As crianças são as principais vítimas de acidentes com fogos e fogueiras nas festas juninas deste ano.
Um balanço preliminar feito pelo chefe da Unidade de Queimados do Hospital da Restauração (HR), no Recife, aponta que, entre a madrugada de segunda (23) e a manhã desta terça (24), véspera e dia de São João, cinco menores de idade deram entrada com lesões.
O médico Marcos Barretto informou, por meio de um vídeo disponibilizado pelo HR, que as crianças tiveram os casos mais graves registrados até agora,
“Crianças são as maiores vítimas este ano. Peço que as pessoas tenham mais atenção e cuidado com menores usando fogos e brincando em fogueiras”, afirmou.
Além disso, Barreto disse que criança não deve usar fogos. Os pais devem saber que, ao dar artefatos aos filhos, podem lesionar eles para o resto da vida.
“Vimos ferimentos graves e com exposição óssea. Os adultos devem se conscientizar com acendimento de fogueira, evitar combustíveis e tomar conta de panelas com milho e canjica”, acrescentou.
Dados
Desde o dia 10 de junho, o HR recebeu 28 pacientes na Unidade de Queimados, com lesões relacionadas a fogos e fogueiras.
A unidade tem 30 leitos especializados para esse tipo de doente.
Desse total, foram 16 crianças e jovens na ala para menores. Nove internados e sete estão em ambulatório.
No mesmo período, foram atendidos 12 adultos, sendo quatro internados e oito levados para o serviço ambulatorial.
Medicamento para diabetes. — Foto: Amber N. Ford/The New York Times
A maioria de um pequeno grupo de pacientes que recebeu uma infusão baseada em células-tronco não precisou mais de insulina, mas o medicamento pode não ser adequado para aqueles com diabetes tipo 1 mais controlável
Uma única infusão de um tratamento baseado em células-tronco pode ter curado 10 de 12 pessoas com a forma mais grave de diabetes tipo 1. Um ano depois, esses 10 pacientes não precisam mais de insulina. Os outros dois necessitam de doses muito menores.
O tratamento experimental, chamado zimislecel e desenvolvido pela Vertex Pharmaceuticals, de Boston, envolve células-tronco que os cientistas induziram a se transformar em células de ilhotas pancreáticas, as responsáveis por produzir insulina e regular os níveis de glicose no sangue. As novas células foram infundidas e chegaram ao pâncreas, onde se estabeleceram.
O estudo foi apresentado na noite de sexta-feira no congresso anual da Associação Americana de Diabetes e publicado na revista científica The New England Journal of Medicine.
— É um trabalho pioneiro — diz Mark Anderson, professor e diretor do centro de diabetes da Universidade da Califórnia, em São Francisco, nos Estados Unidos. — Ficar livre da insulina muda a vida — acrescentou Anderson, que não participou do estudo.
Assim como outras empresas farmacêuticas, a Vertex se recusou a divulgar o custo do tratamento antes da aprovação pela Food and Drug Administration (FDA), agência reguladora americana.
Um porta-voz da Vertex afirmou que a empresa só tem dados da população estudada, portanto ainda não é possível afirmar se o medicamento ajudaria outras pessoas com diabetes tipo 1.
O diabetes tipo 1 responde por cerca de 10% do casos e é causado quando o sistema imunológico destrói as células das ilhotas pancreáticas. Um subconjunto dessas células, as células beta, produz insulina. Sem insulina, a glicose não consegue entrar nas células. Pacientes com tipo 1 precisam injetar doses cuidadosamente calibradas do hormônio para substituir a insulina que seus corpos não produzem.
É essencial disseminar informações de qualidade sobre os impactos da gripe na saúde e a importância da vacinação, especialmente entre os grupos mais vulneráveis, como os idosos – FREEPIK/BANCO DE IMAGENS
Influenza já supera o coronavírus como principal causa de síndrome respiratória aguda grave em pessoas acima de 60 anos no Brasil, segundo a Fiocruz.
Com o avanço dos casos graves de gripe entre pessoas com mais de 60 anos, profissionais de saúde alertam para a importância da prevenção e do acompanhamento adequado na recuperação de idosos.
