Morreu, na madrugada desta terça-feira (16), aos 78 anos, o escritor e colunista do Diario de Pernambuco Raimundo Carrero, em decorrência de um câncer. Autor é um dos nomes mais célebres do Movimento Armorial
Reconhecido como um dos autores mais importantes de sua geração, o escritor e colunista do Diario de Pernambuco Raimundo Carrero faleceu na madrugada desta terça-feira (16), aos 78 anos, em decorrência de um câncer.
Em nota, a família de Carrero agradeceu as “manifestações de carinho, solidariedade e respeito recebidas de amigos, leitores, admiradores e de todos que tiveram suas vidas tocadas por sua trajetória”. O velório do escritor será realizado na Academia Pernambucana de Letras, no Recife, mas o horário ainda não foi divulgado.
“Ao longo de sua vida, Raimundo dedicou-se à literatura com paixão, sensibilidade e compromisso, construindo uma obra que marcou gerações de leitores e contribuiu de forma significativa para a cultura pernambucana e brasileira”, diz o comunicado.
Dono de obras influentes e premiadas que marcaram diferentes gerações, ele foi um dos principais autores do Movimento Armorial, capitaneado por Ariano Suassuna a partir de 1970. Seu romance de estreia, “A História de Bernarda Soledade: A Tigre do Sertão” (1975), tornou-se um dos pontos mais célebres de sua carreira ao narrar a história de uma mulher sertaneja que desafia o coronelismo e impõe sua vontade. Outros livros, como “Viagem no Ventre da Baleia” (1987), “Maçã Agreste” (1989), “Sinfonia para Vagabundos” (1992), “O Amor Não Tem Bons Sentimentos” (2000) e “O Senhor Agora Vai Mudar de Corpo” (2015), inspiraram autores que se aventuraram pelo universo literário das últimas décadas.
O início de sua carreira aconteceu no Diario de Pernambuco em 1969, onde passou dois anos aprendendo como estagiário antes de começar a trabalhar como crítico literário e, anos mais tarde, como editor-chefe. Em 1975, ao ouvir uma história de uma mulher que havia sido atacada por uma perna cabeluda em São Lourenço da Mata, Carrero teve a inspiração para escrever o que se tornaria uma das lendas urbanas mais conhecidas do Recife, que ganhou as telas de cinema recentemente com o filme ‘O Agente Secreto’.
Neste ano, ele celebrou sua volta ao Diario de Pernambuco com a Coluna Diario Cultural, que vinha sendo publicada nas edições de fim de semana do jornal, no caderno Viver: “Estou muito feliz com essa coluna, bastante entusiasmado para compartilhar várias ideias com o leitor. Minha história no Diario é gigantesca, tanto de presença quanto de ausência. Posso dizer, sem vaidade nenhuma, que será um retorno triunfal”, disse no último mês de abril.
União, estados e municípios atuarão juntos para ampliar políticas
O Brasil passa a contar nesta segunda-feira (15) com uma rede de proteção e defesa dos direitos das pessoas idosas. A finalidade é fortalecer a articulação entre diferentes níveis de governo e entidades na promoção de políticas públicas voltadas a essa população.
Segundo a Portaria nº 1.058/2026, do Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania, a rede terá como finalidade promover ações coordenadas para assegurar o acesso a direitos, com base nos princípios da equidade, da não discriminação e do respeito à diversidade das etapas de envelhecimento.
A adesão à rede será voluntária e ada instituição ficará responsável pelos custos decorrentes de sua participação.
Entre as atribuições da rede estão:
promoção do federalismo cooperativo;
incentivo à elaboração de diagnósticos sobre o envelhecimento da população;
fortalecimento da participação social;
apoio a fóruns e entidades voltadas à defesa dos direitos das pessoas idosas.
A coordenação da iniciativa caberá à Secretaria Nacional dos Direitos da Pessoa Idosa, em parceria com o Conselho Nacional dos Direitos da Pessoa Idosa.
A portaria estabelece ainda que os participantes deverão compartilhar informações, monitorar políticas públicas e apresentar planos de ação alinhados às diretrizes da rede.
