Golpe do Bolsa Família: Caixa vai devolver valores às vítimas; saiba como solicitar

A Caixa Econômica Federal anunciou que vai restituir o valor perdido pelas vítimas do Golpe do Bolsa Família. Vários beneficiários do programa social relataram que, neste mês de agosto, encontraram o saldo zerado em suas contas. Muitas delas informaram, inclusive, transações via Pix realizadas de maneira irregular para outras pessoas.

No Grande Recife, por exemplo, dezenas de beneficiários registraram boletim de ocorrência na Delegacia de Jaboatão dos Guararapes, que investiga o caso.

A dona de casa Denise Maria foi uma das lesadas: “Escola não espera, alimentação não espera, remédio não espera, gás não espera”, desabafou.

Caixa vai restituir vítimas do Golpe

Em nota oficial, a Caixa anunciou que as vítimas que procurarem o banco serão restituídas com os valores perdidos.

“A Caixa Econômica informa que a restituição pode ser realizada em uma das agências, com os documentos e o Boletim de Ocorrência. A contestação também pode ser realizada através do aplicativo do Caixa Tem”.

Para fazer o pedido pelo aplicativo, é necessário clicar no ícone Ajustes > Minha Conta > Contestar Transação > Clicar no valor a ser contestado e responder às perguntas de segurança. O prazo de análise é de até 10 dias úteis.

Golpe do Bolsa Família

De acordo com o Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome, as vítimas do golpe recebem uma mensagem, via SMS, com um link.

Quando o usuário clica no endereço suspeito, automaticamente torna as informações expostas aos criminosos. Isso acaba permitindo aos bandidos o acesso bancário onde as famílias recebem o benefício.

O golpe finaliza com a retirada do dinheiro das contas bancárias.

Alerta para não cair no Golpe 

O ministro do Desenvolvimento e Assistência Social, Wellington Dias fez orientações para que os beneficiários não caiam no golpe.

“O Ministério do Desenvolvimento Social não trabalha com SMS, mensagem de texto e, muito menos, orientando você (beneficiária) a clicar no link. Quando a gente que mandar alguma mensagem, fazemos através da sua conta, pelo extrato”, afirmou.

Restituições somam R$ 6,8 bilhões e serão creditadas no dia 30

página da Receita na internet (Crédito: Juca Varella)
página da Receita na internet (Crédito: Juca Varella)

Restituições somam R$ 6,8 bilhões e serão creditadas no dia 30

A Receita Federal abre, nesta sexta-feira (23), a partir das 10h, a consulta ao quarto lote de restituição do Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF) 2024. O valor das restituições é mais de R$ 6,8 bilhões e pagamento será feito no próximo dia 30 de agosto para 5.347.441 contribuintes.

Para saber se teve a declaração liberada, o contribuinte deve acessar a página da Receita na internet, clicar em “Meu Imposto de Renda” e, em seguida, em “Consultar a Restituição”. Também é possível fazer a consulta no aplicativo da Receita Federal para tablets e smartphones.

Do valor total, R$ 469,1 milhões serão destinados a contribuintes com prioridade: 15.077 contribuintes idosos acima de 80 anos de idade; 84.659 contribuintes entre 60 e 79 anos; 7.168 contribuintes com alguma deficiência física ou mental ou moléstia grave; e 27.372 contribuintes cuja maior fonte de renda seja o magistério.

Também há 261.019 contribuintes sem prioridade legal, mas que receberão neste lote por terem usado a declaração pré-preenchida ou optado por receber a restituição por meio de Pix. Foram contemplados ainda 4.904.908 contribuintes não prioritários. Por fim, foram incluídas no lote 47.238 restituições de contribuintes priorizados em razão do estado de calamidade decretado no Rio Grande do Sul.

Esse lote também contempla restituições residuais de exercícios anteriores, de contribuintes que caíram na malha fina e regularizaram as pendências com o Fisco.

Leia mais

Justiça Federal libera R$ 2,7 bi para processos de 167 mil beneficiários do INSS

O Conselho da Justiça Federal (CJF) autorizou o pagamento de Requisições de Pequeno Valor (RPVs) de 167 mil beneficiários do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).

Ao todo serão liberados R$ 2,66 bilhões para o pagamento de processos previdenciários e assistenciais autuadas em julho de 2024, como revisões de aposentadorias, auxílio-doença e outros benefícios.

O depósito de pagamento dos RPVs será responsabilidade dos Tribunais Regionais Federal (TRFs), que realizará de acordo com cronograma próprio.

Com relação ao dia em que as contas serão efetivamente liberadas para saque, esta informação deve ser buscada na consulta de RPVs disponível no portal do Tribunal Regional Federal responsável.

