Paulo (PCSP) como participante de uma quadrilha que explora crianças e adolescentes na internet através de desafios. Seria a partir desses desafios, que o rapaz lucraria com a venda de pornografia infantil, conforme a investigação.

Ele foi preso na manhã desta segunda-feira (25), em uma ação conjunta com as polícias de ambos os estados, no bairro Jardim Brasil, em Olinda, no Grande Recife.

“A investigação ainda está em curso, mas existe essa possibilidade de que ele, de fato, participe dessa estrutura que tem apelo via Discord de exploração sexual de crianças e adolescentes através daqueles famigerados desafios”, explicou o delegado Guilherme Caselli, da Polícia Civil paulista.

Nesses desafios, o grupo criminoso exploraria sexualmente crianças e adolescentes. “No momento, colhemos informações, apreendemos celulares e computadores, que serão submetidos para a perícia e, certamente, teremos desdobramentos”, disse o delegado.

Segundo a Polícia Civil de Pernambuco, Cayo Lucas já era investigado pela corporação por crimes cibernéticos, mas não detalhou quais.

Além de Cayo, Paulo Vinicius Oliveira Barbosa, de 21 anos, foi detido em flagrante. Segundo a corporação, ele acessava em um computador sistemas internos da Secretaria de Defesa Social de Pernambuco (SDS-PE). Ele venderia acessos à informações privadas de outras pessoas por R$ 40.

O Diario de Pernambuco teve acesso à decisão da juíza Carolina Pereira de Castro, do Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP). Cayo Lucas também é investigado por supostamente liderar uma organização criminosa digital envolvida em ameaças, extorsões, estelionatos e invasões de dispositivos para falsificação de documentos públicos.

A investigação começou após uma psicóloga, que participou de um vídeo do youtuber Felca, passar a receber ameaças de morte por e-mail e WhatsApp. Pelo menos uma das mensagens teria sido enviada por Cayo Lucas, que usava os codinomes “LUCIFAGE ou “f4LLEN”. A constatação é do Núcleo de Observação de Análise Digital (NOAD), da Secretaria de Segurança Pública (SPP) paulista, responsável pelo inquérito.

Cayo foi descrito pela Polícia Civil de Pernambuco e de São Paulo como um oportunista. “São pessoas que, de fato, têm um conhecimento elevado de informática, mas a gente não pode dizer que são hackers. São oportunistas, porque eles não fazem programação. Eles compram essa espécie de vulnerabilidade (no sistema) através de bancos de dados com login e senha”, afirma o delegado.

Diario de Pernambuco

Defesa de Bolsonaro entregou resposta a Moraes e nega “plano de fuga”

Moraes tinha dado 48h para que defesa de Bolsonaro explicasse suposto “plano de fuga”. Advogados negaram que ex-presidente pediu asilo

A defesa do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) apresentou ao Supremo Tribunal Federal, nesta sexta-feira (22/8), explicações sobre o rascunho de um pedido de asilo político à Argentina encontrado pela Polícia Federal no celular do ex-mandatário. O prazo para esclarecimento dado pelo ministro Alexandre de Moraes se encerraria às 20h34.

O indício de fuga consta em um arquivo de texto encontrado no aparelho de Bolsonaro. Na carta, o ex-presidente alega ser perseguido no Brasil “por motivos e por delitos essencialmente políticos” e cita medidas cautelares impostas pelo STF.

“De início, devo dizer que sou, em meu país de origem, perseguido por motivos e por delitos essencialmente políticos. No âmbito de tal perseguição, recentemente, fui alvo de diversas medidas cautelares. Para decretação de tais medidas foram mencionados os delitos dos Arts. 359-I e 359-M do Código Penal brasileiro”, escreveu Bolsonaro no rascunho.

Após a PF apresentar o material, Moraes determinou que a defesa de Bolsonaro se manifestasse no prazo de 48 horas nos autos da ação penal.

Na manifestação, a defesa afirma: “Parece claro que um rascunho de pedido de asilo ao presidente argentino, datado de fevereiro de 2024, não pode ser considerado um indício de fuga. Seria necessário avisar à Polícia Federal, especialmente ao setor de inteligência, que o processo criminal que originou as cautelares foi proposto um ano depois e, desde então, o ex-presidente compareceu a todos os seus atos, inclusive estando em sua residência quando determinado o uso de tornozeleira por Vossa Excelência (Moraes)”.

Conversa com Braga Netto

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Atingido por Lei Magnitsky, Alexandre de Moraes pode ficar com apenas uma alternativa de cartão de crédito

Caso seja atingido por mais sanções da Lei Magnitsky, o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, que já teve um cartão de crédito de bandeira americana bloqueado, pode ficar com apenas uma alternativa de cartão: a bandeira Elo.

