Secretário nacional diz que bloqueador de celular é ‘boa solução’ para presídios de Pernambuco.

André Garcia, secretário nacional de Políticas Penais esteve no Recife na última sexta-feira (28) para seminário sobre segurança pública, na Alepe
André Garcia, secretário nacional de Políticas Penais esteve no Recife na última sexta-feira (28) para seminário sobre segurança pública, na Alepe – JAILTON JR/JC IMAGEM

Em entrevista ao JC, André Garcia, titular de Políticas Penais, diz que Estado precisa de protocolo para evitar entrada de armas e drogas nas unidades.

O secretário nacional de Políticas Penais, André Garcia, afirmou que o uso de bloqueador de celular é uma “boa opção” para melhorar a segurança dos presídios de Pernambuco. Em entrevista ao JC, o gestor disse ainda que pode enviar recursos federais para adoção da tecnologia.

“Se tiver pedido do governo (estadual), nós vamos considerar, sim. Eu acho muito importante. Depende também do modelo de contratação para se evitar um engessamento, porque essas tecnologias mudam muito constantemente, mas, em princípio, é uma boa solução”, declarou.

Representantes da Secretaria de Administração Penitenciária e Ressocialização do Estado (Seap/PE) estão visitando unidades do País que já adotaram a medida de segurança para definir qual a tecnologia mais adequada. A comunicação dos presos com quem está em liberdade ainda é muito frequente e tem forte impacto no número de mortes violentas intencionais, por isso a preocupação com o reforço na segurança.

Pernambuco precisa redobrar os cuidados para evitar os erros cometidos no passado. Bloqueadores de celulares, com tecnologia indiana, foram testados no Complexo Prisional do Curado, na Zona Oeste do Recife, em 2014. Mas os resultados não foram satisfatórios.

Enquanto moradores do bairro do Tejipió reclamavam que estavam sem sinal de celular, a gestão estadual identificou que parte dos presos continuava usando os aparelhos normalmente.

A Seap/PE foi procurada pela coluna, mas informou que, por medida de segurança, não iria informar quais unidades vão receber a tecnologia inicialmente. Também não apresentou um prazo para isso.

Na entrevista, André Garcia reforçou que as unidades prisionais de Pernambuco apresentam falhas estruturais e que isso resulta na – frequente – entrada de armas e drogas.

“Há, no Estado, boas práticas, mas também tem problema. O sistema prisional do Brasil é um misto disso. Em Pernambuco, é preciso a gente aprimorar a questão construtiva, o modelo, e a instalação dos protocolos de segurança, que são muito importantes para se evitar, principalmente, o ingresso de materiais ilícitos nas unidades. A gente está discutindo tanto com o governo, com a secretaria local, quanto com o Judiciário”, disse.

No último sábado (29), a nomeação de 240 policiais penais foi publicada no Diário Oficial do Estado, mas o número ainda é bem abaixo do necessário para garantir mais segurança e também evitar que presos de algumas das unidades continuem ditando regras.

REPRODUÇÃO
Entrada de armas e drogas em unidades prisionais de Pernambuco ainda é frequente por causa da falta de segurança –

VISTORIA NO COMPLEXO

PRISIONAL DO CURADO

Pernambucano, Garcia esteve no Recife, na última sexta-feira (28), para participar de um seminário promovido pela Comissão de Segurança Pública e Combate ao Crime Organizado da Câmara dos Deputados, na Assembleia Legislativa de Pernambuco (Alepe).

Depois, participou de uma breve reunião com o secretário de Defesa Social do Estado, Alessandro Carvalho, e com o secretário nacional de Segurança Pública, Mário Luiz Sarrubbo.

A equipe de André Garcia chegou à capital dias antes para realizar uma vistoria técnica no Complexo Prisional do Curado, na Zona Oeste, com o objetivo de verificar as melhorias realizadas após as recomendações do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), por causa da condenação da Corte Interamericana de Direitos Humanos.

“Estamos fazendo uma reunião sobre o tema para eles (equipe da secretaria nacional) me apresentarem um relatório. Eu conheço um pouco da realidade, porque eu sou daqui. Mas é importante que eles me passem uma análise técnica do que eu preciso fazer no Curado para superar a questão judicial que existe, a decisão da Corte Interamericana e, obviamente, implantar uma cultura de segurança e de controle adequado da população prisional”, afirmou Garcia.

Em vistoria nos três presídios que compõem o Complexo Prisional do Curado, em agosto de 2022, representantes da Corregedoria Nacional de Justiça e do CNJ ficaram estarrecidos com a superlotação e falta de estrutura mínima. Presos foram encontrados dormindo em buracos improvisados e sem qualquer higiene. Na época, havia 6.509 homens em espaços que só abrigavam até 1,8 mil.

Um ano depois, após a determinação para que 70% dos presos fossem retirados, o Complexo passou a contar com 2.463 – nos últimos meses esse número caiu ainda mais. Reformas também foram realizadas e novas vagas devem ser abertas ainda em 2024.

NOVO PLANO NACIONAL DE SEGURANÇA

Questionado sobre o novo plano nacional de segurança pública, que deve será lançado pelo governo Lula, André Garcia declarou que não pode adiantar detalhes das ações para o sistema prisional.

