
A governadora de Pernambuco, Raquel Lyra (PSD), disse na manhã deste domingo apostar na união da sociedade para vencer o avanço do feminicídio no estado, tratado por ela como uma “questão cultural muito forte”.
No Dia Internacional das Mulheres, a governadora autorizou, a abertura de licitação para serviços de recuperação da encosta e reforma estrutural da tenda dos peregrinos do Santuário da Mãe Rainha, em Ouro Preto, Olinda, um investimento de R$ 1,4 milhão do governo do estado.
Mas foi o discurso do arcebispo de Olinda e Recife, dom Paulo Jackson Nóbrega, contra o feminicídio o que marcou a celebração, presidida por ele, no santuáriio. O religioso concllamou os homens a romperem a cultura do ódio. A governadora aproveitou para reforçar o discurso.
“Acredito muito no trabalho das igrejas, no trabalho das escolas, no trabalho das comunidades, mas sobretudo na convicção de homens que estão aqui representados por dom Paulo, que esse jogo vira”, enfatizou Raquel Lyra.
Em 2025, segundo a Secretaria de Defesa Social (SDS) do estado, foram registrados 88 assassinatos de mulheres simplesmente por serem mulhere, um aumento de 14% em relação a 2024, quando houve 76 casos, de acordo com o Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP).
“É uma questão cultural muito forte, da apropriação de mulheres por homens, e compreender que muitas vezes somos parte de sua propriedade, quando na verdade nós somos um corpo que precisa de cuidado, uma alma que precisa de cuidado. São mulheres que cuidam das famílias, cuidam dos seus lares, das comunidades, das cidades”, pontuou.
A governadora elogiou a homilia do arcebispo e disse ter sido uma reflexão importante sobre como é possível combater a violência contra a mulher no estado e na Região Nordeste.
“Ouvimos todos os dias relatos de violência contra mulheres que decidiram trabalhar, ou porque elas foram para a igreja, ou porque prenderam o cabelo, ou porque tiveram um filho. Somos julgadas por muita coisa e, em razão disso, muitas vezes somos violentadas”.
Eleita governadora de Pernambuco em 2022, Raquel Lyra lembrou ter sido a primeira gestora escolhida pelos pernambucanos, e atestou não ser uma condição fácil.
“Esse lugar parece, pela nossa cultura, que estava guardado para homens. E não é que a gente queira ocupar o lugar de ninguém. Nós precisamos somente ocupar os nossos e termos liberdade para sermos nós mesmas. E não termos medo de violência em razão da nossa condição de gênero, por sermos mulheres”, registrou.
Por Betânia Santana