Governo de Pernambuco envia 119 estudantes da rede estadual para intercâmbio no Canadá

O Governo de Pernambuco, por meio da Secretaria Estadual de Educação (SEE), realiza o primeiro embarque do Programa Ganhe o Mundo (PGM) para o Canadá. Nesta primeira leva, 119 estudantes de diversas regiões do Estado seguem viagem pelo Aeroporto Internacional dos Guararapes, com destino a Toronto, Vancouver e Calgary, para passar 18 semanas aperfeiçoando um segundo idioma por meio da vivência prática. As partidas têm início às 9h, com 75 estudantes viajando na sexta-feira e 44 no sábado.

“Ver nossos estudantes embarcando para o Canadá é motivo de orgulho. Estamos muito felizes em proporcionar essa oportunidade para que eles possam vivenciar novas culturas e aperfeiçoar um segundo idioma. O Programa Ganhe o Mundo reforça o compromisso do Governo de Pernambuco com a educação de qualidade, preparando nossos jovens para um futuro cheio de oportunidades e experiências internacionais”, enfatizou a governadora Raquel Lyra.

Neste mês, 219 estudantes do ensino médio da rede pública de Pernambuco embarcarão para o intercâmbio, garantindo pelo menos um representante de cada município do Estado. Os próximos voos estão previstos para os dias 28 e 29 de novembro, e todos os participantes receberão seus certificados de conclusão ao final da experiência. Ao todo, 700 estudantes da rede estadual viajarão para o Canadá, em embarques que ocorrerão entre os meses de novembro, dezembro e janeiro.

O secretário de Educação, Gilson Monteiro, destacou que o impacto do programa está na formação integral dos jovens. “Acreditamos que todos os estudantes devem ter a oportunidade não apenas de participar de um intercâmbio, mas também de se capacitar, se qualificar, conhecer novas culturas e retornar com experiências que fortaleçam nossa educação. Esses jovens voltam como monitores, certificados, aptos a dar continuidade a esse trabalho e a engrandecer ainda mais a educação do nosso Estado”, explica o titular da pasta.

Em todo o trajeto Recife–Canadá, os estudantes serão acompanhados pela equipe da SEE e pelos coordenadores da empresa ONE Operadora. Ao desembarcarem no Canadá, os alunos receberão orientações sobre as normas do programa, o período de adaptação e a rotina escolar que irão vivenciar. Após as instruções, os jovens seguirão para as casas das respectivas famílias anfitriãs, que os acolherão durante todo o intercâmbio.

GANHE O MUNDO – Por meio do PGM, 191 estudantes da rede estadual viajaram para o Chile em 2025. Além da oportunidade de estudar em outro país, o programa de intercâmbio do Governo de Pernambuco oferece aos jovens seguro saúde internacional, acomodação em casas de família (host family) com todas as refeições incluídas e uma bolsa mensal de R$ 1.620. Todos os estudantes que participam da iniciativa também recebem malas de viagem.

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Queda de energia após incêndio em poste em Afogados da Ingazeira

Um poste incendiou e provocou um barulho altíssimo nas proximidades do loteamento de Pedro Marceneiro, próximo ao novo cemitério de Afogados da Ingazeira.

Logo em seguida, toda a região ficou sem energia, afetando também áreas próximas, como parte da Cohab e outras localidades.

A previsão de retorno era de 3h da manhã. Porém voltou por volta das 00h17.

Por Romero Moraes

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Ator foi preso em flagrante no Recife por armazenar material com cenas de abuso sexual infantil

Um ator e produtor de eventos foi preso em flagrante, na Zona Norte do Recife, pela Polícia Federal em Pernambuco, por armazenamento de conteúdo pornográfico de abuso sexual infantil.

Deflagrada na quarta (19) e divulgada na noite de ontem (20), a operação também cumpriu dois mandados de busca e apreensão.