Única bandeira brasileira de cartões, a Elo é fruto de uma parceria entre Banco do Brasil, Bradesco e Caixa que nasceu em 2011. Um cartão da marca chegou a ser oferecido a Moraes pelo banco que bloqueou suas bandeiras americanas.

Segundo dados de 2024, são 41 milhões de cartões Elo ativos aceitos em 11 milhões de estabelecimentos e emitidos por 37 instituições, como Alelo, BV, Palmeiras Pay, Pernambucanas, Banco Pan, Ifood, além dos controladores.

Com um cartão da Elo de uso nacional, o ministro estaria imune às sanções da lei americana, que impede que empresas americanas atendam os punidos pela Magnitsky.

“Se a operação é toda nacional, sem nenhum elemento de conexão internacional, inclusive com a jurisdição dos EUA, em teoria, não deveria haver restrição, sujeitando-se às regras locais”, diz Fabio Braga, sócio da área de direito bancário e financeiro do Demarest.

No entanto, se o cartão em questão for emitido por uma instituição com atuação nos Estados Unidos, pode haver punição ao banco emissor.

“Estamos navegando por um mar desconhecido. Não sabemos até onde as sanções podem ir e a situação pode escalar. Mas, como a Elo é brasileira, está menos exposta, o que não significa isenta”, afirma Ricardo Botelho, sócio do escritório Marchini, Botelho, Caselta e Della Valle Advogados.

A Elo não era a única bandeira brasileira até pouco tempo atrás. O país também contava com a Hipercard, voltada a redes de supermercados. Depois de passar por Walmart Brasil, Carrefour Brasil e Itaú Unibanco, a marca foi adquirida em 2020 pela americana Mastercard, que retirou todos os cartões do mercado em julho de 2025.

Folha de S.Paulo

Dono da Ultrafarma não paga fiança de R$ 25 milhões após ser solto e MP faz novo pedido de prisão

Empresário Sidney Oliveira foi alvo da Operação Ícaro — Foto: Reprodução
Empresário Sidney Oliveira foi alvo da Operação Ícaro — Foto: Reprodução

O empresário Sidney Oliveira, dono e fundador da Ultrafarma, não pagou a fiança de R$ 25 milhões após ter sido solto e, com isso, o Ministério Público fez, nesta quinta-feira (21), novo pedido de prisão contra ele.

Na sexta-feira passada (15), a Justiça determinou a soltura dele e de Mario Otávio Gomes, diretor estatutário do grupo Fast Shop, sob condição de usarem tornozeleira eletrônica e pagarem fiança de R$ 25 milhões.

Como Oliveira não cumpriu com o pagamento, o MP pediu a prisão. O advogado Walfrido Warde, que defende Sidney Oliveira, afirmou que seu cliente tem prazo até esta sexta-feira (22) para pagar a fiança.

Já o diretor da Fast Shop conseguiu um habeas corpus na 11ª Câmara de Direito Criminal do TJ SP para suspender a obrigatoriedade do pagamento da fiança, também de R$ 25 milhões.

O auditor fiscal Artur Gomes da Silva Neto teve a prisão temporária prorrogada. O Tribunal de Justiça não informou o período. Enquanto o fiscal Marcelo de Almeida Gouveia teve a prisão preventiva mantida.

Os três são alvo de uma operação do Ministério Público de São Paulo (MP-SP) que investiga um esquema de corrupção envolvendo auditores fiscais tributários da Secretaria de Estado da Fazenda e foram presos temporariamente na última terça-feira (12).

O juiz Paulo Fernando Deroma de Mello incluiu, entre as medidas cautelares, os seguintes pontos:

  • Comparecer mensalmente em juízo;
  • Proibição de frequentar prédios relacionados com a Secretaria da Fazenda do Estado de São Paulo, salvo se devidamente convocados;
  • Proibição de manter contato com demais investigados e testemunhas;
  • Proibição de se ausentar da comarca, sem prévia comunicação ao Juízo;
  • Recolhimento domiciliar noturno e nos dias de folga, após às 20h;
  • Entrega de passaporte no primeiro dia útil após a soltura.

G1

Moraes dá 48h para Bolsonaro explicar documento com pedido de asilo a Milei

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O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), deu prazo de 48 horas para a defesa de Jair Bolsonaro prestar esclarecimentos sobre o documento de pedido de asilo político encontrado pela Polícia Federal (PF) no celular do ex-presidente.

Na decisão, Moraes diz que o relatório da PF no qual Bolsonaro e seu filho, o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP), foram indiciados na investigação sobre as tarifas dos Estados Unidos contra o Brasil demonstrou diversas tentativas de burlar as medidas cautelares que impediam o contato com investigados na trama golpista e de acesso às redes sociais, incluindo os perfis de terceiros.