Impulsionado pelas redes sociais, o uso recreativo da tadalafila preocupa especialistas pelos riscos da automedicação
A tadalafila, medicamento indicado para o tratamento da disfunção erétil, ganhou popularidade entre homens jovens nos últimos anos. Além do uso recreativo para potencializar o desempenho sexual, o fármaco passou a ser divulgado nas redes sociais como um possível aliado da prática de musculação, apesar da ausência de comprovação científica para essa finalidade. Dados da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), obtidos pelo Terra, mostram essa realidade: as vendas da tadalafila saltaram de 3,2 milhões de unidades em 2015 para 74,9 milhões em 2025, um aumento superior a 2.000% em apenas dez anos.
A popularização da tadalafila não aparece apenas nas estatísticas oficiais. Durante a apuração desta reportagem, relatos sobre o uso do medicamento surgiram com frequência em conversas informais com homens na faixa dos 20 e 30 anos, principalmente associados à busca por melhor desempenho sexual e, mais recentemente, à prática de exercícios físicos.
Mas essa crescente utilização do fármaco sem indicação médica vem fazendo com que entidades ligadas ao uso racional de medicamentos alertem para os riscos da prática. Uma das instituições que se manifestou sobre o tema foi o Centro de Apoio à Terapia Racional pela Informação sobre Medicamentos (CEATRIM), da Universidade Federal Fluminense (UFF). O órgão afirma que a busca por atalhos para melhorar o desempenho físico, impulsionada por conteúdos disseminados nas redes sociais, pode estimular o uso irracional de medicamentos.
Segundo o CEATRIM, o uso indiscriminado da tadalafila pode provocar reações adversas e interações perigosas com outros medicamentos. Entre os efeitos colaterais mais comuns estão dor de cabeça, indigestão, dor nas costas, rubor facial, congestão nasal e dores musculares. Em casos mais raros, o medicamento pode causar alterações na visão, na audição e até no ritmo cardíaco.
Diretora-executiva do Ipespe, Marcela Montenegro – Felipe Ribeiro/Folha de Pernambuco
A primeira rodada da pesquisa eleitoral realizada pelo Instituto de Pesquisas Sociais, Políticas e Econômicas (IPESPE) em parceria com a Folha de Pernambuco revela um cenário acirrado para a disputa pelo governo de Pernambuco. A avaliação é da diretora-executiva do IPESPE, Marcela Montenegro.
“Calculando os limites da margem de erro (3,2 pontos percentuais para mais ou para menos), observamos que tem um empate técnico. Há uma diferença de dois pontos entre eles, a margem é de três. Raquel pode ter (na pesquisa estimulada) de 41% a 47% e ele (João Campos) pode ter de 39% a 45%”, afirmou.
Apesar do cenário de empate técnico entre a governadora Raquel Lyra (PSD) e o ex-prefeito do Recife, João Campos (PSB), ela avalia que um segundo turno no estado é pouco provável pela forte polarização da disputa em Pernambuco.
“Sem outros nomes competitivos, o primeiro turno é quase que um segundo turno antecipado. É muito provável que um dos dois pré-candidatos, seja Raquel, seja João, alcance 50% mais um voto. É claro que isso depende de abstenção, votos nulos, entre outros fatores”, avalia. Com a polarização, o eleitor indeciso ou que não vota tende a ter um papel central na corrida às urnas, segundo Marcela Montenegro.
Questionário
O levantamento trouxe o recorte da definição do voto do pernambucano. Segundo a amostragem, 76% disseram que sua escolha é definitiva e 22% admitiram que podem mudar. A última fatia em uma disputa acirrada e polarizada é estratégica, segundo Marcela.
“Há um contingente de cerca de 20% do eleitorado em que o voto ainda não é definitivo. É um percentual que vai fazer diferença na eleição. Vai ser o fiel na balança”, destacou. A diretora-executiva do IPESPE ainda destaca que “a cada eleição que passa, o eleitor está decidindo cada vez mais tarde”.
Em relação ao interesse do eleitor no pleito, a pesquisa revela que 28% respondem ter “muito interesse”, 20% dizem ter “algum interesse”, 30 avaliam ter “pouco interesse” e 20% garantem “não ter interesse”. A avaliação de Marcela é que, neste período, outros temas como a Copa do Mundo estão dividindo a atenção do eleitor.