A data de liberação para saque está disponível na consulta de RPVs no site do TRF responsável pela região.

O CJF também liberou valores para pagamento de outros processos, totalizando cerca de R$ 3 bilhões para aproximadamente 200 mil processos.

TRF da 1ª Região (DF, GO, TO, MT, BA, PI, MA, PA, AM, AC, RR, RO e AP)

  • Valor de ações Previdenciárias ou Assistenciais: R$ 853.989.150,39 (47.165 processos, com 55.856 beneficiários)
  • Total: R$ 977.478.494,25

TRF da 2ª Região (RJ e ES)

  • Valor de ações Previdenciárias ou Assistenciais: R$ 205.347.840,88 (8.579 processos, com 12.086 beneficiários)
  • Total: R$ 246.209.818,07

TRF da 3ª Região (SP e MS)

  • Valor de ações Previdenciárias ou Assistenciais:  R$ 298.247.109,35 (9.868 processos, com 12.565 beneficiários)
  • Total: R$ 368.830.893,96

TRF da 4ª Região (RS, PR e SC)

  • Valor de ações Previdenciárias ou Assistenciais: R$ 586.336.807,75 (27.756 processos, com 37.515 beneficiários)
  • Total: R$ 653.009.242,02

TRF da 5ª Região (PE, CE, AL, SE, RN e PB)

  • Previdenciárias/Assistenciais: R$ 451.371.485,80 (21.055 processos, com 33.820 beneficiários)
  • Total: R$ 508.870.683,77

TRF da 6ª Região (MG)

  • Valor de ações Previdenciárias ou Assistenciais: R$ 273.331.203,80 (13.771 processos, com 16.066 beneficiários)
  • Total: R$ 287.149.279,92

Edital do concurso do STJ 2024 é publicado; confira

salário inicial será de R$ 12.455,30. (Créditos: Marcello Casal Jr/Agência Brasil/Arquivo)
salário inicial será de R$ 12.455,30. (Créditos: Marcello Casal Jr/Agência Brasil/Arquivo)

Interessados devem acessar o site do Cebraspe, banca organizadora do concurso, no período de 30 de agosto a 20 de setembro

O edital do concurso STJ (Superior Tribunal de Justiça) está oficialmente publicado. São ofertadas vagas em cadastro reserva para o cargo de Analista Judiciário, em diversas especialidades.

O salário inicial é de R$ 12.455,30. Os interessados devem entrar no site do Cebraspe, banca organizadora do certame, no período entre 30 de agosto e 20 de setembro de 2024.

As vagas do concurso

O edital do STJ oferece vagas para cadastro de reserva no cargo de Analista Judiciário, em diversas áreas, como área administrativa, apoio especializado e área judiciária. Os candidatos devem atentar-se aos requisitos dos cargos. Os aprovados terão direito a um salário inicial de R$ 12.455,30.

Confira os detalhes na matéria do Metrópoles.

Coreia do Norte reabrirá fronteira em dezembro para turismo estrangeiro

Evento pelo Dia Internacional da Mulher, em 2023, na praça do Grande Teatro de Pyongyang, na Coreia do Norte
Evento pelo Dia Internacional da Mulher, em 2023, na praça do Grande Teatro de Pyongyang, na Coreia do Norte – Foto: Kim Won Jin/AFP

País fechou fronteiras no início de 2020 devido à pandemia de Covid-19, chegando a impedir que seus próprios cidadãos retornassem ao território durante anos de isolamento

A Coreia do Norte reabrirá suas portas ao turismo estrangeiro em dezembro, após quase cinco anos de fechamento devido à pandemia de Covid-19, anunciaram nesta quarta-feira dois operadores turísticos especializados.

“Recebemos a confirmação do nosso parceiro local de que o turismo para Samjiyon e, potencialmente, para o restante do país será retomado oficialmente em dezembro de 2024”, informou a Koryo Tours, com sede em Pequim, em seu site.

Samjiyon, localizada perto da fronteira norte entre a Coreia do Norte e a China, é uma porta de entrada para o Monte Paektu, onde, segundo a história oficial, nasceu o falecido líder norte-coreano Kim Jong Il. Seu filho e sucessor, Kim Jong Un, investiu somas significativas no desenvolvimento da região, incluindo novos apartamentos, hotéis e uma estação de esqui.

A KTG Tours, também com base na China, publicou no Facebook que recebeu informações de que os turistas poderão visitar Samjiyon “neste inverno”.

“As datas exatas ainda serão confirmadas. Até agora, apenas Samjiyon foi confirmada oficialmente, mas esperamos que Pyongyang e outros lugares também sejam abertos”, acrescentou a empresa.