De acordo com o relatório, Bolsonaro cogitou a possibilidade de pedir asilo político ao presidente da Argentina, Javier Milei. O documento tem 33 páginas – sem assinatura e sem data – estava salvo no aparelho desde 2024.

Além disso, o ministro citou o contato feito pelo general Braga Netto após ser proibido de falar com Bolsonaro e trocas de mensagens entre o ex-presidente e seus aliados para passar orientações para publicação de postagens nas redes sociais.

“Diante do exposto. Intime-se a defesa de Jair Bolsonaro para que, no prazo de 48 horas, preste esclarecimentos sobre os reiterados descumprimentos das medidas cautelares impostas, a reiteração das condutas ilícitas e a existência de comprovado risco de fuga”, decidiu o ministro.

Após receber o relatório de indiciamento. Moraes enviou o caso para a Procuradoria-Geral da República (PGR).

Caberá ao órgão decidir se Bolsonaro e Eduardo serão denunciados ao STF.

Agência Brasil

Do cartão ao WhatsApp e Netflix, entenda as sanções e lacunas da Lei Magnitsky aplicadas a Moraes

Ministro Alexandre de Moraes
Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil

Especialistas afirmam que a medida terá efeito limitado, mas pode gerar futuros ruídos entre instituições financeiras brasileiras e o governo americano

A decisão do ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), de limitar a aplicação no Brasil de normas estrangeiras, caso da Lei Magnitsky, terá efeito limitado no caso do também ministro Alexandre de Moraes, alvo de sanções dos Estados Unidos, mas pode gerar futuros ruídos entre instituições financeiras brasileiras e o governo americano.

A avaliação é de especialistas em sanções e em Direito Internacional consultados pelo Globo. Na prática, as medidas punitivas não inviabilizam que Moraes mantenha acesso à conta bancária e a outros serviços fornecidos por instituições financeiras brasileiras, embora dificultem essas atividades. Segundo os especialistas, a capacidade de os EUA obrigarem essas instituições a seguirem as normas depende de elas terem representação em solo americano.

Por outro lado, caso sejam notificados pelo governo americano, bancos brasileiros que tenham operação nos EUA precisarão decidir se descumprem a ordem de Dino ou se correm o risco de entrar na lista da Magnitsky, que também pune pessoas físicas e jurídicas que forneçam “fundos, bens e serviços” a outros sancionados.

O que diz a Lei Magnitsky?
A Magnitsky foi criada para atingir pessoas físicas e jurídicas acusadas de infringir direitos humanos ou de atos graves de corrupção. A escolha dos alvos cabe ao presidente dos EUA e órgãos como o Departamento do Tesouro, e o Departamento de Estado. O formato atual da lei foi estabelecido em 2016, na presidência de Barack Obama, e é uma das várias ferramentas de sanções a estrangeiros em vigor nos EUA.

O que acontece quando alguém é sancionado?
A principal sanção é o bloqueio de bens que estejam nos Estados Unidos, o que inclui contas bancárias, investimentos financeiros e imóveis. Em decreto presidencial de 2017, que regulamentou a Magnitsky, o presidente americano Donald Trump também explicitou que qualquer pessoa ou empresa sob a jurisdição dos EUA não pode fornecer serviços ou recursos aos sancionados, o que impede, por exemplo, usar o sistema bancário americano ou fazer transações em dólar.

A lei veta ainda a entrada de pessoas sancionadas nos EUA, e abre a possibilidade de sanções secundárias a quem mantiver relação com sancionados. Em publicação nas redes sociais na segunda-feira, o Escritório de Assuntos do Hemisfério Ocidental, órgão vinculado ao Departamento de Estado dos EUA, disse que Moraes é “tóxico” a quaisquer pessoas que “busquem acesso ao mercado americano”.

Que tipo de movimentação Moraes está proibido de fazer?
Segundo especialistas, o ministro do STF não pode, em tese, utilizar cartões de crédito de bandeiras como Visa e Mastercard, empresas com sede nos EUA. No entanto, em caso de cartões contratados no Brasil, caberá ao respectivo banco suspender ou não o serviço a Moraes. A sanção também pode impedir o ministro do STF de receber seu salário pelo Banco do Brasil, responsável pela folha de pagamentos da Corte, e que também atua em território americano.

Em nota, o Banco do Brasil disse que acompanha “com atenção” os desdobramentos das sanções a Moraes e que “atua em plena conformidade à legislação brasileira, às normas dos mais de 20 países onde está presente e aos padrões internacionais que regem o sistema financeiro”.

O ex-secretário de Comércio Exterior Welber Barral, hoje consultor de comércio internacional e sócio da Barral Parente Pinheiro Advogados, explica que cabe ao Escritório de Controle de Ativos Estrangeiros (OFAC, em inglês), órgão do Tesouro americano, averiguar denúncias contra bancos que supostamente descumprirem as sanções.