“A tendência é que o interesse do eleitor vá aumentando. A pesquisa mostra que esse tema ainda não é prioritário para a população”, descreveu.
Flávio Bolsonaro e Lula são os dois principais postulantes na corrida presidencial – Daniel Ramalho/AFP; Andrew Harnik / Getty Images North America / GETTY IMAGES VIA AFP
Na primeira pesquisa do Instituto de Pesquisas Sociais, Políticas e Econômicas (IPESPE) em parceria com a Folha de Pernambuco para o comando do Palácio do Planalto, o presidente e pré-candidato à reeleição Lula (PT) lidera em Pernambuco, com 57% das intenções de voto, contra o senador e pré-candidato Flávio Bolsonaro (PL), que soma 22%.
Na sequência, aparecem com 1% cada os presidenciáveis Ronaldo Caiado (PSD), ex-governador de Goiás; Romeu Zema (Novo), ex-governador de Minas Gerais; Augusto Cury (Avante), escritor; Renan Santos (Missão), empresário, e Joaquim Barbosa (DC), ex-ministro do Supremo Tribunal Federal (STF). O ex-deputado federal Cabo Daciolo (Mobiliza) tem 0%. Nenhum, brancos e nulos somam 10%. Não sabem ou não responderam alcança 5%.
Apoio
A pesquisa perguntou ainda se os eleitores se sentiriam motivados a votar em eventuais pré-candidatos a governador de Pernambuco apoiados pelo ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e seu filho Flávio Bolsonaro. Para 40% dos entrevistados, o apoio não altera seu voto. Outros 40% dos entrevistados revelaram que o apoio diminui a chance de votar num pré-candidato. Outros 16% anunciaram que a aliança com Bolsonaro aumentariam chance de voto. Não sabem ou não responderam atingiu 5%.
Quando a pesquisa se refere ao apoio do presidente Lula, o apoio aumenta a chance de voto para 45% dos entrevistados. Para 33% das pessoas, o apoio do petista não influenciaria na decisão. Outros 20% afirmaram que diminuiria a possibilidade de voto. Não sabem ou não responderam alcançou 2%.
Avaliação
Sobre a avaliação do governo do presidente Lula, 48% das pessoas entrevistadas classificaram como ótimo ou bom. Já 23% definiram a gestão como regular, outras 27% das pessoas definiram como ruim ou péssimo. Não sabem ou não responderam chega a 2%.
Ao todo, a pesquisa ouviu 1000 pessoas no estado pernambucano entre os dias 11 e 14 de junho deste ano. A margem de erro é de 3,2 pontos percentuais para mais ou para menos. A pesquisa foi registrada no TSE sob os números BR-06997/2022 e PE-07168/2026.
Em entrevista ao videocast “Conversa vai, conversa vem”, influenciadora reflete sobre ódio nas redes sociais
Rafa Kalimann ainda busca conhecer a mulher que se tornou após o nascimento da filha, Zuza, de cinco meses. Mas a influenciadora que soma 40 milhões de seguidores mostrou com todos os detalhes de sua intimidade cada passo que deu para se transformar nessa nova versão de si mesma na série documental “Tempo para amar”.
Disponível no Globoplay, o programa expõe sem filtro a dor e a delícia da maternidade real. Rafa presta serviço ao dividir frustrações e desconstruir a ideia do maternar perfeito. Um processo que envolveu depressão, solidão e que define como “fisicamente tranquilo e uma luta emocionalmente”.
Ela, que despontou no BBB, virou apresentadora de programas de TV como Circuito Sertanejo e protagoniza como atriz o filme inédito “Minha querida Alice” (do qual também assina a produção), participou do videocast ‘ Conversa vai, conversa vem’, que vai ao ar hoje, no Youtube e no Spotify. Leia trecho da entrevista:
O que te motivou a dividir momentos tão íntimos como o puerpério?
