Glaucoma: diagnóstico precoce é divisor de águas para evitar cegueira, aponta especialista

Glaucoma é uma das principais causas de cegueira no mundo, segundo a OMS/Foto: Freepik
Glaucoma é uma das principais causas de cegueira no mundo, segundo a OMS (Foto: Freepik)

Neste Dia Nacional de Combate ao Glaucoma, o Diario conversou com uma oftalmologista que apontou os principais cuidados na prevenção e no diagnóstico de glaucoma

Celebrado nesta terça-feira (26), o Dia Nacional de Combate ao Glaucoma é a data mais importante do Maio Verde, campanha nacional dedicada à conscientização e ao combate à doença, uma das principais causas de cegueira no mundo, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS).

Geralmente associada à pressão interna dos olhos elevada, o glaucoma não causa dor e, se não for tratado corretamente, pode provocar cegueira irreversível, explica a oftalmologista especialista em Glaucoma, Nara Galvão.

“O aumento da pressão intraocular não dói. Então, na maioria das vezes, aquela pressão elevada vai matando o nervo do olho. O nervo do olho é o responsável por levar a visão que a gente enxerga aqui, né? Tudo que a gente enxerga é interpretado no cérebro. Então esse nervo é absolutamente magno, indispensável, essencial. “A morte do nervo óptico é irreversível”, inicia.

Mobilização

Por isso, a médica reforça a importância da mobilização sobre a doença. Este ano, o foco da campanha é informar sobre a qualidade de vida do paciente com glaucoma e a importância do diagnóstico precoce.

“O glaucoma é a principal causa de cegueira irreversível no mundo todo. Países ricos e pobres, todos enfrentam esse mesmo problema, e é uma estatística que vai só aumentando com a idade. O Dia Nacional de Combate é o chamamento à população para atenção sobre a causa da doença, o diagnóstico e a importância do tratamento”, continua.

Sem sintomas muito aparentes, a detecção da doença fica complicada. A enfermidade não tem cura, mas tem controle. Por isso, o diagnóstico precoce é essencial, segundo a especialista, para evitar a cegueira, causada justamente pela morte do nervo óptico.

“Precisamos alertar a população para fazer exame anualmente, mesmo que não haja queixa, mesmo que ele ache que enxerga bem, precisa fazer exame todo ano. Às vezes, quando a gente já tem o diagnóstico da doença, a gente vê o paciente duas vezes por ano ou até três ou mais vezes, quantas forem necessárias”, alerta.

Segundo a médica, existem vários tipos de glaucoma, com circunstâncias diferentes. No entanto, a faixa etária mais comum de incidência da doença é a partir dos 40 anos, com maior frequência em idades mais avançadas.

“A incidência aumenta com a idade, só que a gente pode ter glaucoma em qualquer idade. Existe o glaucoma congênito, com o qual a pessoa nasce, e o glaucoma juvenil, a partir dos 10 anos de idade. Também o glaucoma traumático, depois de pancada ou perfuração. É possível desenvolver glaucoma por uso crônico e contínuo de algumas drogas, principalmente de corticoides. O tipo que mais predomina no Brasil é o crônico de ângulo aberto, que não dói”, detalha.

Ela afirma, ainda, que o glaucoma crônico de ângulo aberto causa, em alguns casos, embaçamento e pequenas distorções na visão, dores de cabeça e até vermelhidão.

Desafios do tratamento

Após o diagnóstico, o comprometimento com o tratamento é peça fundamental para que o paciente não venha a perder a visão, explica a oftalmologista. Os métodos para evitar a progressão do glaucoma são muitos.

“A gente hoje perde muito o paciente no sentido de que a doença progride muito porque o paciente, por exemplo, se esquece de usar o colírio. E, como ele não sente dor, passa despercebido e, quando ele chega na consulta, o quadro já evoluiu. Hoje a única coisa em que a gente pode tratar é baixando a pressão intraocular, seja com colírio, laser, microcirurgia. O que a gente precisa é não deixar que a doença progrida”, expressa.

A especialista adiciona, ainda, que o uso de telas não potencializa a doença, e também descarta a relação da enfermidade com o uso de óculos.

Nara Galvão reforça, ainda, que cada situação é diferente e que o oftalmologista deve adaptar as possibilidades de tratamento às possibilidades dos pacientes.

“Muitas vezes o paciente não usa a medicação por custo e fica sem querer voltar para o oftalmologista para dizer isso. É importante dizer, porque, se não puder usar o colírio recomendado, faz-se um laser, uma cirurgia. Hoje, por meio do SUS, o tratamento é bem encaminhado, com médicos altamente especializados e diferenciados. O SUS aqui no Brasil, e aqui em Pernambuco especificamente, está extremamente bem organizado, fornecendo colírio, e, se precisar de cirurgia, também temos”, comenta.

Estilo de vida como aliado

Para além das terapias médicas, o estilo de vida também é um aliado para quem convive com a doença, destaca a médica.

“Existem alguns outros fatores que podem nos ajudar. Não vão substituir o tratamento, mas servem como facilitadores. O paciente com hipertensão arterial precisa ter esse controle da pressão bem feito, também do diabetes, que é um risco para a piora do glaucoma. A nutrição é super importante: uma alimentação rica em nutrientes, pobre em ultraprocessados. O tabagismo piora o glaucoma, o sedentarismo também. A atividade aeróbica ajuda no controle da doença, assim como a administração do estresse. “O sono também faz bem”, afirma.

Com os cuidados devidos, não há razões para se preocupar com o glaucoma, explica a oftalmologista.

“A mensagem mais importante mesmo para o paciente é: a prevenção faz toda a diferença. Não é que a gente não vá ter a doença, mas o diagnóstico precoce muda todo o curso dessa doença e, obviamente, a qualidade de vida. É o divisor de águas entre o paciente que vai enxergar e o que não vai enxergar. E, uma vez que não tem cura, mas tem tratamento, paciente bem tratado não vai ficar cego. Essa é a mensagem que vale ouro”, finaliza.

Por Nicolle Gomes

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