
Pix cresce 184% ao ano enquanto o dinheiro em espécie desacelera
O dinheiro em espécie, que por anos manteve a liderança nas transações financeiras, enfrenta um de seus momentos mais turbulentos com a chegada de novas tecnologias como o Pix. Isso porque, a expansão dos pagamentos digitais impulsiona a queda no uso das cédulas, transformando a relação dos brasileiros com o próprio dinheiro. Nesse contexto de transformação, a pergunta que fica é: será que as cédulas estão se tornando peças de museu?
Para o economista e consultor financeiro Tiago Monteiro, o Brasil se encontra em um processo claro de transição financeira. “Estamos vivendo a pedra lascada dos criptoativos e criptomoedas, e sabe-se lá o que ainda vamos ver nos próximos 20 ou 30 anos. Hoje, muitas moedas do passado são itens de decoração, como o ‘réis’, ‘cruzeiro’, ‘cruzado’. Com o Real, isso pode acontecer”, afirmou.
De acordo com os dados do Banco Central, o papel-moeda representa apenas 2% de todas as transações feitas em 2025. Já o Pix, carrega o sistema financeiro inteiro com 51,1% de todas as transferências registradas. O movimento ainda é acompanhado por uma taxa anual de queda média de 9,8% no uso das cédulas, enquanto o Pix apresenta uma taxa de crescimento médio de 184,5% todos os anos, reforçando o novo comportamento do consumidor.
“A velocidade do PIX trouxe mais dinamismo para quem vende e para quem consome com um custo relativamente baixo. Esse mecanismo quebrou a logística do dinheiro físico. Com a facilidade e até com a segurança do PIX, ele foi amplamente difundido e abraçado por todas as camadas. Ou seja, enquanto um era mais burocrático, perigoso e exposto, o outro mostrou-se bem mais interessante”, disse Tiago Monteiro.
Caso o ritmo de encolhimento se mantenha, a estimativa é que as operações com dinheiro vivo tornem-se cada vez mais estatisticamente irrelevantes, com menos de 1% das movimentações financeiras, por volta de 2030. Entretanto, os economistas ressaltam que a transição para um sistema 100% digital é mais complexa e lenta do que os números aparentam.