Segundo a PF-PE, equipes participaram da Operação Desenrolado, que combate a prática de possíveis crimes de armazenamento, divulgação e produção de imagens e vídeos contendo cenas de abuso sexual infantil.

Ainda conforme a PF, as investigações se referem a dois inquéritos policiais diferentes, iniciados em 2024.

O ator preso tem 46 anos. Os mandados de busca e apreensão foram cumpridos em Campo Grande e Ilha Joana Bezerra, no Recife. O objetivo é realizar a apreensão de computadores, notebooks, celulares e mídias com potencial de armazenamento de imagens e vídeos contendo cenas de abuso sexual de menores.

Dependendo dos resultados das diligências e dos exames periciais nos materiais apreendidos, os investigados responderão pela prática dos crimes de armazenamento, divulgação e produção de material de abuso sexual infantil. Somadas, as penas podem variar de 8 a 18 anos de reclusão.

Todo o material apreendido em cumprimento aos dois mandados de busca e apreensão será submetido a exame pericial com vistas a encontrar evidências dos crimes relacionados ao abuso sexual infantil por meio da internet.

Extorsão

Em um dos casos, o investigado pode vir também pelo crime de extorsão, haja vista os indícios de que, após conseguir, com desenvoltura e malícia, convencer um adolescente estrangeiro a expor a genitália e o rosto numa mesma imagem, passou a chantageá-lo, ameaçando arruinar a vida e a carreira do jovem, por meio da divulgação das imagens produzidas, caso não recebesse pagamento.

Lei

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Programas sociais: governo define prazos para biometria de beneficiários

Novos beneficiários de programas sociais terão que cadastrar biometria até maio de 2026 - (crédito: Fernanda Strickland)

O Ministério da Gestão e Inovação em Serviços Públicos (MGI) anunciou, nesta quarta-feira (19/11), as novas regras para a implementação gradual da biometria obrigatória em benefícios sociais. A exigência vale, inicialmente, para quem solicitar novos benefícios do INSS e do Benefício de Prestação Continuada (BPC) e deverá ser cumprida até 1º de maio de 2026.

De acordo com o governo, não haverá bloqueio automático nem necessidade de comparecimento imediato às unidades de atendimento. A ideia é que o processo ocorra de forma escalonada, sem prejudicar o acesso de quem tem direito aos programas.

A ministra Esther Dweck ressaltou que o país já possui uma ampla base de biometria consolidada. Mais de 150 milhões de brasileiros têm dados cadastrados em sistemas como o do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), da Carteira Nacional de Habilitação (CNH) e da nova Carteira de Identidade Nacional (CIN). Entre os beneficiários do CadÚnico, 84% já possuem biometria registrada.

Dweck explicou que o governo realizará uma busca ativa para avisar novos beneficiários da necessidade de cadastramento. Após maio de 2026, quem pedir um novo benefício precisará ter biometria registrada em alguma base oficial — e, gradualmente, a emissão da Carteira de Identidade Nacional será exigida. A partir de 1º de janeiro de 2028, a CIN se tornará obrigatória para todos os beneficiários dos programas sociais.

Segundo a ministra, alguns grupos estarão dispensados da exigência, como pessoas com mais de 80 anos; migrantes, refugiados e apátridas; residentes no exterior; e cidadãos com dificuldades de deslocamento por motivos de saúde ou deficiência. A ministra reforçou que o objetivo da medida é evitar fraudes, sem restringir o acesso de quem tem direito. “Queremos que quem não tem direito deixe de receber, jamais tirar de alguém que tem direito”, afirmou Dweck.

Implementação gradual

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TCE-PE elege Carlos Neves como novo presidente do biênio 2026-2027

Autorização foi dada pelo conselheiro Carlos Neves./Foto: Tarciso Augusto/Esp. DP.
Autorização foi dada pelo conselheiro Carlos Neves. (Foto: Tarciso Augusto/Esp. DP.)