De acordo com boletim da Fiocruz, divulgado em maio, o vírus influenza ultrapassou o coronavírus como principal causa de morte por Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) nessa faixa etária.
Vacinação ainda abaixo da meta
Apesar de gratuita no SUS, a vacinação contra a gripe segue com cobertura vacinal abaixo da meta de 90% recomendada pelo Ministério da Saúde. Estados do Sul e Sudeste, onde os casos de SRAG aumentaram, são os mais afetados.
A médica infectologista Silvia Fonseca, do Instituto de Educação Médica (IDOMED), ressalta que a percepção equivocada de que a gripe é uma doença leve compromete as campanhas.
Segundo ela, o vírus pode evoluir rapidamente para quadros graves, principalmente entre idosos e pessoas com comorbidades, e a vacinação anual continua sendo a melhor forma de proteção. A especialista lembra ainda que a composição da vacina muda todos os anos e que, por isso, a reaplicação é fundamental.
Sintomas e medidas preventivas
Em idosos, os sintomas da gripe podem ser mais sutis — como febre baixa ou mal-estar sem sinais clássicos — mas ainda assim evoluírem para complicações sérias, como pneumonia.
A professora de enfermagem Tauana Mattar, da Wyden, orienta cuidados básicos, como manter as mãos limpas, evitar aglomerações e ambientes fechados, e adotar uma rotina saudável, com boa alimentação e hidratação.
Confira algumas orientações da especialista:
Lave as mãos com frequência ou use álcool em gel;
Evite tocar os olhos, nariz e boca;
Não compartilhe objetos de uso pessoal;
Mantenha ambientes ventilados;
Evite contato com pessoas gripadas;
Prefira roupas de algodão e evite mudanças bruscas de temperatura.
Fisioterapia respiratória pode acelerar a recuperação
A professora do curso de Fisioterapia da Wyden Alice Lisboa, destaca o papel da fisioterapia respiratória na recuperação de pacientes idosos com gripe.
O tratamento ajuda a reduzir o acúmulo de secreções, reexpandir os pulmões e prevenir complicações como pneumonia e insuficiência respiratória. “Idosos têm menor elasticidade pulmonar, menor massa muscular e respostas imunológicas mais lentas, o que dificulta a recuperação”, explica.
Alice recomenda atenção especial aos sinais de alerta: acúmulo de secreções, febre persistente, dificuldade para respirar ou histórico de doenças respiratórias são motivos para procurar atendimento com um fisioterapeuta.
Entre os cuidados recomendados estão:
Hidratação adequada para fluidificar secreções;
Prática de exercícios respiratórios orientados;
Evitar aglomerações e manter a vacinação em dia;
Apoio de familiares ou cuidadores para manter a rotina saudável.
Segundo a professora, a gripe pode causar fadiga extrema e impactar a capacidade do idoso de realizar tarefas básicas, exigindo acompanhamento mais próximo.
O Ministério da Saúde publicou, na última quinta-feira (12), o edital de adesão de estados, municípios e do Distrito Federal ao programa Agora Tem Especialistas, iniciativa voltada à redução das filas por consultas, exames, cirurgias e tratamentos no Sistema Único de Saúde (SUS).
A ação marca a etapa preparatória para a abertura de 500 bolsas de educação pelo trabalho, destinadas a médicos já especialistas.
Gestores estaduais e municipais de saúde têm até o dia 30 de junho para indicar ao ministério os serviços de saúde interessados. Será necessário detalhar a estrutura disponível — como salas, equipamentos, insumos e medicamentos — e informar a quantidade de vagas para atuação dos médicos. O edital pode ser acessado aqui.
O objetivo do edital atual é identificar a demanda de atendimento nas áreas prioritárias para o SUS e mapear os estabelecimentos de saúde aptos a receber os profissionais.
Com o mapeamento concluído, o Ministério da Saúde publicará um novo edital para selecionar os 500 especialistas, que atuarão com prática assistencial em hospitais regionais, policlínicas e ambulatórios. Os profissionais devem ter certificação da CNRM ou titulação pela AMB.
A previsão do governo é que o chamamento dos especialistas selecioandos seja publicado na primeira quinzena de julho, com início das atividades para setembro deste ano.
Agora tem Especialistas: o que é?