Me vi completamente perdida numa realidade muito diferente da que idealizava, de propaganda de margarina. Fui conversar, trocar, ler, aprofundar e pensei: “Tenho um portal com 40 milhões de pessoas, mulheres que vão passar ou passaram por isso e se sentem sozinhas. É um poder gigante e não vou fazer nada?”. Tinha sede de ser útil, encontrei um propósito.
Qual é o impacto de mostrar tanta vulnerabilidade?
Não estamos preparados para tirar a romantização da gestação. É difícil encarar que a maternidade não é só esse lugar de puro amor e luz. Queria mostrar a realidade. Nas redes sociais, a gente seleciona muito, e as pessoas não estão dispostas a ver tanta verdade.
Qual a importância de desconstruir a ideia de que damos conta de tudo?
Mais que mostrar às pessoas, é fazer a gente mesma aceitar. Me cobrei muito. Sempre dei conta, não aprendi a pedir ajuda. Saí de casa com 14 anos para ser modelo, morava em república com 18 meninas, cada uma no seu corre. Zuza me ensinou, aprendi que não preciso fazer tudo sozinha.
Antes de você dar certo, deu muito errado. Em SP, trabalhou por um prato de comida?
Só trabalhava por um prato de comida. Achava que seria glamour puro em SP, capa de revista, grandes campanhas e… Cadê? Fazia evento, fui monitora no Playcenter só para lanchar. Tinha o café da manhã, o almoço e o lanche da tarde. Ganhava 40 reais no dia, mas estava comendo. Até que falei: “Preciso voltar pra casa, me alimentar bem”.
Na série, falou sobre a solidão mesmo ao lado do seu marido, o cantor sertanejo Nattan. Me fez pensar sobre como a sociedade normaliza o homem disfuncional. Puerpério não é um momento de aprendizado tardio para macho, né?
Não é. A gente conversou muito. A decisão de colocar no documentário vem da sensação de que ninguém fala sobre. É uma realidade comum em pais de primeira viagem. As consequências foram drásticas na internet, sabíamos que isso podia acontecer. Mas ele falou: “Entendo que precisava ter visto outro pai passar por isso para conseguir ser quem eu precisava ser”. Ele não sabia, como muitos não sabem. Por falta de referência, de diálogo, informação. Concordamos que seria um serviço para outros entenderem que não se vira pai só quando o filho nasce, mas quando o positivo chega.
É perverso porque a gente chega a pensar “será que estou chata demais”?
Me perguntei isso muitas vezes. Nossos acordos não podiam ser os mesmos porque eu não era mais a mesma. Demorou para alinhar os pontos. Mas isso foi gravado seis meses atrás, houve mudança significativa.
Lidou com traições em outros relacionamentos. O amor com Nattan ajuda a curar feridas?
Ele acolhe meus traumas. Ainda não tinha encontrado um parceiro com escuta de olhar e falar: “Entendo, estou aqui pra te ajudar “. Tem conflito, questões a serem conversadas. O segredo é a disposição de mudar, se reajustar pelo outro. O amor tranquilo parte daí e não da falta de conflito.
Após brincadeira do Nattan nas redes, foi você que sofreu hate. Com sua filha na barriga, disseram que não deveria ser mãe? Como se sentiu?
Sempre acham um jeito de levar pra mulher. Sempre dizem que consigo fazer meus projetos porque um homem me deu oportunidade, que sou amante de não sei quem ou sei o segredo de um poderoso da Globo. Sou disciplinada, faço meu trabalho com determinação. Esse é o segredo que sei.
Ter feito detox virtual no fim da gravidez foi libertador? Se é uma influenciadora e identificou nas redes um gatilho para a depressão, temos um problema, não?
Foi uma libertação gigante. Voltei sabendo o que quero consumir, nada supérfluo. E coloquei tempo de uso. A dificuldade era até onde vou deixar que distorçam, a necessidade de assumir a narrativa da minha vida. Não me reconheço na Rafaela que criaram na mídia. Soltam algo mentiroso, que é replicado e vira verdade. Se defende é pior, vira bola de neve. Até onde preciso me provar? A internet estava me machucando aí. O documentário veio nesse sentido de me expor, mas com propósito. Não estou mais disposta a estar tão aberta nas redes para falarem o que bem entendem.