Eleito por aclamação em sessão nesta quarta-feira (19), o conselheiro sucederá o atual presidente Valdecir Pascoal

O Tribunal de Contas de Pernambuco (TCE-PE) elegeu, nesta quarta-feira (19), Carlos Neves como novo presidente da instituição durante o biênio 2026-2027. Eleito por aclamação na sessão, o conselheiro sucederá o atual presidente Valdecir Pascoal.

Uma vez eleito, Neves discursou agradecendo a confiança dos pares e falou de sua trajetória no Tribunal.
“Eu tenho muito orgulho de ser conselheiro do Tribunal de Contas de Pernambuco. Com a ajuda dos meus colegas e de todos os servidores da Casa, que muito contribuíram para eu estar aqui, espero contribuir com o aprimoramento da nossa atuação e, em última instância, com a melhoria da vida dos pernambucanos”, destacou.

Pascoal saudou seu substituto e falou de atributos técnicos e pessoais de Neves, a quem chamou de “amigo”.

“É uma honra ver um amigo, com quem tenho tantas afinidades, chegar pela primeira vez ao posto mais alto do Tribunal de Contas de Pernambuco. Carlos Neves tem sólida formação acadêmica e experiência no sistema de controle externo brasileiro. É um conhecedor do Direito, uma pessoa que respeita o contraditório, com enorme capacidade de diálogo e firmeza sem autoritarismo”, destacou.

Na nova gestão, que será assumida a partir de janeiro, a mesa diretora terá o conselheiro Marcos Loreto como vice-presidente, além dos conselheiros Dirceu Rodolfo, como corregedor; Eduardo Porto, como diretor da Escola de Contas; e Rodrigo Novaes, como ouvidor.

A Primeira Câmara será presidida pelo conselheiro Ranilson Ramos e a Segunda pelo conselheiro Valdecir Pascoal.

Perfil

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Trump enfrenta momento crucial com iminente publicação de arquivos do caso Epstein

Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump /ANDREW CABALLERO-REYNOLDS / AFP Copiar
Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump (ANDREW CABALLERO-REYNOLDS / AFP Copiar)

Trump e Epstein foram próximos desde o fim dos anos 1980 até se distanciarem no início dos anos 2000

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, recebe nesta quarta-feira (19), para promulgação, uma legislação que obriga seu governo a tornar públicos todos os documentos sobre Jeffrey Epstein, mas persiste a incerteza sobre se ele os divulgará integralmente ou tentará enterrar o caso.

O texto aprovado na terça-feira concede um mês ao Departamento de Justiça para divulgar todos os arquivos não classificados que possua sobre o financista nova-iorquino, que morreu na prisão em 2019 antes de ser julgado por crimes sexuais.

“Uma vez que o presidente assine o texto, ele deve aplicá-lo e executá-lo fielmente”, instou o líder da minoria democrata no Senado, Chuck Schumer, que advertiu contra qualquer “manobra por parte de Donald Trump”.

O suicídio de Epstein em sua cela alimentou inúmeras teorias da conspiração, segundo as quais o financista, com vastas relações nos círculos políticos, empresariais e do entretenimento, teria sido assassinado para evitar revelações embaraçosas.

Depois de prometer durante a campanha presidencial de 2024 revelações impactantes, Trump tem instado seus partidários a virar a página desde seu retorno ao poder em janeiro, e classifica o caso como uma “farsa” da oposição democrata.

Recentemente, reiterou que não tem “nada a ver com Jeffrey Epstein” e que o “expulsou” de Mar-a-Lago, seu luxuoso clube na Flórida, porque ele era “um pervertido doente”.

