
Após a definição dos titulares na corrida pelas duas vagas de Pernambuco no Senado, a escolha dos suplentes passou a ganhar protagonismo nas negociações políticas. O espaço é visto como abrigo para grupos e aliados, causando divergências até mesmo entre membros de um mesmo palanque.
A mais recente envolve a candidata da Frente Popular Marília Arraes (PDT) e o presidente da Assembleia Legislativa de Pernambuco (Alepe), Álvaro Porto (MDB), que retirou o apoio à ex-deputada federal.
Nos bastidores, a confirmação do ex-vereador do Cabo de Santo Agostinho, Abel Cabral, ligado ao prefeito do município Lula Cabral (PDT), é vista como pivô do rompimento. O parlamentar esperava indicar o titular da vaga.
Por meio de uma nota oficial, Álvaro Porto e Gabriel Porto (PSB), filho do presidente da Alepe e candidato a deputado federal, afirmaram apenas que a retirada do apoio decorre do descumprimento de acordos políticos por parte da candidata.
Com o imbróglio, cresceu a especulação de que o grupo Porto pudesse abrir frente de negociação com outro candidato na disputa pelo Senado, o deputado federal Eduardo da Fonte (PP), integrante da chapa da governadora Raquel Lyra (PSD).
Apesar da possibilidade ser ventilada, Álvaro Porto e Gabriel Porto reiteraram que defendem a candidatura do ex-prefeito do Recife, João Campos (PSB), ao governo de Pernambuco.
No mesmo palanque, a composição da suplência do senador Humberto Costa (PT) para a disputa pela reeleição contempla representantes de espectros e grupos diferentes ideologicamente.
Oriundo da militância pelos direitos humanos, o segundo suplente, Manoel Moraes (PT), é também um quadro histórico do Partido dos Trabalhadores e é conhecido nacionalmente por atuar na busca por memória, verdade e justiça, sobre a ditadura militar.
Indefinido
Já no palanque da governadora Raquel Lyra (PSD), ainda há indefinição sobre quem deverá ocupar as suplências dos candidatos ao Senado, o deputado federal Túlio Gadêlha (PSD) e Eduardo da Fonte (PP).
Este último já escolheu a segunda suplente, que será Jane Santos (PP), esposa do deputado estadual Adalto Santos (PP), aliado de primeira hora de da Fonte.
Ao confirmar a candidatura na última quarta (5), o líder progressista afirmou que a primeira suplência será preenchida em acordo com a governadora Raquel Lyra. Já Túlio Gadêlha ainda não definiu quem serão seus suplentes e não tratou do assunto publicamente.
Com candidatura avulsa, o deputado federal Mendonça Filho (PL) definiu a irmã do presidente estadual do Partido Liberal, Anderson Ferreira (PL), a fonoaudióloga Adriana Ferreira (PL), como primeira suplente e o ex-vereador do Recife Alcides Cardoso (PL) como segundo suplente.
Apesar de não ter o apoio do Palácio do Campo das Princesas para disputar o Senado, a escolha de Mendonça por Cardoso na segunda suplência foi vista nos bastidores como um aceno à vice-governadora Priscila Krause (PSD), aliada histórica do ex-vereador.
Análise
Para a cientista política Priscila Lapa, a escolha dos suplentes tem pouca relevância para o eleitor, mas ganhou espaço nas articulações políticas em Pernambuco diante da experiência recente de um suplente que assumiu o mandato de senador.
“Criou-se essa expectativa de que o suplente possa assumir esse poder num curto prazo, ou essa possibilidade de ser mais concreta. Então, com essa expectativa de poder, se criou essa visão de que o suplente importa, e agora isso virou mais um espaço político de barganha, de que se possa olhar para esse espaço e criar possibilidades de oferecer isso como um recurso político de manutenção de alianças, de atração de outros aliados”, avalia a especialista.