A Coreia do Norte fechou suas fronteiras no início de 2020 devido à pandemia de Covid-19, chegando a impedir que seus próprios cidadãos retornassem ao território durante esses anos de isolamento.

Antes da pandemia, o turismo internacional na Coreia do Norte era limitado, com cerca de 5 mil ocidentais visitando o país a cada ano. Cerca de 20% desses turistas eram norte-americanos, até que Washington proibiu viagens ao país após a prisão e morte do estudante Otto Warmbier, que faleceu após ser repatriado aos Estados Unidos.

Por Agência O Globo

Pós Dia dos Pais: Procon-PE revela os direitos do consumidor na hora de trocar um presente

Procon Pernambuco - Atendimento no Procon / PE apenas por agendamento
Foto: Divulgação/Procon-PE

Entender os direitos do consumidor em relação à troca de produtos é essencial para manter a relação entre clientes e comerciantes. Essa cooperação é bastante importante durante datas festivas, como o Dia dos Pais, que prevalece na compra de presentes para a figura paterna. Com essa premissa, o Procon-PE, órgão da Secretaria de Justiça, Direitos Humanos e Prevenção à Violência (SJDH), explica as regras que devem ser seguidas na hora de trocar ou devolver um presente do Dia dos Pais.

As condições para a troca de um produto, seja por apresentar defeitos ou apenas por insatisfação, podem variar. O Código de Defesa (CDC) estabelece que, em compras feitas remotamente, seja ela online, por revista ou telefone, o consumidor tem o direito de se arrepender da compra sem maiores explicações, durante o prazo de sete dias. É um modo diferente da compra realizada presencialmente em estabelecimentos comerciais, se os motivos forem de preferências pessoais, a troca depende da política de troca da loja, e o comerciante não é obrigado a aceitá-lá.

Lojas Físicas – Ao escolher o formato presencial de compra, em lojas físicas, é fundamental que o consumidor conheça a política de trocas do estabelecimento, pois a troca só se torna obrigatória se o produto apresentar algum defeito. Segundo o Art. 18 do CDC, “Não sendo o vício sanado no prazo máximo de trinta dias, pode o consumidor exigir, alternativamente e à sua escolha: a substituição do produto por outro da mesma espécie, em perfeitas condições de uso, a restituição imediata da quantia paga, monetariamente atualizada, sem prejuízo de eventuais perdas e danos ou  o abatimento proporcional do preço”.

Lojas Virtuais – Em compras realizadas através do ambiente virtual, a internet, o cancelamento do da compra em até sete dias, sem justificativas, é direito do consumidor, conforme o Direito de Arrependimento do CDC, previsto no Art. 49.

Já em casos do produto ou serviço apresentar defeitos, a resolução é diferente. Segundo o Art. 26 do CDC, o fornecedor tem um prazo de 30 dias para realizar a solução do problema. Caso não seja acordado, é necessário seguir o que diz o Art. 18 do CDC, citado anteriormente.

No momento da troca, o valor pago pelo produto inicialmente, mesmo quando houver liquidações ou aumento de preço, é o que prevalece. E, se o produto for essencial, ou em virtude do defeito apresentado anteriormente, comprometer alguma característica fundamental, o comprador tem direito a troca imediata ou devolução do valor pago.

“Conhecer a política de trocas da loja física é vital para quem quer realizar uma troca por motivos pessoais, já que o lojista não é obrigado a aceitar essas trocas. Em compras realizadas de forma remota, o consumidor tem o direito de arrependimento assegurado por lei”, disse Anselmo Araújo, Secretário Executivo de Justiça e Promoção dos Direitos do Consumidor.

O consumidor que tiver alguma dúvida, pode entrar em contato pelo telefone 0800 282 1512, mas se o consumidor quiser fazer uma denúncia ele pode utilizar o email: denuncia@procon.pe.gov.br ou se dirigir a sede do Procon-PE, que está localizada na Rua Floriano Peixoto, nº 141, no Bairro de Santo Antônio, no Recife.

Governo Lula prevê cortar 11 a cada 100 benefícios em pente-fino do BPC

O governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) prevê o cancelamento de 670,4 mil benefícios do BPC (Benefício de Prestação Continuada) em 2025, o que renderia uma economia de R$ 6,6 bilhões em despesas, segundo documento obtido pela Folha.

A projeção considera uma taxa de cessação de 11,25%. Em outras palavras, a cada grupo de 100 beneficiários da política, 11 deles terão os repasses encerrados, segundo projeção do Executivo.