“Nada a esconder”

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Câncer de próstata: Laerte amplia debate sobre riscos para mulheres trans

No documentário, Laerte aborda questões sobre 'o que é ser mulher'. Foto: Netflix/Divulgação/
No documentário, Laerte aborda questões sobre ‘o que é ser mulher’. Foto: Netflix/Divulgação ()

Diagnosticada há cerca de 20 anos com uma condição prostática benigna, Laerte só descobriu o câncer mais tarde e defende maior acesso à informação

Após ser diagnosticada com câncer de próstata e passar pela cirurgia de remoção do órgão em setembro de 2023, a cartunista Laerte Coutinho usou uma entrevista à Folha de S. Paulo para fazer um alerta importante sobre a importância de incluir mulheres trans na conscientização da doença, que também pode afetá-las.

O risco existe porque a próstata não é removida durante a transição de gênero e, portanto, continua suscetível ao câncer. “Mulheres trans precisam entender que possuem próstata e possuem um organismo que precisa ser cuidado de forma adequada”, afirmou Laerte.

Há cerca de 20 anos, ela foi diagnosticada com hiperplasia prostática benigna, uma condição não cancerosa caracterizada pelo aumento da próstata. Esse crescimento comprime a uretra, dificultando o fluxo urinário e causando dores intensas.

O Diario de Pernambuco procurou o médico urologista Antônio Douglas, membro da Sociedade Brasileira de Oncologia, para detalhar os aspectos clínicos do caso. “A prostatectomia foi indicada por se tratar de doença localizada, com altíssima chance de cura”, explica.

Quanto à presença do órgão nessas pacientes, o médico detalha que, durante a cirurgia de redesignação sexual, são removidos os testículos e construída uma neovagina, mas a próstata geralmente é preservada. “O órgão continua existente no corpo da mulher trans e, com o decorrer da idade, os fatores genéticos e a imunossenescência – que é o declínio da imunidade com a idade – permitem que algumas células neoplásicas possam se desenvolver”, comenta o médico.

Entre os principais fatores de risco para a doença, estão a idade (principalmente a partir dos 50 anos), histórico familiar, etnia (com maior incidência em pessoas negras), obesidade, sedentarismo e tabagismo. Esses elementos são universais e, portanto, também se aplicam às mulheres trans.

No entanto, o especialista chama a atenção para o acesso à informação e ao acolhimento no sistema de saúde. “Muitas mulheres trans podem ter medo ou não se sentir acolhidas para procurar um urologista e realizar o rastreamento para o câncer de próstata”, afirma. Sem a realização do rastreamento preventivo, existe o risco de a doença ser diagnosticada em estágios mais avançados, quando o tratamento se torna mais complexo.

A boa notícia, segundo o urologista, é que o tratamento é igualmente eficaz para todas as pessoas. “Na doença localizada, pode-se fazer cirurgia ou radioterapia. Nos casos de doença metastática, as opções incluem bloqueio hormonal, quimioterapia, radioterapia ou mesmo cirurgia, além dos tratamentos mais recentes, como imunoterapia”, afirma.

Por Allan Lopes

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Mãe é presa suspeita de mandar matar a filha de 24 anos por herança em PE

O corpo de Allany Rayanne Santos, de 24 anos, foi encontrado na última segunda-feira (17) na casa onde ela morava • Reprodução/Redes sociais

Crime ocorreu na casa da vítima em Caruaru, no Agreste do estado; homem que executou o assassinato também foi preso

Uma mulher foi presa em Caruaru (PE), nesta terça-feira (18), suspeita de ser a mandante do assassinato da própria filha, Allany Rayanne Santos, de 24 anos.

O corpo da jovem foi encontrado com as mãos amarradas e sinais de agressão física na casa onde morava, na segunda-feira (17). Segundo as investigações, o crime teria sido motivado por uma herança que Allany havia recebido do avô materno.

De acordo com o delegado de homicídios Eric Costa, o homem apontado como executor do crime foi localizado na manhã seguinte ao assassinato. Inicialmente, ele negou participação, mas, ao ser confrontado com um vídeo que o flagrava no local, confessou o homicídio e afirmou que a mãe da jovem havia planejado o crime.

