Vítima denuncia que foi agredida por homem que questionou seu gênero.
A vítima, de 34 anos, disse que estava saindo do banheiro feminino do restaurante quando um homem perguntou se ela era homem ou mulher. Segundo a denúncia, ao questionar o motivo da indagação, a mulher levou um soco no rosto. (Foto: Reprodução/redes sociais)
A comissão de Direitos Humanos da Assembleia Legislativa de Pernambuco (Alepe) pediu à Polícia Civil de Pernambuco e ao Ministério Público de Pernambuco (MPPE) que a agressão ocorrida em um restaurante no Recife, no dia 23 de dezembro, seja investigada como transfobia.
A vítima, de 34 anos, disse que estava saindo do banheiro feminino do restaurante Guaiamum Gigante, no Parnamirim, Zona Norte da cidade, quando um homem perguntou se ela era homem ou mulher. Segundo a denúncia, ao questionar o motivo da indagação, a mulher levou um soco no rosto.
“Apesar de eu ser uma mulher cis. Na cabeça dele, eu não era. Na cabeça dele, eu era a pessoa trans, aquela mulher trans que merece apanhar, que merece morrer, que merece ser agredida num espaço público onde está confraternizando com os amigos”, disse a mulher à TV Globo.
A polícia registrou o caso como lesão corporal.
“Nossa atuação é para que o crime seja tipificado com o que de fato aconteceu. Para além da lesão corporal, houve um crime de LGBTfobia, da modalidade transfobia, que é inafiançável e imprescritível’’, afirmou a deputada Dani Portela (Psol), presidente da comissão.
“Estaremos acompanhando todas as fases da investigação do inquérito e futuro processo judicial. Entendendo que nós precisamos enfrentar esse problema. Transfobia é crime e não vamos admitir violência contra nenhuma mulher”, acrescentou.
Em nota, a Polícia Civil de Pernambuco (PCPE) informou que o caso segue em investigação pela Delegacia de Casa Amarela “com a realização de todas as diligências necessárias para o esclarecimento do fato, incluindo ouvidas de pessoas envolvidas no fato e testemunhas.” A corporação disse ainda que mais detalhes não serão repassados para não comprometer o trabalho em curso.
Nota da defesa
Em nota à imprensa, a defesa do suspeito, Antônio Fellipe, diz que ele “está à disposição da polícia, e irá cooperar espontaneamente com as investigações”.
Leia a íntegra:
Os advogados Madson Aquino e Marília Franco, que patrocinam a defesa do Sr. Antônio Fellipe, envolvido no incidente ocorrido no restaurante Guaiamum Gigante no dia 23/12/2023, esclarecem que seu cliente está à disposição da polícia, e irá cooperar espontaneamente com as investigações. Em momento algum, furtou-se ou fugiu, como estão veiculando alguns canais de comunicação. A intimação da polícia foi recebida no dia 26/12/2023, para comparecimento no dia 27/12/2023, e por tal motivo não foi possível seu comparecimento no dia de hoje. Esclarece ainda, que o Sr. Antônio Fellipe não responde a nenhum processo envolvendo violência sob o contexto doméstico e familiar, bem como não detém qualquer histórico de agressões ou discriminação com qualquer pessoa LGBTQIAPN+. Todavia, em relação ao ocorrido no último sábado, a defesa se resguardará a prestar esclarecimentos específicos, oportunamente após ter acesso aos autos da investigação. Podendo apenas antecipar que todos os fatos serão esclarecidos perante a Autoridade Policial.
O que diz o restaurante
Por meio das redes sociais, o Guaiamum Gigante disse que “adotou imediatamente as providências cabíveis para resolver a situação, inclusive acionando a força policial e dando todo suporte à vítima.”
Leia a íntegra:
O Guaiamum Gigante, em face dos lastimáveis fatos ocorridos na noite de ontem na nossa Casa, vem a publico esclarecer que:
1. Não procede a alegação de que teria havido proteção a um suposto agressor por parte da segurança do GG;
2. %u2060Muito ao contrario, cuidou de promover a imediata retirada do agressor do ambiente, de modo a resguardar a integridade física e psicológica da pessoa agredida e demais clientes;
3. %u2060O Guaiamum Gigante adotou imediatamente as providencias cabíveis para resolver a situação, inclusive acionando a força policial e dando todo suporte à vítima;
4. %u2060Esta Casa não tolera qualquer ato de violência ou discriminação contra seus clientes e se solidariza com a parte agredida.
Vítima denunciou agressão na porta de banheiro de restaurante após ser questionada sobre seu ‘sexo’ – REPRODUÇÃO/REDES SOCIAIS
Vítima confirma que agressão foi motivada por transfobia. O agressor achou que ela era uma mulher trans e, por isso, desferiu um soco no rosto da vítima.
“Ele tinha ódio nos olhose se achou no direito de me agredir por achar que eu era uma mulher trans. Por pura e simples transfobia”. A frase resume o sentimento da servidora pública federal de 34 anos, agredida com um murro ao sair do banheiro no restaurante Guaiamum Gigante, no bairro do Parnamirim, na Zona Norte do Recife, na noite do sábado (23/12).
Em entrevista à TV Jornal nesta segunda-feira (25/12), a vítima ainda afirmou que teve muito medo de a agressão continuar e denunciou que o agressor saiu do restaurante após a violência com a conivência da gerência da casa.
A agressão aconteceu, na versão da vítima e confirmada por amigos que testemunharam o caso, após o agressor questionar se ela era homem ou mulher, na saída do banheiro feminino. O grupo fazia uma confraternização no restaurante.
“Ele me confundiu com uma mulher trans e ficou irritado ao me ver saindo do banheiro das mulheres. Teve uma atitude transfóbica. Quando eu saí do banheiro e estava caminhando em direção à mesa dos meus amigos, ele me abordou e perguntou se eu era homem ou mulher”, relembra.
AGRESSÃO PROVOCADA POR TRANSFOBIA
“Eu questionei a razão da pergunta e ele disse que eu estava no banheiro errado. Em seguida, já recebi um soco no rosto, que me deixou desorientada e quebrou meu óculos”, contou a servidora.
A vítima disse que só pensou em sair correndo do local, de volta à mesa dos amigos, para se proteger. “A impressão que tive era de que se continuasse ali iria apanhar ainda mais. Aquele homem estava com ódio nos olhos. Corri na direção dos meus amigos com o rosto ensanguentado e os óculos quebrados em minhas mãos”, afirma.
E resume a razão do que acha ter provocado a agressão: “Ele se achou no direito de me bater por pura e simples transfobia. Na cabeça dele eu não era uma mulher”, diz.
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