Senado pode ser decidido voto a voto e já estressa partidos e candidatos

Por TEREZINHA NUNES

Tida nas últimas décadas como uma disputa quase secundária e extremamente atrelada aos candidatos a governador – Miguel Arraes, Jarbas Vasconcelos, Eduardo Campos e Paulo Câmara conseguiram eleger seus dois candidatos ao Senado embalados por simples musiquinhas, os famosos jingles, que eram decorados e cantados pelos eleitores até nas filas de votação, após ampla massificação – a eleição deste ano para o Senado está fugindo de todos os padrões. O que antes era simples e resolvido entre quatro paredes, ganhou as ruas, as redes sociais e vem fugindo do controle dos candidatos a governador ao ponto de a esta altura do campeonato não se ter a menor ideia de como vai terminar.

O cientista político pernambucano Adriano Oliveira, um mestre em pesquisas qualitativas – as que medem o sentimento do eleitor e não sua simples resposta a uma pesquisa quantitativa dessas que são divulgadas constantemente – continua a repetir que um governador bem avaliado costuma eleger seus dois candidatos e esta semana, passando pelo estado para tentar apaziguar a disputa pelo senado da Federação União Progressista, o copresidente nacional do colegiado, senador Ciro Nogueira, disse em entrevista referindo-se à governadora Raquel Lyra: “eu nunca vi um governador com 68% de aprovação não eleger seus dois senadores”.

Dá para vestir o paletó antes da hora?

Se os dois tiverem razão e a aprovação da governadora continuar como está – a campanha só está começando – os seus candidatos Eduardo da Fonte e Túlio Gadelha já poderiam comprar seus ternos de posse. Mas não é isso que está se vendo no estado. Além do fato de Pernambuco ter dois candidatos fortes ao Governo, Raquel Lyra e João Campos, e de muita gente apostar que, independente do resultado para o executivo, cada palanque elegerá um senador, esta semana um novo nome surgiu no cenário com a decisão do PL de lançar o deputado federal Mendonça Filho em voo solo, ou seja, sem candidato a governador, embaralhando o jogo.

“Está um salve-se quem puder” – comentou esta semana um deputado estadual da base governista tentando interpretar o que vem acontecendo nos bastidores e fora deles desde que a governadora fechou sua chapa. Preterido dentro da União Progressista, que escolheu Eduardo da Fonte e não ele para representá-la na chapa de Raquel, o ex-prefeito de Petrolina Miguel Coelho, que faltou à convenção da governadora, insuflou nos bastidores a candidatura avulsa de Mendonça Filho, do PL, e, correndo por fora, os dois vêm conseguindo arregimentar apoios entre prefeitos, tirando o sossego do Palácio das Princesas e já afetando a chapa de João Campos.

Raquel entra em campo por Túlio e Dudu

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