“Ele prestou esclarecimento, confessou a prática do crime e imputou a mãe da vítima a autoria intelectual do crime”, disse o delegado. À polícia, o suspeito contou que mantinha um relacionamento amoroso com a mãe de Allany.

Segundo a polícia, a motivação seria financeira: além de valores em dinheiro, a herança incluía imóveis da família no litoral de Pernambuco.

Em nota, a PCPE (Polícia Civil de Pernambuco) confirmou a prisão em flagrante dos dois suspeitos e informou que mais detalhes serão divulgados em momento oportuno. A reportagem tenta localizar a defesa da mãe de Allany.

CNN

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Governadora Raquel Lyra anuncia que fará novo concurso público para polícia em Pernambuco

A governadora Raquel Lyra anunciou que novos concursos públicos serão realizados para reforçar a segurança pública em Pernambuco. A declaração foi feita durante solenidade, em frente ao Palácio do Campo das Princesas, na área central do Recife, para entrega de novos equipamentos para as polícias.

“Nomeamos semana passada mais de 400 policiais civis. Já nomeamos cerca de 2,4 mil policiais militares, cerca de 300 bombeiros. Agora em novembro vamos fazer mais nomeações e, até abril [de 2026], vamos estar com mais 7 mil novos policiais contratados no Estado. E já estamos contratando bancas para fazer novos concursos para permitir que o recompletamento de quadros seja permanente, como deve ser”, afirmou Raquel Lyra.

A governadora não falou em cronograma, nem em número de vagas.

Atualmente, candidatos aprovados estão realizando cursos de formação para as polícias Civil e Militar do Estado. Trata-se da segunda turma convocada para cada uma das corporações, que estão com déficit histórico de profissionais.

A confirmação da governadora de que realizará novos concursos públicos deve por fim às expectativas de candidatos que torciam para a possibilidade de a gestão estadual convocar uma terceira turma para formação nas polícias Civil e Militar – algo que publicamente nunca foi cogitado pelo governo.

 

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O país diante do espelho: por que ainda é preciso criar consciência negra?

Criar consciência é transformar condições de existência, não apenas reconhecer desigualdades
Criar consciência é transformar condições de existência, não apenas reconhecer desigualdades – Agência Brasil

No 20 de novembro, o Brasil revisita o que tenta não enxergar — o Zumbi, o quilombo, a resistência e a ferida aberta que ainda estrutura o presente

No Dia da Consciência Negra, o Brasil encara uma questão que insiste em atravessar séculos: o que significa criar consciência em uma sociedade que ainda convive com desigualdades assentadas do período escravista?

Estabelecido em 20 de novembro, o dia não nasceu de decreto. Ele surgiu da mobilização do movimento negro, que escolheu a morte de Zumbi dos Palmares como símbolo de uma liberdade construída pela resistência coletiva, não pela assinatura de uma lei.

Agência Brasil
A memória de Zumbi segue como símbolo de uma luta que o país ainda tenta silenciar – Agência Brasil

O 13 de maio registrou a abolição formal, mas a escolha de novembro recorda um processo mais profundo. Reconhece a luta ativa de milhares de pessoas que criaram quilombos, articularam fugas, construíram comunidades e desafiaram um sistema que as tentava silenciar.

A consciência negra emerge desse gesto de reposicionar a história e de revelar o que ficou fora da narrativa, confrontando a ideia de que a desigualdade racial é um capítulo encerrado.

O espelho e o reflexo

Uma pesquisa de 2024 do Instituto Locomotiva e da QuestionPro mostra que o Dia da Consciência Negra tem o apoio de 76% dos brasileiros. A maioria dos entrevistados afirma considerar a data importante, reconhecendo a necessidade de discussão do racismo e de defesa do feriado nacional.

