
A administradora Rayssa Cirino, de 28 anos, que cresceu sem pai, move ação de investigação de paternidade do empresário Antônio Brennand, já falecido; MPPE foi favorável à realização de exame de DNA
Rayssa Cirino, de 28 anos, é uma moça bem magrinha, de braços esguios e com a columela proeminente (aquela carninha embaixo do nariz), que cresceu em Olinda, no Grande Recife, sem qualquer contato com o pai ou a família paterna. Há mais de duas décadas, ela trava uma batalha judicial para provar que é filha biológica de um membro da família Brennand, uma das mais ricas e influentes de Pernambuco.
A ação de investigação de paternidade tem como alvo o empresário Antônio Luiz de Almeida Brennand Neto, que morreu em 1998, aos 47 anos, vítima de um câncer no cérebro. Por causa do sobrenome envolvido, o processo, embora tramite sob sigilo, é comentado há anos em rodas da alta sociedade e nos corredores do Tribunal de Justiça de Pernambuco (TJPE).
Esta é a primeira vez, no entanto, que Rayssa decide sair do anonimato e conceder entrevista. “Se eu tivesse alguma dúvida, nem estaria aqui falando com você”, diz a jovem, que conversou duas vezes com o Diario de Pernambuco, em um restaurante de Boa Viagem, bairro onde trabalha, e na sede do jornal, em Santo Amaro. “Minha família sempre falou que ele é o meu pai. Nunca foi algo escondido. Nunca foi uma informação que surgiu ‘do nada’.”
Recém-ingressa no mestrado, Rayssa trabalha desde os 17 anos, é formada em administração de empresas e faz carreira na área de procurement (compras e suprimentos). Discreta, ela fala baixinho e é de frases curtas, mas não deixa de responder educadamente nem quando lhe perguntam se teria interesse na fortuna dos Brennand.
“O dinheiro é o mínimo, de coração. O mais importante para mim é a questão da identidade”, afirma a jovem, que também não se esforça para esconder a angústia com o processo, marcado por poucas conquistas, mudanças de advogado e acusações mútuas de fraude. “É muito pesado ter uma história construída em cima de algo que não é reconhecido, entendeu?”
A investigação
