O fato de ter sido cancelada várias vezes fez amortizar a dor dos ataques ou sente fundo do mesmo jeito?
Sinto do mesmo jeito. E também quando vejo alguém sendo atacado. Não dá para medir o caráter de ninguém por um recorte.
Tenho a sensação de que não importa o que você faça, sempre será criticada. De onde vem tanto ódio?
Me faço muito essa pergunta. Não tenho resposta. O que foi que eu fiz? A maneira com que me tratam na internet e diante dos projetos que trago é como se tivesse cometido um crime. É sem freio, sem pudor. Já tentei entender o motivo pelo qual me atacam. Estou executando o meu trabalho da maneira mais clara e honesta, possível. Em algum momento, vou acolher isso e falar: “Essa é a realidade, vamos trabalhar com ela”. dizer: “Galera, é isso, fui”. Não gosta de mim, não vê verdade no que eu faço? Não me segue, não me vê. Se passar o dedo, o algoritmo não te entrega mais. Não quero e não pretendo agradar todo mundo. Quem sou eu? Nem Jesus fez isso.
Até quando faz trabalho social, ajudando crianças na África, é atacada…
Quem critica é quem não levanta do sofá para fazer algo. Se fizesse, saberia que não interessa onde, como, quando, o negócio é fazer. Quem faz, não vai falar: “ah, ela tá fazendo em Moçambique e não aqui”. Vou pela 15ª vez, são nove escolas, mais de 600 crianças. Contam comigo. Já quis parar de mostrar, só que quando exponho, as doações aumentam. Posto tudo, o sapato que uso. Não vou postar algo que vai fazer diferença na vida de milhares de pessoas? Não quero provar nada, nem justificar esse trabalho. Só tenho que continuar.
Para alguém com seu nível de exposição, o que sobra? Tem algo que não posta? Guarda algum segredo?
Com certeza. Isso até gera um conflito interno. Tenho tanta coisa legal para mostrar, falar. O receio de distorcerem ou me atacarem, me amedronta. Acabo me fechando. Na minha vida pessoal, mostro até meu limite, que é intuitivo. Se tenho dúvida, não posto. Mas de vez em quando ainda vai alguma coisa que não devia e falo: “Ih, devia ter ficado quieta”.
‘No sagrado do outro não se mexe’
Desmentiu boatos de que se negou a falar a palavra “desgraça” na novela “Família é tudo” e evitou cantar a parte de um samba enredo que citava divindades africanas. Como a convicção religiosa influencia suas decisões profissionais?
Essa personagem falava muito “desgraça”. Estava em todos os diálogos. Não é uma palavra que fico falando em casa. Não gosto. Dentro da minha crença, ela não é bem-vinda. Fiz uma brincadeira nos stories dizendo que, nos ensaios, pula a palavra e criaram essa história sensacionalista. Não vejo problema falar sendo na personagem. A questão da intolerância religiosa me doeu. No sagrado do outro não se mexe, se respeita. Sempre fui cristã e curiosa em aprofundar. Cresci com a vizinha me levando na Seicho-No-Ie, fui para o centro espírita muito nova. E fui para o candomblé, no Gantois. Mãe Carmem me recebeu com o maior amor do mundo. Pedi para ela me explicar o candomblé para que eu pudesse ter minhas convicções sobre uma religião completamente diferente da minha e que já sofre muito preconceito.
O que sentiu no terreiro?
Muita paz. Mas abrir a internet e ver que, por engajamento uma jornalista pegou quinze segundos de um vídeo em que eu estava sambando, cantando, sorrindo, posando e que, naturalmente, em algum momento, a gente para para respirar… e dizer que não cantei e usar usa isso como intolerância religiosa… É mexer com um lugar muito perigoso. Fazem isso sem se importa. Foram vários evangélicos e gente do candomblé falando sobre mim sem ter noção nenhuma de quem eu era e o que eu pensava. Foi duro.
Segundo a Secretaria Estadual de Saúde (SES-PE), ainda não há previsão de uma nova ampliação do Teste do Pezinho em Pernambuco, que passaria de oito doenças para até 50 doenças detectadas
Pernambuco continua sem previsão de concluir a ampliação da Triagem Neonatal, conhecida como “Teste do Pezinho”, cinco anos após a sanção da lei que determina a expansão do exame em todo o território nacional.