Agência Brasil
A maioria dos brasileiros afirma apoiar o Dia da Consciência Negra, mas o desafio real é transformar consenso em prática – Agência Brasil

O contraste, porém, revela uma contradição do Brasil: como pode a maioria da população apoiar uma data que existe justamente porque o país segue produzindo os mesmos casos diários de violência racial? Talvez porque o consenso sobre a data não se traduz em prática, ou seja, o país olha o espelho, mas evita o reflexo.

O que é criar consciência?

Criar consciência não é uma noção abstrata. Ela inicia no dia a dia e nas mudanças de hábitos naturalizados que passam despercebidos por olhares desatentos. O professor de Filosofia Salviano Feitoza afirma que esse processo nasce de perguntas simples.

“Eu escuto pessoas negras? Eu assisto filmes protagonizados por pessoas negras, e não em situações de subalternidade?”. Segundo ele, esses questionamentos produzem análises que desestabilizam porque expõem uma ausência tratada como neutra.

Waneska Viana, mestre em Educação, Cultura e Identidades e integrante do Coletivo Filhas do Vento, amplia essa ideia ao afirmar que consciência implica reconhecer disputas históricas e políticas. Ela enfatiza que “é preciso conscientizar para entender que a população negra está reivindicando direitos historicamente negados”.

Para ela, não se trata apenas de olhar para o passado, mas de entender como ele se projeta no presente, compreendendo também a importância da população negra na história do país, para além do que é lido em livros escolares de história.

O racismo que organiza o cotidiano

No Brasil, o racismo não aparece apenas em ofensas explícitas. Ele se manifesta no detalhe, na vigilância seletiva, na surpresa diante da competência, na violência policial e no racismo ambiental.

Salviano descreve esse mecanismo como um tecido difícil de notar, mas decisivo, já que “existe todo um contexto racista que está nas práticas mais sutis do cotidiano”. Essas sutilezas não são inofensivas, pois moldam trajetórias e subjetividades, especialmente na primeira infância.

Porém, para o filósofo, reconhecer o problema não basta, uma vez que “ter apenas a consciência de onde as pessoas negras estão na nossa vida é apenas um aspecto: é preciso transformar as condições materiais de existência”.

Sem ação concreta, a consciência se esvazia e a história vira estória, ou seja, deixa de ser um processo real de transformação e se torna apenas um relato simbólico, sem força para alterar a vida das pessoas.

Agência Brasil
As práticas racistas que estruturam o cotidiano vão do detalhe imperceptível ao silenciamento explícito – Agência Brasil

Feridas que moldam subjetividades

Quando se fala de subjetividades da existência negra, as marcas do racismo ultrapassam estatísticas e se alojam na identidade.

Waneska observa como isso atinge crianças negras muito cedo, influenciando na base a forma como essas crianças passam a compreender o próprio valor. Ela afirma que “o racismo elimina a subjetividade das pessoas, elimina a confiança, elimina a identidade”.

Esse efeito psicológico silencioso, contínuo e profundo criou indivíduos intrinsecamente atravessados pela insegurança e pelo sentimento de não pertencimento, elementos produzidos pelo próprio racismo.

Nesse sentido, se faz fundamental “reforçar a defesa por políticas públicas estruturadas, sejam elas a educação antirracista, ações afirmativas e espaços de acolhimento”, como afirma Salviano.

Conscientizar, nesse caso, também significa criar condições para que essas identidades possam existir, sem diminuir suas existências e potencialidades.

A mulher negra e a interseção da existência

Entre as desigualdades estruturais, a mulher negra ocupa um lugar particularmente marginalizado e, ao mesmo tempo, central. Ela sustenta famílias, comunidades e redes de cuidado mas, ao mesmo tempo, é quem mais sofre quando o Estado falha.

Para especialistas, a repetição desse padrão não é acidental, já que é um efeito direto da interseção entre raça e gênero. Esses recortes profundos, sobrepostos, evidenciam estigmas ainda mais severos que acompanham vivências da maioria da população.

