
Sistema instalado em telhados pulveriza névoa fina de água para reduzir a temperatura por evaporação; tecnologia ganha espaço como alternativa para amenizar ilhas de calor urbanas
Um sistema de resfriamento instalado em prédios residenciais na China chamou a atenção nas redes sociais ao mostrar edifícios “emitindo fumaça” durante uma onda de calor. Na realidade, trata-se de uma tecnologia que pulveriza uma névoa ultrafina de água pelos telhados e fachadas para reduzir a temperatura do ambiente externo por meio da evaporação. Segundo autoridades e especialistas, o método pode diminuir a temperatura da superfície entre 5°C e 8°C em poucos minutos, dependendo das condições climáticas.
Apelidado de “ar-condicionado ao ar livre”, o sistema tem sido adotado em conjuntos residenciais, áreas comerciais, restaurantes, jardins e espaços públicos de cidades chinesas afetadas por temperaturas extremas. As imagens mais recentes que viralizaram, divulgadas no Facebook de Mao Ning, porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China, e replicadas no X, foram registradas na província de Shanxi, no norte do país, onde os equipamentos passaram a operar durante os períodos mais quentes do dia.
In central China’s Shanxi, a residential community has drawn attention for its “rooftop rain” — a mist cooling system that drops surface temperatures by 5–8°C in minutes. pic.twitter.com/AuXyJ0LFtJ
— Mao Ning 毛宁 (@SpoxCHN_MaoNing) July 1, 2026
Ao contrário de um ar-condicionado convencional, a tecnologia não resfria o ar por compressão de gases refrigerantes. O funcionamento é baseado no princípio do resfriamento evaporativo: bicos de alta pressão lançam gotículas microscópicas de água no ambiente. Quando essas partículas evaporam, absorvem calor do ar ao redor, reduzindo a temperatura e amenizando a sensação térmica.
O método funciona melhor em ambientes quentes e relativamente secos, onde a evaporação ocorre com maior rapidez. Em locais com alta umidade, a eficiência tende a diminuir porque o ar já está saturado de vapor d’água, dificultando o processo de evaporação.
Além de proporcionar conforto térmico, os sistemas consomem menos energia do que aparelhos de ar-condicionado convencionais e podem contribuir para reduzir os efeitos das ilhas de calor urbanas, fenômeno em que concreto, asfalto e edifícios retêm calor e elevam significativamente as temperaturas nas cidades. Por isso, a tecnologia vem sendo estudada como uma medida complementar de adaptação às ondas de calor cada vez mais frequentes associadas às mudanças climáticas.
Embora tenha recebido o apelido de “ar-condicionado ao ar livre”, o sistema não substitui a climatização de ambientes fechados. Seu objetivo é tornar mais suportáveis áreas externas, como ruas, pátios, praças e condomínios, reduzindo a exposição ao calor intenso durante os períodos de temperaturas extremas.
Por Agência O Globo