O Teste do Pezinho identifica doenças precocemente, o que favorece o tratamento rápido. Em 2021, foi sancionada a Lei nº 14.154, que prevê a ampliação do exame para o rastreio de até 50 doenças, entre elas a Atrofia Muscular Espinhal (AME) e Imunodeficiência Combinada Grave (SCID), enfermidades genéticas graves e raras que afetam o desenvolvimento infantil.
“O Teste do Pezinho é um exame de triagem neonatal, feito com algumas gotas de sangue do recém-nascido, geralmente entre o 3º e o 5º dia de vida, para identificar precocemente doenças genéticas, metabólicas, endocrinológicas, hematológicas, infecciosas e imunológicas que podem não apresentar sintomas ao nascimento, mas que, sem diagnóstico e tratamento precoces, podem causar sequelas graves, deficiência intelectual, comprometimento do desenvolvimento ou a morte”, explica a responsável técnica pelas doenças raras do IMIP, a pediatra Ana Cecília Siqueira.
Países como Japão, Estados Unidos, Canadá e Ucrânia oferecem o exame ampliado nacionalmente. Segundo o Ministério da Saúde, os estados brasileiros têm autonomia para implementar o processo de expansão. Atualmente, apenas o Distrito Federal, Minas Gerais e Mato Grosso do Sul fazem a detecção ampliada pelo Sistema Único de Saúde (SUS).
Em Pernambuco, o exame rastreia oito doenças incluídas no Programa Nacional de Triagem Neonatal (PNTN), segundo a Secretaria Estadual de Saúde (SES-PE): fenilcetonúria, hipotireoidismo congênito, doença falciforme e outras hemoglobinopatias, fibrose cística, hiperplasia adrenal congênita, deficiência de biotinidase, toxoplasmose congênita e galactosemias.
As duas últimas foram incorporadas ao rastreio no ano passado em um investimento de R$ 13,4 milhões, de acordo com a SES-PE. A AME e a SCID continuam de fora do escopo, mas fazem parte da próxima fase de ampliação prevista na legislação, disse a pasta ao Diario de Pernambuco.
“A ampliação é essencial, pois muitas dessas doenças têm tratamento disponível, mas dependem de diagnóstico precoce para evitar complicações. Sem a expansão, os diagnosticados podem vir apenas após o surgimento dos sintomas, quando os danos já podem ser irreversíveis. Avançar com esse projeto significa ampliar oportunidades de tratamento, reduzir sequelas, evitar internações e melhorar o prognóstico de milhares de crianças brasileiras”, disse a médica.
Veículo retornava para o Recife quando saiu da pista e tombou às margens da rodovia no quilometro 133 da BR-232, em Caruaru, no Agreste de Pernambuco; 16 vítimas foram socorridas para unidades de saúde da cidade
m ônibus tombou na madrugada desta segunda-feira (15) no quilômetro 133 da BR-232, em Caruaru, no Agreste de Pernambuco, deixando 16 pessoas feridas.
Segundo Polícia Rodoviária Federal (PRF), o veículo seguia no sentido Recife quando o motorista perdeu o controle da direção, saiu da pista e tombou às margens da rodovia. No ônibus estavam 16 pessoas, sendo 15 passageiros e o motorista.
Quatro vítimas foram encaminhadas para o Hospital Regional do Agreste (HRA), enquanto as outras 12 receberam atendimento na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) Estadual de Caruaru.
Equipes da PRF permaneceram no local durante a ocorrência para orientar o trânsito e garantir a segurança da área. Durante os trabalhos de atendimento e remoção do veículo, os motoristas precisaram trafegar apenas pela faixa da esquerda da rodovia.
As circunstâncias que levaram o condutor a perder o controle do ônibus deverão ser apuradas.