É um programa que visa reduzir o tempo de espera em atendimentos realizados pelo SUS. A ação busca também ampliar mutirões, utilizar unidades móveis de saúde, adquirir transporte sanitário e fortalecer o sistema de telessaúde.
Entre as metas do programa, estão a realização de mais de 700 mil cirurgias anuais em carreatas especializadas, colocar em operação mais de 6 mil veículos de transporte sanitário, garantir a formação de 4 mil novos médicos especializados, além da ampliação ao acesso à radioterapia com 72,6 mil procedimentos anuais.
Segundo o Ministério da Saúde, serão destinados R$ 260 milhões para ampliar o provimento e a formação de profissionais especialistas em regiões com menor cobertura assistencial. É o que explica o ministro da Saúde, Alexandre Padilha. “O “Agora tem Especialistas” pretende usar todos os instrumentos que nós temos enquanto ministério da saúde, instrumentos legais com a medida provisória, os processos de pactuação, os recursos do ministério, os recursos que são e que não são do orçamento do ministério para estarmos direcionando para a esse esforço.”
O medicamento é originalmente destinado ao tratamento de diabetes tipo 2
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou nesta segunda-feira, 9, o uso da tirzepatida no tratamento da obesidade no Brasil. Sua prescrição com essa finalidade era considerada off label. Comercializado sob o nome Mounjaro, o medicamento estava, até então, autorizado oficialmente no País apenas para o tratamento do diabetes tipo 2 e começou a ser vendido em farmácias no dia 15 de maio.
Com a nova indicação, o Mounjaro poderá ser prescrito a adultos com índice de massa corporal (IMC) igual ou superior a 30, critério usado para definir quadros de obesidade, ou a pessoas com sobrepeso (IMC a partir de 27) que apresentem pelo menos uma comorbidade associada, como hipertensão, colesterol alto ou pré-diabetes.
A aprovação marca o início de uma nova abordagem no tratamento da obesidade no Brasil.
Ao Estadão, o diretor médico sênior da Eli Lilly no Brasil, Luiz André Magno, ressaltou que a aprovação para obesidade veio só agora porque os estudos foram submetidos em etapas: primeiro, o foco foi nos resultados voltados ao diabetes tipo 2 e, depois, as investigações de fase 3 miraram na obesidade. Com a análise concluída, a nova indicação foi autorizada pela Anvisa.
“Estávamos ansiosos para que a indicação oficial acontecesse, porque é um medicamento que vem para contribuir para a mudança da história do tratamento obesidade. Estamos falando de uma droga de maior potência em termos de perda de peso, com excelente segurança e que também contribui para melhora de outras comorbidades, como diabetes e apneia do sono”, declara o médico Fábio Trujilho, presidente da Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e Síndrome Metabólica (Abeso).
Ainda de acordo com o presidente da Abeso, o fato de constar na bula que o medicamento pode ser usado contra a obesidade, deixando de ser uma indicação off label, contribui para que hospitais e convênios possam reembolsar ao menos parcialmente os valores pagos no tratamento.
Como o Mounjaro funciona
De uso injetável e aplicação semanal, a tirzepatida é uma substância que imita a ação de dois hormônios intestinais: o GLP-1 e o GIP (peptídeo inibidor gástrico). É diferente dos medicamentos Ozempic e Wegovy, da Novo Nordisk, que são à base de semaglutida e agem somente no GLP-1.
Brasil registrou em 2024 um recorde histórico de transplantes realizados pelo Sistema Único de Saúde (SUS), com mais de 30 mil procedimentos — aumento de 18% em relação a 2022. Pernambuco teve participação nesse avanço, com 1.654 transplantes ao longo do ano. Entre os principais procedimentos realizados no estado estão os de tecidos e órgãos como córnea (837), rim (374), fígado (119) e medula óssea (286), conforme balanço divulgado pelo Ministério da Saúde em Brasília.
“Quero dividir a conquista desse recorde com os secretários municipais e estaduais, a comunidade de saúde, os técnicos, os enfermeiros, as equipes do SAMU e os profissionais que se dedicam a fortalecer o sistema de saúde em todo o país. Temos que celebrar esse recorde. É a reafirmação do Brasil como país que mais faz transplantes em sistema público de saúde do mundo”, declarou o ministro da Saúde, Alexandre Padilha.
