
Com o intuito de reduzir o preço dos alimentos, o governo zerou a alíquota sobre a importação de alguns alimentos; Lula foi enfático sobre buscar saídas
O governo federal anunciou, na última quinta-feira (6), que vai zerar a alíquota de importação, com objetivo de aumentar a competitividade no mercado e reduzir os preços dos alimentos, que vêm impactando a popularidade do presidente Lula. De acordo com economistas ouvidos pelo Diario, a redução do imposto sobre importações deve, além de refletir nos preços desses produtos nas prateleiras, pressionar a produção interna.
O economista e professor do Centro Universitário Tiradentes (Unit-PE) Paulo Alencar explica que o arrefecimento dos preços dos importados deve forçar os produtores nacionais a baixarem o preço. “O efeito positivo disso é que vai ter mais oferta desses produtos e a tendência é que tenha preços mais competitivos. O ponto negativo é que os produtores nacionais, a priori, não terão isenção”. Carne, café, açúcar, milho, oleo de girassol, azeite de oliva, sardinha, biscoitos e massas alimentícias estão na lista lançada com o objetivo de reduzir a inflação dos alimentos. Em 2024, o Brasil fechou o ano com o índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), que mede a inflação oficial do país, com 4,83%, enquanto a inflação do grupo de alimentos foi quase o dobro, de 8,23%.
Além da redução da alíquota dos produtos da cesta básica, Paulo Alencar explica quais seriam as medidas “mais drásticas” para conter a inflação dos alimentos, levantadas por Lula: a intensificação do Plano Safra, com o aumento dos valores das linhas de crédito para que os pequenos produtores possam produzir mais; a criação de alguns subsídios específicos para os segmentos que sofreram com secas e inundações e a regulação dos estoques da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) com reservas para tentar equilibrar o preço do mercado.
Para o economista e professor universitário da UniFBV, Filipe Braga, outra medida mais severa seria a recompra de produtos para a redução de impostos, com abatimento de alíquotas federais. “A questão é que quanto maior os incentivos, ocorre um efeito colateral, pois o governo já está com dificuldade para pagar algumas contas públicas”, ressalta, sobre prejuízos ao erário com o governo abrindo mão de receita.
Ainda segundo Alencar, os estados teriam que abrir mão de arrecadação (de ICMS, o Imposto sobre Circulaçaõ de Mercadorias e Serviços) em troca do maior consumo das famílias. Vale lembrar que, hoje, o mercado aponta que o consumidor está comprando menos. Para Alencar, é mais provável que os estados consigam reduzir o imposto sobre alguns produtos da cesta básica, mas não zerar.