O designer recifense Well Ferreira, de 33 anos, mora sozinho há um ano no bairro da Boa Vista, área central do Recife (Foto: Rafael Vieira/DP Foto)
Preço médio para morar de aluguel no Recife é de R$ 63,39/m². Capital pernambucana só fica atrás de São Paulo e de Belém
Morar de aluguel no Recife tem se tornado cada vez mais desafiador para quem mora sozinho ou ainda mantém o sonho da casa própria. Segundo dados do índice mensal do levantamento FipeZap de locação residencial de abril, realizado em parceria com o Grupo OLX, a capital pernambucana foi a terceira com o aluguel mais caro entre as 22 capitais brasileiras monitoradas pelo índice.
O preço médio para morar no Recife é de R$ 63,39/m², ficando atrás de São Paulo, que tem o aluguel mais caro (R$ 64,20/m²) e Belém (R$ 63,43/m²). Logo abaixo da capital pernambucana estão Florianópolis (R$ 61,07/m²) e Rio de Janeiro (R$ 58,48/m²).
Quem mora sozinho há um ano e passa por esses desafios é o designer recifense Well Ferreira, de 33 anos. Morador do bairro da Boa Vista, ele afirma que o principal desafio de morar só é a organização financeira. “Preciso saber o meu limite de gastos, separar o dinheiro de aluguel, feira, energia e internet, além de ter uma quantia para emergências”, conta.
Ele chegou a quase desistir de ir para seu próprio canto quando ficou sem emprego durante um período. “Morar só é muito mais do que ter esse status, é liberdade, é ter seu cantinho de paz”, destaca.
Mas para manter essa rotina, Well teve que cortar algumas despesas. “Muitas vezes, quase todo o salário vai para as contas da casa, sobrando pouco para planos e lazer. Deixei de lado viagens, compras e cancelei streamings. É uma vida diferente, mas não abro mão”, disse.
O recifense atualmente paga R$ 1.500 no aluguel, mas considera o valor mais acessível, quando comparado a outros alugueis em apartamentos em outros bairros, como Jaqueira e Graças, onde os valores chegam a custar R$ 3 mil. “Atualmente, tenho um salário que consigo pagar todas minhas contas sem muitas dificuldades, mas preciso deixar meus gastos sempre alinhados e também preciso fazer freelas para complementar a renda”, reforça.
De acordo com o levantamento FipeZap, o preço do aluguel subiu, de forma consecutiva, de janeiro a abril de 2026. No último índice, a alta foi de 0,32%. Ainda no levantamento, o retorno médio do aluguel residencial foi estimado em 6,08% ao ano no país.
Entre os dez bairros analisados pela pesquisa, os mais caros para morar de aluguel são: Pina R$ 77,90 /m², Parnamirim R$ 71,30 /m² e Tamarineira R$ 67,8 /m². Já entre os mais baratos aparecem Imbiribeira R$ 56,9 /m² e Cordeiro R$ 36,6 /m².
O Recife ainda aparece como a capital mais rentável para locação de imóveis residenciais, com o índice 8,55% ao ano (a.a.), seguido por Manaus (8,38% a.a.) e Cuiabá (8,31% a.a.).
A corda, que deveria ser presa ao corpo de Maria Eduarda, foi esquecida no chão. Em vídeo que circula nas redes sociais, é possível ver o momento da queda.
A jovem Maria Eduarda Rodrigues de Freitas, de 21 anos, foi morta no sábado, 13, em Limeira, no interior de São Paulo, ao ser jogada de uma ponte sem corda de proteção. Ela praticava o esporte radical conhecido como rope jumping, similar ao bungee jumping, em que a pessoa salta presa por uma corda. O caso ocorreu na trilha da Ponte do Esqueleto.
A corda, que deveria ser presa ao corpo de Maria Eduarda, foi esquecida no chão. Em vídeo que circula nas redes sociais, é possível ver o momento da queda. A vítima é carregada, de bruços por dois instrutores enquanto um terceiro observa. Pouco antes de a jovem ser lançada, alguém que não aparece nas imagens pergunta: “É a corda né?”
Depois que Maria Eduarda é jogada da ponte, a pessoa que grava o vídeo grita: “Gente, a corda!”. A testemunha filma o equipamento de proteção que ficou no chão.
No bungee jump, a corda deve ser presa aos pés da pessoa e produz um “efeito iôiô”. Já no rope jump, a pessoa é presa com cordas pela cintura e pelo peitoral, ficando “sentada” durante o salto.