Na ocasião, a pasta anunciou, ainda, uma série de medidas que visam modernizar o Sistema Nacional de Transplantes (SNT), tornando-o cada vez mais eficiente e seguro. Entre elas, estão a oferta da Prova Cruzada Virtual para a rede pública de saúde de todo o país e a reorganização das regiões dentre as quais os órgãos são alocados. Ambas vão contribuir para que haja mais agilidade na distribuição dos órgãos.
Além de avanços – como a oferta inédita de transplante de intestino delgado e multivisceral no SUS e o uso de membrana amniótica para tratar queimaduras -, a pasta também anunciou o novo Programa de Qualidade em Doação para Transplante (PRODOT), que vai capacitar os profissionais de saúde no acolhimento dos familiares, o que poderá reduzir a negativa de autorização, aumentando o número de doações. Em 2024, 55% das 4,9 mil famílias entrevistadas autorizaram a doação de órgãos de seus entes. Já o número de doadores efetivos passou de 4 mil.
Atualmente, cerca de 78 mil pessoas estão na fila de espera por doação de órgãos e tecidos no Brasil, com maior demanda para rim (42.838), córnea (32.349) e fígado (2.387) em 2024. Em Pernambuco 3,7 mil pacientes aguardam por transplante, sendo 1,9 mil para rim, 1,5 mil para córnea e 143 para fígado.
Prova Cruzada Virtual reduz tempo entre a doação e a cirurgia
Faltam leitos de UTIS infantis no Estado (Divulgação)
Na quarta (28), o governo decretou situação de emergência na rede de atendimento infantil por causa de superlotação
A Secretaria Estadual de Saúde e Pernambuco (SES-PE)informou que, até a noite de quarta (28), 61 crianças estavam na fila de espera por uma vaga em Unidades de Terapia Intensiva (UTI) pediátrica.
No mesmo dia, o Estado decretou situação de emergênciana rede pública de atendimento de saúde infantil.
A medida foi tomada por causa de superlotação.
As taxas de ocupação eram as seguintes: 89% na enfermaria pediátrica, 93% na UTI pediátrica e 100% na UTI neonatal.
Por meio de nota, a SES-PE disse “que todos os pacientes em espera continuam recebendo assistência especializada, com o acompanhamento de equipes multidisciplinares e suporte respiratório, conforme a necessidade individual de cada caso”.
Leitos
A pasta disse, ainda, que, até a quarta, tinham sido abertos 253 novos leitos, em 2025, destinados ao tratamento de casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG).
Assim, o estado passou a contar com 483 leitos exclusivos.
Na última semana, foram disponibilizados 31 novos leitos, distribuídos entre diferentes unidades de saúde: 11 no Hospital Professor Agamenon Magalhães (Hospam), em Serra Talhada; 10 no Hospital Brites de Albuquerque, em Olinda; 5 no Hospital Otávio de Freitas, no Recife; e 5 no Hospital Dom Moura, em Garanhuns.
Ainda conforme a SES-PE, o sistema de regulação é dinâmico e sujeito a variações, em virtude do chamado “giro de leito”.
Esse processo envolve a logística e os cuidados necessários para a transferência de pacientes para unidades de maior complexidade.
Leitos foram abertos, mas não supriram demanda (Divulgação)
Com o decreto, ficam autorizadas ações administrativas emergenciais, conforme a legislação vigente.
Emergência na rede pública de saúde infantil foi decretada, nesta quarta (28), pelo Governo de Pernambuco.
A medida tem validade de 90 dias e foi adotada devido à alta taxa de ocupação dos leitos de Unidades de Terapia Intensiva (UTIs) neonatal e pediátrica no estado, o que tem gerado pressão sobre a rede assistencial.
Com o decreto, ficam autorizadas ações administrativas emergenciais, conforme a legislação vigente.
A Secretaria Estadual de Saúde de Pernambuco (SES-PE) será responsável por coordenar os serviços e ações de saúde pública voltados ao enfrentamento da crise, podendo estabelecer diretrizes e expedir normas complementares.
Até a 21ª semana epidemiológica (24/05/2025), foram notificados 2.544 casos de SRAG, dos quais 1.746 (68,7%) ocorreram em crianças de 0 a 14 anos e 798 (31,3%) em pessoas com 15 anos ou mais.