Ainda assim, a despesa com o benefício tende a ficar em R$ 112,8 bilhões no ano que vem, chegando a R$ 140,8 bilhões em 2028, puxada pela valorização do salário mínimo e pelo aumento no número de beneficiários ao longo dos anos, apesar do esforço de revisão.

Sem o pente-fino, o quadro seria ainda mais dramático: as despesas com a política chegariam a R$ 119,4 bilhões em 2025 e alcançariam R$ 155,1 bilhões em 2028. Os cálculos foram elaborados pelo Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome e vão subsidiar a elaboração da proposta de Orçamento de 2025.

Os números constam em nota técnica enviada ao Ministério do Planejamento e Orçamento junto com a revisão das despesas deste ano, feita para o relatório de avaliação do 3º bimestre. O documento foi obtido pela reportagem após pedido com base na Lei de Acesso à Informação.

O pente-fino no BPC é uma das principais apostas da equipe econômica para alcançar o corte de R$ 25,9 bilhões em despesas obrigatórias prometido pelo ministro Fernando Haddad (Fazenda) e avalizado por Lula para fechar as contas de 2025.

A medida integra a agenda de revisão de gastos encampada também pela ministra Simone Tebet (Planejamento). Ela prometeu detalhar as novas ações, bem como os resultados que teriam sido alcançados já neste ano, o governo conta com uma economia de R$ 9 bilhões na Previdência Social e no seguro rural do Proagro para não extrapolar o limite de despesas. Até agora, porém, não houve qualquer anúncio oficial.

No fim de julho, o governo editou duas portarias com diretrizes para a revisão do BPC. As normas preveem que o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) terá de fazer um pente-fino mensal para verificar o cumprimento dos critérios de renda para acessar a política, voltada a famílias com renda de até 1/4 do salário mínimo por pessoa (equivalente a R$ 353).

Além disso, os beneficiários do BPC que não estiverem inscritos no Cadastro Único de programas sociais ou que estiverem com seu registro desatualizado há mais de 48 meses terão de regularizar a situação. O fim de brechas legais exploradas por quem pede o benefício é um dos pilares da revisão da política.

Corte chegará antes para cadastros desatualizados

Os parâmetros usados na nota técnica do Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social evidenciam, porém, que o governo já espera endurecer ainda mais esses critérios.

Um dos fatores considerados pelo governo na conta é o pente-fino de quem está com o cadastro desatualizado há mais de 24 meses. Segundo o órgão, 1,7 milhão de beneficiários estão nessa situação, dos quais 306,8 mil teriam o benefício encerrado (18% de cessação esperada). Esse é o componente mais significativo da redução de despesas, com impacto de R$ 3 bilhões em 2025.

Uma planilha mostra ainda que há 431,3 mil beneficiários fora do CadÚnico, dos quais 107,8 mil deixariam de receber o BPC (25% de cancelamentos). Há ainda a revisão dos critérios de renda, que deve alcançar 175 mil beneficiários, com o fim dos repasses para 43,75 mil deles (25%). Juntas, essas medidas poupariam R$ 1,5 bilhão no ano que vem.

Por fim, o ministério incluiu também uma revisão bienal dos benefícios do BPC, prevista em lei mas nunca executada dentro do prazo. O ministério prevê reavaliar 2 milhões de benefícios, dos quais 212 mil seriam cancelados em definitivo, rendendo uma economia de R$ 2,1 bilhões.

O governo prevê uma implementação gradual das revisões do BPC. Espera-se um cancelamento médio mensal de 55,9 mil benefícios, de janeiro a dezembro. A economia de R$ 6,6 bilhões seria o efeito acumulado das ações.

As estimativas também permitem saber quanto o órgão espera de suspensões conforme a modalidade: o governo prevê o cancelamento de 371,8 mil benefícios pagos a pessoas com deficiência e 298,6 mil concedidos a pessoas idosas de baixa renda.

Na avaliação do ministério, o pente-fino também teria impactos nos anos seguintes. Em 2026, o Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social projeta uma economia de R$ 12,8 bilhões. O ganho chegaria a R$ 13,6 bilhões em 2027 e R$ 14,3 bilhões em 2028.

Ainda assim, a despesa com o BPC deve continuar crescendo. O benefício garante o pagamento de um salário mínimo, hoje em R$ 1.412 e que terá ganhos reais nos próximos anos, assegurados pela política de valorização proposta por Lula e aprovada pelo Congresso sob críticas de especialistas.

A fórmula inclui reajuste pela inflação de 12 meses até novembro do ano anterior mais a variação do Produto Interno Bruto (PIB) de dois anos antes. Com isso, o salário mínimo deve ficar em R$ 1.509 no ano que vem, chegando a 1.783 em 2028.

