
O ex-prefeito do Recife e candidato ao governo de Pernambuco, João Campos (PSB), voltou a comentar sobre a influência do apoio do atual presidente e candidato a reeleição, Lula (PT), na disputa eleitoral contra a atual governadora e candidata a reeleição, Raquel Lyra (PSD). Segundo Campos, apesar da relação amigável estabelecida entre Raquel e o Governo Federal ao longo da atual gestão, o eleitorado saberá diferenciar quem faz parte do “time do Lula” e quem “está no time de Flávio Bolsonaro”.
A declaração aconteceu na noite desta terça-feira (3), durante entrevista ao programa ‘Frente a Frente’, do portal UOL em parceria com a Folha de São Paulo.
“O presidente Lula já manifestou o seu apoio. Além disso, tivemos 86% do diretório do PT declarando apoio a nossa candidatura. Isso é uma aliança de propósito e de projeto. Se você pegar todo o campo Bolsonarista, a direita organizada está na candidatura que é de oposição a nossa. São pessoas que celebram a perseguição que Lula sofreu e não estiveram com ele em nenhum momento. O eleitor enxerga isso: de um lado tem o time do Lula e, do outro, tem o time que está Flávio Bolsonaro”, destacou ao ser questionado sobre a disputa da força política do atual presidente nos palanques estaduais.
O ex-gestor municipal também relacionou a aliança com Lula ao potencial de sua futura gestão estadual finalizar o trecho pernambucano da Ferrovia Transnordestina.
“O presidente é um grande aliado, não só para disputar a eleição junto, mas para governar junto. No meu plano de governo, por exemplo, pretendo pedir a estadualização da Transnordestina para que, junto ao Governo Federal, seja construído um fundo que garanta a execução das obras. Se não tiver a presença do presidente Lula na presidência e a nossa presença aqui, no estado, para concluir essa obra, a gente vai ver o Ceará ter a parte dele e Pernambuco ficar sem a ferrovia”.
A fala acontece em um momento de tensão para o projeto. Desde maio, as obras no trecho Salgueiro-Suape estão suspensas por meio de determinação judicial do Tribunal de Contas da União (TCU).
No começo de julho, Lula anunciou um aporte de R$ 600 milhões para acelerar o andamento das obras no Ceará. O reforço financeiro foi articulado ao lado do governador e aliado Elmano de Freitas (PT).
Cenário acirrado
João Campos avaliou como natural o cenário acirrado do páreo com a atual governadora. Ele atribuiu a situação ao peso de uma candidatura de reeleição e fez comparações com a sua própria trajetória durante o processo de reeleição a Prefeitura do Recife em 2024.
“Falam que a reeleição é uma das instituições mais poderosas do Brasil. Eu enfrentei a reeleição para prefeito e tive 78% dos votos. Então, isso [a disputa acirrada] é natural. O estranho seria se um governo não reagisse minimamente, estando perto de um cenário de reeleição”.
Por Vitória Floro