Mas a questão é se o banco tem operação nos EUA. O Banco do Brasil possivelmente não vai tomar esse risco. No caso da bandeira de cartão, se for chamada a prestar explicações à OFAC, ela vai alegar que os bancos brasileiros é que precisam explicar se prestam esse serviço ao ministro.

Moraes pode ter conta corrente e fazer Pix?
A avaliação de especialistas é de que bancos de menor porte, que não tenham representação nos EUA, podem abrir conta corrente a Moraes e permitir transações por Pix sem o risco de serem atingidos pela Magnitsky. Transações em dólar envolvendo o ministro, no entanto, ficam vetadas. No comércio internacional, um cenário similar ocorre quando há negociações de mercadorias que tenham passado por países alvos de sanções americanas, como Irã e Venezuela. Bancos com atuação nos EUA costumam evitar essas transações; quando ocorrem, elas tendem a ser feitas em moedas de outros países.

O ministro pode usar WhatsApp ou Netflix?
Como o texto da Magnitsky impõe restrições a empresas americanas, especialistas avaliam que Moraes ficaria impedido, por exemplo, de fazer cadastros em redes sociais como Facebook e Instagram e em aplicativos de mensagens como o WhatsApp todos fazem parte da Meta, big tech sediada nos EUA. Essas empresas são obrigadas a monitorar e relatar movimentações financeiras, digitais ou contratuais, sob pena de sanções, embora ainda não esteja claro se o ministro teve seu acesso bloqueado.

É uma lei que tem aplicação no território dos EUA, mas também mantém esse componente extraterritorias, impedindo seus alvos de ter, uma conta em um streaming como o Netflix explica o advogado Ricardo Inglez de Sousa, especialista em Direito Comercial Internacional.

Por Agência O Globo

Defesa abandona caso de empresário preso por morte de gari

Empresário René da Silva Nogueira Junior, suspeito de matar a tiros o gari Laudemir de Souza Fernandes/Foto: Reprodução/Redes sociais
Empresário René da Silva Nogueira Junior, suspeito de matar a tiros o gari Laudemir de Souza Fernandes (Foto: Reprodução/Redes sociais)

Advogados deixaram defesa do empresário Renê da Silva, preso preventivamente e investigado pela morte de um gari em Belo Horizonte

Os advogados Leonardo Guimarães Salles, Leandro Guimarães Salles e Henrique Vieira Pereira deixaram nesta segunda-feira, 18, a defesa do empresário Renê da Silva Nogueira Junior, de 47 anos, preso preventivamente desde a semana passada, dia 11, e investigado pela morte a tiros do gari Laudemir de Souza Fernandes, em Belo Horizonte.

Segundo a polícia, Nogueira Junior atirou contra Fernandes após se irritar com a presença de um caminhão de lixo que estava parado, impedindo o fluxo de carros na rua enquanto aguardava os garis coletarem o lixo. O empresário queria passar com seu carro e inicialmente ameaçou atirar na motorista do caminhão. Acabou disparando contra Laudemir, que fazia a coleta. Renê da Silva Nogueira Junior nega ser o autor do disparo que matou o gari.

Consultado pelo Estadão, Leonardo Salles confirmou que ele e seus sócios, que atuam no escritório Ariosvaldo Campos Pires Advogados, deixaram o caso. Em nota, Salles afirmou que, “após conversa reservada” com o cliente, decidiu, “por motivo de foro íntimo, renunciar à sua representação nos autos da investigação que apura a morte do sr. Laudemir”.

A reportagem tenta identificar a nova defesa do empresário, para que se pronuncie sobre a situação.

O caso

Ao ver a rua por onde transitava com fluxo interrompido momentaneamente pelo caminhão de lixo, Nogueira Junior ameaçou “atirar na cara” da motorista do veículo, segundo testemunhas relataram à Polícia Civil. Quando Laudemir e outros garis saíram em defesa da colega de trabalho, o motorista sacou a arma e atirou contra a vítima, atingida na região torácica. Laudemir foi encaminhado ao Hospital Santa Rita, em Contagem, mas morreu.

O empresário fugiu do local do crime e foi preso enquanto treinava em uma academia de alto padrão no Estoril, bairro nobre de Belo Horizonte. Segundo a polícia, a arma usada no crime é uma pistola calibre .380 que pertence à delegada Ana Paula Balbino Nogueira, mulher de Renê. Exames periciais confirmaram que essa foi a arma usada para matar o gari.

A polícia indiciou Nogueira Junior por homicídio duplamente qualificado, porte ilegal de arma e ameaça.

Estadão Conteúdo