Nas contas do ministério, o pente-fino deve ajudar a reduzir o número de beneficiários do BPC de 6,3 milhões no fim de 2024 para 5,91 milhões no ano que vem. Mas a quantidade de contemplados voltaria a subir nos anos seguintes, chegando a 6,17 milhões em 2026, 6,41 milhões em 2027 e 6,65 milhões em 2028 —um crescimento médio de 4% ao ano.

Sem a revisão, no entanto, o número de beneficiários alcançaria 6,6 milhões já em 2025 e chegaria a 7,3 milhões em 2028.

O gasto com o BPC é um dos que mais preocupam a equipe econômica. O programa tem hoje cerca de 6 milhões de beneficiários, dos quais 1 milhão foi incluído nos últimos dois anos.

As concessões tiveram uma aceleração considerável a partir do segundo semestre de 2022. Até então, o público do programa oscilava entre 4,6 milhões e 4,7 milhões, com pequenas variações mensais.

Em julho daquele ano, o governo habilitou 93 mil novos beneficiários. No mês seguinte, mais 90 mil. Desde então, as concessões se mantêm superiores a 50 mil por mês.

Embora houvesse um represamento de pedidos, devido à fila do INSS, técnicos do governo veem uma situação de descontrole. Integrantes da equipe econômica têm uma visão otimista do pente-fino e acreditam que ele pode render uma economia até maior que os R$ 6,6 bilhões projetados.

Ainda assim, a despesa com o benefício tende a ficar em R$ 112,8 bilhões no ano que vem, chegando a R$ 140,8 bilhões em 2028, puxada pela valorização do salário mínimo e pelo aumento no número de beneficiários ao longo dos anos, apesar do esforço de revisão.

Sem o pente-fino, o quadro seria ainda mais dramático: as despesas com a política chegariam a R$ 119,4 bilhões em 2025 e alcançariam R$ 155,1 bilhões em 2028. Os cálculos foram elaborados pelo Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome e vão subsidiar a elaboração da proposta de Orçamento de 2025.

Os números constam em nota técnica enviada ao Ministério do Planejamento e Orçamento junto com a revisão das despesas deste ano, feita para o relatório de avaliação do 3º bimestre. O documento foi obtido pela reportagem após pedido com base na Lei de Acesso à Informação.

O pente-fino no BPC é uma das principais apostas da equipe econômica para alcançar o corte de R$ 25,9 bilhões em despesas obrigatórias prometido pelo ministro Fernando Haddad (Fazenda) e avalizado por Lula para fechar as contas de 2025.

A medida integra a agenda de revisão de gastos encampada também pela ministra Simone Tebet (Planejamento). Ela prometeu detalhar as novas ações, bem como os resultados que teriam sido alcançados já neste ano, o governo conta com uma economia de R$ 9 bilhões na Previdência Social e no seguro rural do Proagro para não extrapolar o limite de despesas. Até agora, porém, não houve qualquer anúncio oficial.

No fim de julho, o governo editou duas portarias com diretrizes para a revisão do BPC. As normas preveem que o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) terá de fazer um pente-fino mensal para verificar o cumprimento dos critérios de renda para acessar a política, voltada a famílias com renda de até 1/4 do salário mínimo por pessoa (equivalente a R$ 353).

Além disso, os beneficiários do BPC que não estiverem inscritos no Cadastro Único de programas sociais ou que estiverem com seu registro desatualizado há mais de 48 meses terão de regularizar a situação. O fim de brechas legais exploradas por quem pede o benefício é um dos pilares da revisão da política.

Corte chegará antes para cadastros desatualizados

Os parâmetros usados na nota técnica do Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social evidenciam, porém, que o governo já espera endurecer ainda mais esses critérios.

Um dos fatores considerados pelo governo na conta é o pente-fino de quem está com o cadastro desatualizado há mais de 24 meses. Segundo o órgão, 1,7 milhão de beneficiários estão nessa situação, dos quais 306,8 mil teriam o benefício encerrado (18% de cessação esperada). Esse é o componente mais significativo da redução de despesas, com impacto de R$ 3 bilhões em 2025.

Uma planilha mostra ainda que há 431,3 mil beneficiários fora do CadÚnico, dos quais 107,8 mil deixariam de receber o BPC (25% de cancelamentos). Há ainda a revisão dos critérios de renda, que deve alcançar 175 mil beneficiários, com o fim dos repasses para 43,75 mil deles (25%). Juntas, essas medidas poupariam R$ 1,5 bilhão no ano que vem.