“Estamos enfrentando um aumento expressivo de casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave em crianças, o que tem gerado pressão sobre a nossa rede de UTIs pediátricas e neonatais. Diante desse cenário, a decretação da emergência é uma medida necessária para ampliarmos nossa capacidade de resposta e garantirmos a assistência adequada à população. A Secretaria está mobilizada para coordenar todas as ações, em parceria com os municípios, fortalecendo a vigilância, a regulação de leitos e o suporte aos profissionais de saúde que estão na linha de frente”, destacou a secretária estadual de Saúde, Zilda Cavalcanti.
Diario de Pernambuco
Como parte das estratégias de enfrentamento da sazonalidade, que ocorre entre os meses de março e agosto, a SES-PE vem ampliando a rede assistencial com a abertura de novos leitos. Apenas em 2025, já foram abertos 253 leitos pediátricos desde o início do período sazonal. Houve também reforço nas consultas médicas online, com a realização de cerca de 812 teleinterconsultas por meio da Central de Regulação Estadual, agilizando o direcionamento e o manejo adequado dos casos.
Em mulheres gestantes, é fundamental o acompanhamento – Foto: Pixabay
Glândual é fundamental para regular órgãos como coração e cérebro.
O dia 25 de maio marca o Dia Internacional da Tireoide, data importante para chamar a atenção para os problemas causados por distúrbios dessa glândula, que é fundamental para regular órgãos vitais como o coração, o cérebro, o fígado e os rins.
Tanto o hipotireoidismo (produção insuficiente dos hormônios T3 e T4) como o hipertireoidismo (produção excessiva de T3 e T4) podem afetar a fertilidade feminina comprometendo a maturação dos óvulos e, assim, interferindo diretamente no ciclo menstrual, desde a ovulação, alterações no feto e até causar aborto.
Segundo o diretor médico do Centro de Reprodução Humana da Clínica Fertipraxis, no Rio de Janeiro, Marcelo Marinho, a elevação do TSH (hormônio estimulante da tireoide) pode aumentar a secreção de outro hormônio chamado prolactina. Esse aumento pode provocar irregularidade menstrual e levar a períodos de amenorreia (ausência da menstruação) dificultando a gravidez.
“Dessa forma, mulheres com essas alterações hormonais podem ter mais dificuldade para ovular e, consequentemente, para engravidar. E, quando gestantes, precisam de acompanhamento, pois essas doenças, quando não tratadas, aumentam o risco de abortamento”, alerta o médico.
Tireoidite de Hashimoto
Um dos distúrbios mais conhecidos da tireoide é a Tireoidite de Hashimoto, uma doença autoimune e crônica que afeta entre 5% e 15% das mulheres em idade reprodutiva.
Essa condição reduz a produção de hormônios essenciais para a fertilidade feminina, podendo causar anovulação (ausência de ovulação) e comprometer a qualidade dos óvulos.
A doença no início pode apresentar sinais sutis que passam despercebidos, mas ao longo do seu desenvolvimento pode causar inchaço no pescoço e provocar alguns sintomas como:
fadiga;
ganho de peso;
pele seca;
sensibilidade ao frio; e
irregularidades menstruais.
Em mulheres gestantes, é fundamental o acompanhamento, pois o quadro pode provocar pré-eclâmpsia, parto prematuro, restrição de crescimento fetal, complicações neonatais e aumentar o risco de aborto espontâneo no primeiro trimestre da gravidez, fatores que impactam significativamente a gestação.
No entanto, o especialista ressalta que mulheres com Tireoidite de Hashimoto podem ter uma gravidez bem-sucedida e saudável, desde que recebam acompanhamento médico individualizado antes e após o parto.
O diagnóstico pode ser feito com exames de sangue, como o TSH, produzido pela hipófise para controlar a tireoide, e os hormônios T3 e T4, produzidos diretamente por ela, além da ultrassonografia para a detecção de possíveis nódulos e/ou cistos da glândula.
A tireoide é uma glândula que tem o formato parecido com o de uma borboleta, localizada na parte superior e frontal do pescoço, abraçando a traqueia. Os hormônios produzidos por ela (T3 e T4, triiodotironina e tiroxina) agem no corpo e no metabolismo desde a formação fetal até a velhice.
