Fim de semana de convenções

Nigro/Divulgação

O fim de semana promete dar a largada para a corrida às urnas em Pernambuco. Neste domingo (2), a governadora Raquel Lyra (PSD) irá reunir aliados para confirmar seu projeto de reeleição. Será no Parador, no Bairro do Recife, a partir das 9h.Neste sábado, a Frente Popular deve confirmar a candidatura ao governo do ex-prefeito do Recife João Campos (PSB), em ato político no Clube Internacional, no horário simbólico de 13h40 – em referência à aliança dos socialistas com o PT.

Outras convenções também estão previstas para este fim de semana. Neste sábado, a Federação PRD/Solidariedade e os partidos Progressistas e União Brasil farão seus atos políticos. No domingo, será a vez da Federação Rede/Psol formalizar a candidatura ao governo do ex-vereador Ivan Moraes (Psol), com a advogada Alice Gabino (Rede) e o pré-candidato ao Senado Paulo Rubem Santiago (Psol). O calendário de convenções só se encerra na quarta-feira (5), quando a Federação União Progressista realiza sua convenção, considerada decisiva para que Raquel Lyra conclua a montagem da própria chapa.

Largada
Para quem não acompanha de perto a rotina dos partidos, vale entender o que está em jogo: a convenção é o momento em que uma articulação de bastidores que pode levar meses se transforma em decisão oficial. “É quando se confirma oficialmente quem serão os candidatos”, explica a cientista política Priscila Lapa. Até o momento, os partidos só podem tratar seus postulantes como pré-candidatos. Com a homologação das convenções, passam a existir oficialmente as candidaturas, permitindo, entre outras medidas, a abertura de contas específicas e o recebimento de recursos do fundo eleitoral. O cientista político Alex Ribeiro reforça a leitura: a convenção “marca a passagem das articulações políticas para as definições oficiais”.

Cenários
Embora liderem as principais pré-candidaturas ao Palácio do Campo das Princesas, João Campos e Raquel Lyra chegam às convenções em momentos bem diferentes da formação da sua base aliada. Na convenção do PSB, João terá homologada uma chapa majoritária já consolidada e que percorre com ele o estado desde o lançamento do seu projeto político em março. O empresário Carlos Costa (Republicanos) será confirmado como candidato a vice-governador, o senador Humberto Costa (PT) disputará a reeleição e a ex-deputada federal Marília Arraes (PDT) ocupará a segunda vaga ao Senado. A composição foi fechada após negociações entre os partidos da Frente Popular e permitiu ao pré-candidato iniciar o período das convenções sem pendências internas.

Além disso, a convenção formada por Solidariedade e PRD deve confirmar neste sábado a aliança com João Campos, após deixar a base da governadora Raquel Lyra. A sigla promove seu ato político com presença confirmada do ex-prefeito do Recife.

Já o ato do PSD ocorre em meio às últimas tentativas de Raquel Lyra para resolver o impasse com a Federação União Progressista. Dos dois nomes ao Senado, apenas um parece estar definido: o deputado federal Túlio Gadêlha (PSD), que deixou a Rede Sustentabilidade para filiar-se ao partido da governadora.

A segunda vaga, porém, permanece indefinida. Há meses, a disputa envolve o deputado federal Eduardo da Fonte (PP), presidente estadual da Federação União Progressista e do Progressistas, e o ex-prefeito de Petrolina Miguel Coelho, presidente estadual do União Brasil. Ao lado da governadora na chapa, a vice-governadora Priscila Krause (PSD) deve repetir a parceria firmada pelas gestoras desde o pleito de 2022. No material de campanha divulgado nas redes sociais da gestora, as duas líderes políticas são o destaque.

Senado
Eduardo da Fonte sustenta que o Progressistas, por reunir a maior bancada na Assembleia Legislativa, mais de 20 prefeitos e três deputados federais, tem direito à indicação. Já Miguel Coelho afirma ter recebido de Raquel Lyra o compromisso de ocupar a vaga após reaproximar o União Brasil da base governista, da qual o partido havia rompido em 2022.

É justamente esse tipo de impasse, levado até o limite do calendário eleitoral, que costuma acender um alerta entre analistas políticos. Deixar a convenção para o último dia pode ser também estratégia. “Esticar a corda até o fim, primeiro, cria todo um clima, toda uma expectativa. Isso é muito utilizado como estratégia de comunicação […] Quem sai por último faz ali aquele desfecho e não deixa que o adversário crie um evento politicamente mais relevante”, avalia Priscila Lapa. Segundo ela, adiar a decisão também mantém possíveis dissidentes “reféns” do grupo político, já que não sobra tempo hábil para migrarem para outra legenda antes do fim do prazo.

Alex Ribeiro segue linha semelhante ao analisar a convenção da Federação União Progressista, marcada para o encerramento do calendário das convenções. Na avaliação do especialista, a data isolada não indica necessariamente desorganização interna.

“Adiar a decisão pode servir para prolongar negociações, acompanhar movimentos dos adversários e fechar questões como alianças, composição da chapa e candidaturas ao Senado. Porém, quando as divergências permanecem até o limite do prazo, isso pode revelar dificuldades internas. Portanto, a leitura política depende menos da data e mais das circunstâncias que levaram o partido a decidir no último momento”, pondera.

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