Por fim, o ministério incluiu também uma revisão bienal dos benefícios do BPC, prevista em lei mas nunca executada dentro do prazo. O ministério prevê reavaliar 2 milhões de benefícios, dos quais 212 mil seriam cancelados em definitivo, rendendo uma economia de R$ 2,1 bilhões.

O governo prevê uma implementação gradual das revisões do BPC. Espera-se um cancelamento médio mensal de 55,9 mil benefícios, de janeiro a dezembro. A economia de R$ 6,6 bilhões seria o efeito acumulado das ações.

As estimativas também permitem saber quanto o órgão espera de suspensões conforme a modalidade: o governo prevê o cancelamento de 371,8 mil benefícios pagos a pessoas com deficiência e 298,6 mil concedidos a pessoas idosas de baixa renda.

Na avaliação do ministério, o pente-fino também teria impactos nos anos seguintes. Em 2026, o Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social projeta uma economia de R$ 12,8 bilhões. O ganho chegaria a R$ 13,6 bilhões em 2027 e R$ 14,3 bilhões em 2028.

Ainda assim, a despesa com o BPC deve continuar crescendo. O benefício garante o pagamento de um salário mínimo, hoje em R$ 1.412 e que terá ganhos reais nos próximos anos, assegurados pela política de valorização proposta por Lula e aprovada pelo Congresso sob críticas de especialistas.

A fórmula inclui reajuste pela inflação de 12 meses até novembro do ano anterior mais a variação do Produto Interno Bruto (PIB) de dois anos antes. Com isso, o salário mínimo deve ficar em R$ 1.509 no ano que vem, chegando a 1.783 em 2028.

Nas contas do ministério, o pente-fino deve ajudar a reduzir o número de beneficiários do BPC de 6,3 milhões no fim de 2024 para 5,91 milhões no ano que vem. Mas a quantidade de contemplados voltaria a subir nos anos seguintes, chegando a 6,17 milhões em 2026, 6,41 milhões em 2027 e 6,65 milhões em 2028 —um crescimento médio de 4% ao ano.

Sem a revisão, no entanto, o número de beneficiários alcançaria 6,6 milhões já em 2025 e chegaria a 7,3 milhões em 2028.

O gasto com o BPC é um dos que mais preocupam a equipe econômica. O programa tem hoje cerca de 6 milhões de beneficiários, dos quais 1 milhão foi incluído nos últimos dois anos.

As concessões tiveram uma aceleração considerável a partir do segundo semestre de 2022. Até então, o público do programa oscilava entre 4,6 milhões e 4,7 milhões, com pequenas variações mensais.

Em julho daquele ano, o governo habilitou 93 mil novos beneficiários. No mês seguinte, mais 90 mil. Desde então, as concessões se mantêm superiores a 50 mil por mês.

Embora houvesse um represamento de pedidos, devido à fila do INSS, técnicos do governo veem uma situação de descontrole. Integrantes da equipe econômica têm uma visão otimista do pente-fino e acreditam que ele pode render uma economia até maior que os R$ 6,6 bilhões projetados.

Folha de S.Paulo

Brasil e Chile firmam parceria para cooperação no setor espacial


Assinatura do acordo teve as presenças dos presidentes Lula e Boric
 (foto: Ricardo Stuckert/PR)
Assinatura do acordo teve as presenças dos presidentes Lula e Boric (foto: Ricardo Stuckert/PR)

Lula destacou, durante a cerimônia de assinatura, que a indústria espacial é estratégica para o desenvolvimento dos países

Um acordo de cooperação espacial para fins pacíficos que prevê, entre outros, o intercâmbio de informação em ciência, tecnologia e inovação para o desenvolvimento de iniciativas conjuntas no setor, foi assinado por Brasil e Chile, nesta terça-feira (06), durante a cerimônia de lançamento da pedra fundamental do Centro Espacial Nacional, em Santiago, com as presenças dos presidentes do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, e do Chile, Gabriel Boric.

Lula destacou que o setor espacial é estratégico para o desenvolvimento dos países e lembrou a desigualdade que existe nesta área. Para ele, a prática no “mundo desenvolvido” costuma ser de “correr ao topo” e “chutar a escada” para que os outros não a alcancem, afirmou o presidente brasileiro, em seu discurso.

“A cooperação entre os países do [Hemisfério] Sul tem potencial para reverter essa desvantagem. Juntos poderemos multiplicar a capacidade de erguer a nossa própria escada. Mas, para que os benefícios do desenvolvimento espacial sejam compartilhados por todos, é imprescindível que sejam fomentados em um marco sólido de políticas públicas. Os devaneios de milionários que preferem colonizar Marte a cuidar da Terra não substitui a ação e a orientação do Estado”, disse.