Hipotiroidismo e hipertiroidismo
Segundo a diretora da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM) e especialista em tireoide, Carolina Ferraz, quando se tem uma baixa produção do T3 e do T4, tem-se o hipotiroidismo.
“A energia fica lá embaixo, o cabelo pode cair, a pele vai ficar mais ressecada, o intestino pode ficar preso, pode ter bastante esquecimento, sintomas de depressão. O oposto ocorre quando a gente tem muito hormônio, a gente chama de hipertiroidismo, e o metabolismo acelera. A pele fica mais oleosa, o paciente sua mais, fica mais agitado, tem insônia, taquicardia, pode ter diarreia”, diz a endocrinologista.
A médica destaca que se houver uma baixa produção do hormônio, poderá ser feita a reposição hormonal. Se o problema for um aumento da produção de hormônio, pode-se usar também medicação para diminuir a ação desses hormônios.
“Se a medicação não resolver, a gente faz o tratamento com iodo radiotivo ou até cirurgia.”
Ilustração: artéria com placas de gordura devido à colesterol alto. – Reprodução
Colesterol alto, um perigo silencioso ao coração. Entenda o LDL e HDL, causas e como dieta e hábitos saudáveis são seus aliados na prevenção.
Amplamente visto como algo ruim, na verdade o colesterol é uma substância fundamental para o funcionamento do nosso organismo.
Presente nas células e na corrente sanguínea, ele participa da estrutura celular, da produção de hormônios e vitaminas, e até mesmo da formação de ácidos biliares, essenciais para a digestão. O corpo produz a maior parte do colesterol que necessita, cerca de 70% a 80%, enquanto os outros 20% a 30% vêm da alimentação.
O problema surge quando os níveis dessa gordura no sangue se elevam excessivamente, um quadro conhecido como hipercolesterolemia ou colesterol alto.
Essa condição é considerada um dos principais fatores de risco para o desenvolvimento de doenças cardiovasculares graves, como infarto e acidente vascular cerebral (AVC). No Brasil, cerca de 4 em cada 10 adultos têm colesterol alterado, superando dados dos Estados Unidos.
Por ser, muitas vezes, um perigo silencioso que não apresenta sintomas claros, entender suas causas e como manejá-lo é crucial.
A boa notícia é que, em muitos casos, mudanças no estilo de vida podem ser aliadas para manter esses níveis sob controle, atuando de forma natural na proteção do seu coração.
Desvendando o colesterol: quem é o bom e quem é o mau?
Embora a composição do colesterol seja uma só, ele é transportado no sangue por diferentes partículas chamadas lipoproteínas. A densidade dessas lipoproteínas define os tipos de colesterol que conhecemos: o HDL e o LDL.
O HDL (high-density lipoprotein; em português, lipoproteína de alta densidade) é o colesterol de alta densidade, conhecido como o “colesterol bom”.
Seu papel é remover o excesso de colesterol do sangue e dos tecidos, transportando-o de volta para o fígado, onde será eliminado. Quanto maior o nível de HDL no organismo, menor o risco de doenças cardiovasculares.
Já o LDL (low-density lipoprotein; em português, lipoproteína de baixa densidade) é o colesterol de baixa densidade, o temido “colesterol ruim”.
Sua função é transportar o colesterol para as artérias. Quando o LDL está em níveis elevados, ele pode se acumular nas paredes das artérias, formando placas de gordura que as estreitam e endurecem, um processo chamado aterosclerose. Esse acúmulo aumenta significativamente o risco de obstruções, levando a infartos e derrames.
Existe ainda o VLDL, que, em excesso, também é prejudicial, sendo responsável por transportar triglicerídeos, outro tipo de gordura, na corrente sanguínea.
O equilíbrio entre esses tipos de colesterol é fundamental para a saúde do coração.
Por que meu colesterol está alto?
As causas do colesterol elevado são variadas, combinando fatores que vão desde a herança genética até os hábitos diários. Entender esses fatores é o primeiro passo para o controle:
Dieta inadequada
O consumo excessivo de alimentos ricos em gorduras saturadas e trans é um dos principais vilões para o aumento do colesterol LDL.