“Não posso adiantar porque o ministro (da Justiça e Segurança Pública, Ricardo Lewandowski) vai fazer o anúncio, mas estamos compondo o plano nacional para o sistema penitenciário junto com o CNJ e ouvimos uma série de atores institucionais e a população em geral para que a gente possa enfrentar o problema penitenciário de vez e com um planejamento adequado”, comentou.

Por: JC.

Pernambuco e Bahia se reúnem para debater segurança nos estados.

Os estados realizarão reuniões como esta periodicamente (Foto: Carlos Medeiros/SDS-PE)
Os estados realizarão reuniões como esta periodicamente (Foto: Carlos Medeiros/SDS-PE)
Índices de violência nos estados são alarmantes.

O plano Juntos Pela Segurança, do Governo do Estado, organizou uma reunião entre as Forças de Segurança de Pernambuco e da Bahia para discutir ações de combate à criminalidade. O encontro foi promovido no município de Petrolina, no Sertão pernambucano.

Durante o debate, houve compartilhamento de imagens entre os estados para ajudar nas investigações e elaboração de um calendário para estabelecer o período das reuniões. Também foi assinado por todas as Forças de Segurança um documento solicitando um posto da Polícia Federal em Petrolina.
Esta é a segunda reunião integrada entre as instituições policiais em conjunto com o estado da Bahia sob a coordenação da secretária executiva de Defesa Social de Pernambuco, Dominique de Castro Oliveira. O primeiro estado a participar do projeto foi a Paraíba.
“É importante que essa integração aconteça para maior efetividade das estratégias no combate à criminalidade na região. Nossos esforços, somados com as forças policiais da Bahia e polícia federal, vão nos trazer melhores resultados”, afirmou.
Violência em alta em Pernambuco
Dados divulgados pelo Instituto Fogo Cruzado revelaram que Pernambuco registrou em fevereiro deste ano um aumento de 300% no número de crianças e adolescentes feridos ou mortos por tiros, em relação ao mesmo mês do ano passado.
Ao menos 16 pessoas entre 0 e 17 anos foram baleadas. São três crianças e 13 adolescentes.
Outro dado alarmante divulgado é a quantidade de roubos e furtos no estado. Entre janeiro e fevereiro de 2024, Pernambuco contabilizou 7.738 casos de furto e roubo, segundo a SDS.
A pasta ainda divulgou que Pernambuco registrou média diária de 31 veículos roubados ou furtados, em 2024. Segundo a SDS, um total de 1.911 veículos foram parar nas mãos de bandidos nos dois primeiros meses deste ano.
Cenário na Bahia
A Bahia fechou o ano de 2023 como o estado mais violento do Brasil com uma média de 404 assassinatos por mês. Foram 4.722 homicídios dolosos (quando há intenção de matar).
Os casos de latrocínio (roubo seguido de morte) chegaram a 63, mesmo número de lesões corporais seguidas de morte.
A média é de 34,3 mortes por 100 mil habitantes, fazendo com que o estado registre uma taxa maior do que a média nacional, que é de 19,4.

Presídios de Pernambuco vão ter bloqueador de celular, afirma secretário

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Secretário de Administração Penitenciária e Ressocialização, Paulo Paes promete reforço de segurança – Guga Matos/JC Imagem

Tecnologia é uma das medidas para evitar que líderes de facções, mesmo atrás das grades, continuem se comunicando e dando ordens de crimes

O uso de bloqueadores de celulares para impedir a comunicação de presos com membros de facções que estão soltos voltou ao radar do governo de Pernambuco dez anos após testes terem sido realizados, sem sucesso, no Complexo Prisional do Curado, localizado na Zona Oeste do Recife.

Em entrevista exclusiva ao JC, nesta quarta-feira (28), o secretário de Administração Penitenciária e Ressocialização, Paulo Paes, afirmou que está em negociações para que as unidades prisionais do Estado recebam a tecnologia.

“Até como policial penal me incomoda saber que há presos comandando de dentro das unidades prisionais. A gente vai tirar a comunicação. A gente sabe da dificuldade do telefone celular, da questão dos arremessos, que são diários, constantes. Há unidades em que a pessoa passa de moto e faz um arremesso. Por isso, estamos vendo a questão dos bloqueadores de telefone. Isso já está em construção com algumas unidades do Estado”, disse.

A tecnologia usada em Goiás pode ser adotada no sistema penitenciário pernambucano. “Eu vi em Goiás um exemplo exitoso. Vou mandar uma equipe ao Estado para avaliar a ressocialização e também como é realizado o bloqueio. Pretendemos avançar o mais breve possível”, pontuou o gestor, que é policial penal desde 2002 e já atuou como diretor de unidades prisionais do Estado e na Gerência de Inteligência da antiga Secretaria Executiva de Ressocialização.

A guerra pelo domínio do tráfico de drogas em Itamaracá, no Litoral Norte de Pernambuco, que resultou nos assassinatos de um bebê de 9 meses e de uma criança de 10 anos, em menos de uma semana, evidenciou a continuidade da falta de segurança nas unidades prisionais.

O delegado Gilmar Rodrigues, em entrevista coletiva na última segunda-feira, revelou que as ordens para os crimes contra facções rivais saíram de presídios.

Informações do JC.