“Não há atividade, hoje, que não demande e infraestrutura espacial. As comunicações, a geração de energia, a navegação e mesmo o enfrentamento à mudança do clima dependem muito do espaço. Apesar de sua importância, o setor específico espacial é uma das áreas em que a desigualdade entre os países é mais gritante. O controle de exportação de componentes e insumos tecnológicos, restrições de acesso e limitações financeiras impactam desmesuradamente o Sul Global [países em desenvolvimento do hemisfério Sul]”, acrescentou Lula.

O presidente ressaltou, ainda, a retomada dos investimentos na indústria espacial brasileira e lembrou da expertise do país na área de satélites e coleta de dados, que, agora, será compartilhada com o Chile. Segundo Lula, o setor espacial do brasileiro foi negligenciado nos últimos anos pelo governo. Mas, com a retomado do investimento, esse cenário vai mudar. “Agora, retomamos um investimento por meio de encomenda tecnológica no valor de R$ 300 milhões. Vamos fortalecer a indústria espacial e gerar os empregos e a renda necessária”, disse.

Ele disse ainda que o seu governo conseguiu desenvolver “um ecossistema de pesquisa tecnológica e aplicações espaciais robustos, temos instituições de excelência como o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais [Inpe], às quais se somam universidades e um setor privado inovador. É motivo de orgulho compartilhar a experiência institucional brasileira com o jovem Ministério da Ciência e Tecnologia, Conhecimento e Inovação chileno, criado em 2018”, completou.

O Centro Espacial Nacional do Chile será construído no Parque Bicentenário de Cerrillos, na região metropolitana de Santiago, e fará parte do Sistema Nacional de Satélites. O empreendimento contará com um laboratório especializado na fabricação de satélites e cargas úteis, um centro de empreendedorismo e inovação espacial, um centro de controle de missão espacial e um centro de processamento e análise de dados geoespaciais.

Agenda

Lula está em visita oficial ao Chile e foi recebido, nessa segunda-feira (5), pelo presidente Boric, no Palácio de La Moneda, na capital chilena. Os dois países assinaram diversos acordos e outros atos com o objetivo de diversificar as relações bilaterais. O presidente também participou do encerramento do Fórum Empresarial Brasil-Chile promovido pela Apex-Brasil e que reuniu cerca de 500 empresários de ambos os países.

Na manhã de hoje, Lula se encontrou com a prefeita de Santiago, Irací Hassler, e com o ex-presidente chileno Ricardo Lagos. A volta da comitiva presidencial para o Brasil está prevista para esta tarde.

Por: Agência Brasil

Queda na cesta básica em julho alivia consumidores em Pernambuco

Procon-Pe aponta redução da cesta básica

A mais recente pesquisa de preços do Procon-PE, vinculada à Secretaria de Justiça, Direitos Humanos e Prevenção à Violência (SJDH), trouxe um alívio para os consumidores pernambucanos. Em julho, o valor médio da cesta básica caiu 1,24%, passando de R$ 659,47 em junho para R$ 651,29. Esta redução representa 46,13% do salário mínimo atual de R$ 1.412,00.

Variação

A pesquisa revelou variações expressivas nos preços de diversos produtos. O sabão em pó de 500 gramas, por exemplo, mostrou uma discrepância de 333,91%, com preços que variam de R$ 1,15 a R$ 4,99. A esponja de lã de aço também apresentou grandes variações, com preços oscilando entre R$ 1,39 e R$ 4,15, uma diferença de 198,56%.

No setor alimentício, a fubá de milho de 500 gramas teve uma variação de 262,63%, com valores de R$ 0,99 a R$ 3,59. A farinha de mandioca torrada também destacou-se, com uma diferença de 223,50%, variando de R$ 3,49 a R$ 11,29 por quilo.

Os produtos de higiene pessoal não ficaram atrás em termos de variação. O pacote de papel higiênico de 30 metros e quatro unidades teve uma diferença de 246,86%, com preços entre R$ 2,39 e R$ 8,29. O sabonete de 70 gramas mostrou uma variação de 232,32%, com valores de R$ 0,99 a R$ 3,29.

Queda

Entre os itens que apresentaram redução de preço, destacam-se o quilo da cebola, que caiu 20,79%, passando de R$ 8,61 para R$ 6,82. A bandeja com 30 ovos brancos teve uma diminuição de 6,81%, de R$ 19,67 para R$ 18,33. O quilo do frango inteiro também registrou uma queda de 4,25%, passando de R$ 11,07 para R$ 10,60.

A pesquisa abrangeu um total de 27 itens, incluindo alimentos, produtos de limpeza e higiene pessoal, em 26 supermercados localizados nas cidades do Recife, Jaboatão dos Guararapes, Olinda, Camaragibe e Paulista. Para mais informações, a pesquisa completa está disponível no site do Procon-PE: www.procon.pe.gov.br.