Carnes gordurosas, frituras, alimentos ultraprocessados (como bolos, biscoitos, fast food) e produtos com “gordura hidrogenada” ou “parcialmente hidrogenada” contribuem diretamente para esse aumento. O baixo consumo de frutas e hortaliças, fontes de fibras e antioxidantes protetores, também favorece o problema.
Sedentarismo
A falta de atividade física regular está diretamente ligada ao aumento do colesterol LDL e à diminuição do HDL. Exercícios ajudam a “queimar” gordura e melhorar os níveis de colesterol.
Fatores genéticos
Algumas pessoas têm uma predisposição herdada para o colesterol alto devido a mutações genéticas, o que pode dificultar o controle apenas com estilo de vida. Nesses casos, a adoção de hábitos saudáveis é ainda mais importante.
Outros fatores de risco
O tabagismo pode reduzir o HDL e elevar o LDL, aumentando o risco de formação de placas. O consumo excessivo de álcool e o estresse também podem elevar os níveis de colesterol LDL e afetar a saúde cardiovascular.
Além disso, condições como obesidade, diabetes e hipertensão, quando não controladas, podem levar ao aumento do colesterol. Pessoas magras também podem ter colesterol alto.
A alimentação como aliada principal: o que colocar no prato?
A alimentação tem um impacto direto e significativo nos níveis de colesterol. Uma dieta equilibrada, rica em alimentos naturais e minimamente processados, é fundamental para ajudar a controlar o colesterol e reduzir o risco de doenças cardiovasculares.
“A gente precisa sempre lembrar que os verdadeiros vilões dessa história são os alimentos ultraprocessados, as carnes processadas, os industrializados de modo geral”, explica a nutricionista Gesika Assunção, professora da UniFBV Wyden.
É importante reduzir o consumo de alimentos ricos em gorduras saturadas, trans e processados, como carnes gordurosas, frituras, alimentos ultraprocessados e margarinas.
Por outro lado, priorizar certos alimentos pode ajudar a aumentar o HDL (“bom”) e reduzir o LDL (“ruim”).
10 alimentos para incluir na dieta e controlar o colesterol
Aveia: rica em beta-glucana, uma fibra solúvel que reduz a absorção de colesterol no intestino, ajudando a diminuir o LDL. A nutricionista Pollyanna Ayub confirma que a beta-glucana “é um tipo de fibra solúvel que diminui a absorção do colesterol e açúcar”;
Peixes ricos em ômega-3: salmão, sardinha e atum são excelentes fontes de ácidos graxos ômega-3, que ajudam a reduzir o LDL e aumentar o HDL;
Frutas (como maçã, pera, laranja, morango, uvas, banana): ricas em fibras, antioxidantes e fitonutrientes que ajudam a reduzir o colesterol LDL. A fibra ajuda a “limpar” o excesso de colesterol;
Legumes e verduras: fontes importantes de fibras, antioxidantes e fitonutrientes essenciais para a redução do colesterol LDL e combate à inflamação;
Sementes e nozes (chia, linhaça, nozes, amêndoas): contêm ácidos graxos saudáveis, fibras solúveis e antioxidantes que promovem o aumento do HDL e ajudam a reduzir o LDL;
Abacate: rico em gorduras monoinsaturadas e fitoesteróis que ajudam a aumentar o HDL e reduzir o LDL, competindo com a absorção de colesterol no intestino;
Azeite de oliva: rico em gorduras monoinsaturadas e antioxidantes, ajuda a reduzir o LDL sem interferir no HDL. Deve ser a gordura de eleição para cozinhar e temperar;
Cevada: assim como a aveia, contém beta-glucana, fibra solúvel que ajuda a controlar o colesterol;
Leguminosas (feijão, lentilha): ricas em fibras que auxiliam no controle dos níveis de colesterol;
Soja: uma proteína vegetal de alta qualidade que pode substituir proteínas animais ricas em gordura saturada. Contém isoflavonas com propriedades antioxidantes que podem diminuir o LDL.
Incorporar esses alimentos regularmente na dieta é benéfico não só para o colesterol, mas para a saúde geral.
Chás e fitoterápicos: ajudam mesmo a baixar o colesterol?