“As mulheres negras são as que sofrem mais violência doméstica e até estupro, os números reforçam essa realidade”, afirma Waneska.

Dados do Fórum Brasileiro de Segurança Pública mostram que, em 2023, elas foram 63,6% das vítimas de feminicídio, 68,6% das vítimas das demais mortes intencionais de mulheres e 52,5% das vítimas de estupro e estupro de vulnerável. Além disso, 45% relataram ter sofrido algum tipo de violência de um parceiro íntimo ao longo da vida.

Mesmo diante desse cenário, a pesquisadora ressalta que a identidade da mulher negra não pode ser reduzida à dor. Há uma construção de valor, pertencimento e continuidade que opera como força motriz.

Para ela, “ser mulher negra é ter consciência do seu valor, do valor do seu povo”. Ou seja, colocar-se como mulher negra é reconstruir a autoestima em um país que tantas vezes oferece espelhos distorcidos e oportunidades folclóricas.

Agência Brasil
No Brasil, representatividade não é só presença, é disputa simbólica e afirmação de existência – Agência Brasil

Quem narra e quem decide o país

Embora a maioria da população brasileira seja negra, essa representatividade não aparece nos espaços de poder. No Legislativo e no Judiciário, por exemplo, a ausência segue evidente.

“Por que a gente tem o maior número de população negra e não se vê nesses espaços de poder?”. Essa pergunta, para Waneska, revela uma incoerência histórica, na qual “a população negra geralmente não está nos espaços de deliberação“.

Os números da última eleição para a Câmara dos Deputados ajudam a dimensionar essa distância. Em 2022, mesmo com o aumento de 36,25% das candidaturas de pessoas pretas e pardas em relação a 2018, o avanço não se refletiu nas urnas: o total de eleitos cresceu apenas 8,94%.

A mesma lógica opera na cultura. Salviano observa que, quando narrativas audiovisuais tentam mudar essa hierarquia, o estranhamento costuma vir rápido. “Quando aparece alguma produção com pessoas negras em outra situação [diferente da tradicional], se questiona, se problematiza”.

O desconforto evidencia que representatividade não é apenas presença, mas disputa simbólica e que, “trazer essas narrativas também é resultado do combate ao racismo. Pois está na sutileza nada sutil da indústria cultural a reafirmação dessas narrativas de dor e sofrimento”, afirma o professor.

O incômodo com o 20 de novembro

O feriado de 20 de novembro provoca reações porque altera expectativas. Ele desloca o centro da narrativa e expõe o que o país tentou amenizar.

As críticas à data geralmente aparecem envoltas em argumentos técnicos, citando impacto na economia, na produtividade e no calendário, numa tentativa de sugerir que o problema reside no feriado e não no que ele simboliza.

Mas, na realidade, “qualquer situação que traga protagonismo para as pessoas negras vai ser vista como exagerada, como algo que atrapalha a economia”, aponta Salviano.

Em uma sociedade hiperconectada, alegar desconhecimento já não é justificativa. A rejeição à data revela outro tipo de escolha, pois “não entender que esse feriado faz parte de um processo histórico ligado à população negra é falta de empatia e comodismo”, afirma Waneska. O incômodo, então, não está no feriado, mas no que ele exige: reposicionamento.

Um caminho urgente

Desenvolver consciência é reconhecer que a história não termina quando se define uma data, mas quando se reequilibra uma estrutura. O Dia da Consciência Negra marca um ponto de inflexão: a escolha de encarar desigualdades que ainda moldam o país e de afirmar uma memória que não pode ser reduzida a um calendário.

Agência Brasil
O 20 de novembro é sobre lembrar que a liberdade foi construída pela resistência coletiva, não por decretos – Agência Brasil

O 20 de novembro é, além de um marco, um convite a rever narrativas, transformar práticas e ampliar o campo de quem deve existir plenamente. É um caminho que, atualmente, é cada vez mais urgente ser trilhado.

Por Eduardo Scofi

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