REFORMA TRIBUTÁRIA: Prestes a ser votada no Senado, regulamentação é vista como complexa e impraticável por governador Caiado

Foto: Reprodução Secom Goiás

Chefe do executivo de Goiás acredita que reforma vai tirar independência dos estados e governadores viverão de “mesada”

O governador de Goiás, Ronaldo Caiado, chegou a dizer em 2023: “ela não passará” — se referindo à reforma tributária. Mas no apagar das luzes do Congresso no ano passado, a EC 132/23 foi promulgada, contrariando as crenças do chefe do executivo de Goiás. Com o texto substitutivo já aprovado pela Câmara e agora prestes a ser apreciado pelo Senado, Caiado — em entrevista ao jornal O Estado de S. Paulo — criticou vários pontos da reforma e acredita que ela “não terá aplicabilidade na vida real”.

Uma das principais críticas está no Imposto sobre Bens e Serviços, o IBS — que será a unificação dos atuais ISS e ICMS recolhidos por estados e municípios. E que para Caiado é “algo impossível de ser aplicado”. O governador entende que “não se faz uma mudança que envolve mais de 5,5 mil prefeituras de 26 estados e um Distrito Federal dentro de uma emenda constitucional, que diz que as prerrogativas dos governadores serão secundárias e que um comitê gestor vai deliberar sobre a partilha da arrecadação aos municípios e aos Estados.”

Comitê gestor “super poderoso”

Para administrar o IBS — imposto arrecadado por estados e municípios — será criado o Comitê Gestor do IBS. Trata-se de um comitê que vai fazer a arrecadação, a compensação de débitos e créditos, a distribuição de receitas para os entes. E que, na opinião de Caiado, o representante desse comitê “vai ter mais poder do que o governador”, reclama.

“Ele é quem vai avisar o governador: sua mesada chega amanhã e vai ser de tantos milhões de reais. Eu apresentei um plano de governo, fui eleito, encontrei um Estado quebrado, endividado, que não conseguia fazer empréstimos, e hoje Goiás é um Estado com equilíbrio fiscal, progrediu, tem dinheiro em caixa, tem investimento, tem saúde e educação. E aí vou ter de governar com uma mesada”, avalia o governador de Goiás.

O advogado tributarista e sócio do Toledo Marchetti Advogado, Luis Claudio Yukio Vatari, concorda com o pensamento de Caiado, avaliando a situação econômica do estado que ele representa.

“Ele está num estado que possivelmente vai ser muito impactado pela arrecadação própria, ele vai depender muito de repasses, por isso eu concordo com o que ele diz sobre essa questão.”

Brigas na justiça 

Outra crítica de Caiado está no que tange às ações na justiça decorrentes do IBS. Para ele, “vai ser a maior judicialização que já se viu no mundo quando o IBS começar a funcionar. Nós vamos ter os 5.568 municípios e os 26 Estados mais o Distrito Federal com ações no Supremo Tribunal Federal”, prevê.

“Vão reclamar do valor de repasse da arrecadação, vão alegar que uns ganham mais do que outros, vão questionar a responsabilidade do comitê gestor. Eu acho que essa proposta do governo é infeliz, é concentradora sobre Brasília, retira 100% da representatividade, da capacidade de gestão e de governança dos governadores e dos prefeitos e transfere para aquilo que chamei inicialmente de ‘Comitê Venezuelano’. Simplesmente vai ficar na mão deles a distribuição de R$ 1 trilhão. Quem gerir o comitê terá o cargo mais importante do País”, diz Caiado.

O advogado Yukio Vatari concorda que haverá aumento de ações na justiça e critica o modelo que foi usado para a base do IBS.

“A gente pegou o tributo mais complexo, que é o ICMS, e estamos usando ele como modelo para fazer tudo. Aqui no meu escritório, já temos teses preparadas para os clientes mesmo sem ter a legislação pronta. E não é só meu escritório, a maior parte dos escritórios que trabalham com [reforma] tributária já viram falhas, abusos e outras questões de ordem procedimental junto ao Congresso.”

O texto substitutivo está no Senado e deve começar a ser apreciado na volta do recesso, agora em agosto. Sobre as possíveis mudanças que o texto poderia vir a sofrer no Senado, Caiado afirma que “a partir da aprovação da PEC (em dezembro de 2023), essas mudanças são apenas acessórios e não vão alterar as sequelas que já implantou em termos de consequências reais à população. Não adianta querer tratar uma fratura exposta com band aid.”