Muitas pessoas buscam em chás e produtos naturais uma solução para o colesterol alto. Sobre o tema, Gesika Assunção comenta:
“Alguns chás, como o hibisco, por exemplo, e o chá verde, nós temos algumas evidências que mostram benefício na redução de colesterol e eles devem ser consumidos como parte da dieta e não como a solução milagrosa”.
“O chá verde é rico em fibras e a fibra ajuda realmente nesse controle, nessa varredura do colesterol ruim”, explica.
Portanto, embora alguns chás, como o hibisco e o chá verde, possam apresentar benefícios modestos na redução do colesterol, principalmente por serem fontes de fibras e antioxidantes, eles não devem ser vistos como uma cura única.
Devem ser integrados a uma dieta saudável e equilibrada, e não substituem o acompanhamento médico ou os tratamentos convencionais quando necessários.
Além da dieta: outras mudanças de hábito que fazem a diferença
Uma abordagem completa para reduzir o colesterol envolve mais do que apenas a alimentação. Outras mudanças no estilo de vida são essenciais:
Atividade física regular
Exercícios, especialmente os aeróbicos como caminhar, correr, nadar ou andar de bicicleta, são fundamentais. Eles ajudam a aumentar o colesterol HDL e a reduzir o LDL. É importante buscar orientação de um profissional de educação física.
Controle do peso
Manter um peso adequado está diretamente relacionado a níveis saudáveis de colesterol. Obesidade é um fator de risco.
Cessação do tabagismo
Parar de fumar reduz significativamente o risco de doenças cardiovasculares e ajuda a melhorar o perfil lipídico.
Gerenciamento do estresse
O estresse crônico pode impactar negativamente a saúde cardiovascular e os níveis de colesterol. Buscar formas de gerenciar o estresse é importante;
Reduzir o consumo de álcool
O consumo excessivo de álcool também pode elevar o colesterol LDL.
A nutricionista sugere: “foque em pequenas mudanças que sejam sustentáveis e orgânicas que você consiga fazer e hábitos mais saudáveis, por exemplo trocar o refrigerante por uma água gaseificada, consumo de limão, incluir mais chás na sua alimentação, conseguir fazer o incremento na sua alimentação diária de frutas e vegetais, praticar uma atividade física de forma regular”.
5 hábitos de vida para adotar hoje e reduzir seu colesterol
Pratique atividade física regularmente: pelo menos 150 minutos de exercícios aeróbicos por semana;
Faça escolhas alimentares inteligentes: priorize alimentos naturais, ricos em fibras e gorduras saudáveis, e reduza o consumo de gorduras saturadas, trans e ultraprocessados;
Pare de fumar: o tabagismo prejudica a saúde cardiovascular e o perfil do colesterol;
Mantenha um peso saudável: o controle de peso é importante para os níveis de colesterol;
Busque acompanhamento profissional: consultar médicos e nutricionistas ajuda a identificar riscos e orientar o manejo adequado.
Quando a mudança de hábito não é suficiente: o papel do acompanhamento médico
Embora as mudanças no estilo de vida, especialmente na dieta e na prática de exercícios, sejam muito eficazes para controlar o colesterol em muitos casos, é crucial entender que elas podem não ser suficientes para todos. Fatores como predisposição genética podem exigir intervenções adicionais.
O colesterol alto geralmente não apresenta sintomas perceptíveis na rotina. Por isso, a única maneira de diagnosticá-lo é através de exames de sangue regulares, solicitados por um médico. O monitoramento constante é essencial, principalmente para quem possui histórico familiar ou outros fatores de risco.
Em situações onde as mudanças de hábito não conseguem atingir os níveis de colesterol recomendados (que foram atualizados pela Sociedade Brasileira de Cardiologia, com valores mais restritivos para diferentes perfis de risco), pode ser necessário o uso de medicamentos, como as estatinas.
As estatinas são amplamente recomendadas e consideradas seguras sob prescrição médica, reduzindo significativamente o risco de complicações cardiovasculares.
O acompanhamento profissional é fundamental para um diagnóstico precoce, manejo eficaz do colesterol alto e prevenção de doenças cardiovasculares, garantindo uma vida mais longa e saudável.
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