Maria Eduarda chegou a publicar uma sequência de stories na manhã de sábado, antes do salto, nos quais mostrou pulseiras de identificação e o local da atividade. “Quem foi o doido que deixou eu vir pular de uma ponte?”, escreveu em tom de brincadeira.
Em entrevista à EPTV, afilada da Globo em Campinas, Higor Diniz, que testemunhou a morte de Maria Eduarda, afirmou que a jovem não passou pela inspeção de segurança e que várias pessoas, incluindo crianças de 6 anos, assistiram à queda.
Segundo Diniz, as cordas dos pulos anteriores tinham sido checadas. “Em todos os outros casos, os instrutores puxaram a corda e viram se estava tudo certo. No dela, que era essencial, não fizeram isso. Até crianças de 6 anos a viram ser arremessada. Foi uma cena forte. Todos ficaram em pânico”, disse.
A investigação do caso
Seis pessoas foram conduzidas ao Distrito Policial de Limeira para prestar esclarecimentos, sendo que três permaneceram detidas. Segundo a Secretaria de Segurança Pública (SSP), os detidos têm 27, 32 e 42 anos e foram presos em flagrante por homicídio com dolo eventual, quando não há intenção direta de matar, mas se assume o risco.
Neste domingo, 14, a Justiça converteu em preventiva a prisão dos três detidos em flagrante. A prisão preventiva não tem prazo e pode ser mantida enquanto as autoridades judiciárias julgarem necessário.
De acordo com a SSP, as investigações prosseguem para apurar as circunstâncias e eventuais responsabilidades.
‘Erro grotesco’
Em entrevista ao Estadão, o presidente da Associação Brasileira de Rope Jump e Pêndulo Humano, Marco Antônio de Campos, afirmou que o caso “foi um erro grotesco” e que os instrutores “esqueceram metade da operação”. Segundo ele, que conhece e opera comercialmente no local do salto, o protocolo tradicionalmente seguido é de conduzir a pessoa andando pela plataforma para que ela mesma pule.
Chamou a atenção do especialista o fato de que a jovem foi carregada pelos braços e arremessada pelos instrutores. “A gente não joga o cliente assim. A gente faz isso com amigos e instrutores que conhecemos e já saltaram várias vezes”, explicou Campos.
Prefeitura de Limeira diz que vai processar governo federal
A prefeitura de Limeira afirmou que vai processar o governo federal por omissão no caso. Em nota, a gestão municipal diz que vinha adotando medidas administrativas e cobrando providências de órgãos federais desde o início de 2025. Por meio da Câmara Municipal, o município afirma que encaminhou ofícios cobrando medidas de segurança.
“Além das circunstâncias que levaram à morte da jovem, é preciso apurar a responsabilidade pela falta de controle de acesso a uma área federal que, há anos, apresenta riscos conhecidos e segue sem as medidas de proteção necessárias”, afirmou o prefeito Murilo Félix (Podemos). “Infelizmente, a omissão federal acaba de resultar em mais uma tragédia em Limeira”, acrescentou.
No comunicado, a prefeitura afirma que a tragédia “torna insustentável e inaceitável a continuidade dessa omissão”. A prefeitura sinaliza que garantiu apoio à Polícia Civil no curso das investigações e se solidarizou com os familiares e amigos da vítima.
Ao Estadão, a Secretaria de Patrimônio da União (SPU), do Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos (MGI), lamentou “a morte trágica de uma jovem durante atividade esportiva não autorizada na ponte do Esqueleto”.
A secretaria afirmou que a ponte “pertencia a trecho não implantado do ramal da Rede Ferroviária Federal Sociedade Anônima (RFFSA) entre Limeira e Cordeirópolis, no interior de propriedades particulares” e que “a transferência patrimonial para a superintendência da SPU de São Paulo foi finalizada em março de 2026”.
Velório
O velório de Maria Eduarda ocorreu na manhã deste domingo, 14. Valdinei Barbosa, que foi professor de Educação Física da jovem na Escola Estadual Terezinha Polloni, em Jandira, na Grande São Paulo, compareceu ao velório e conversou com a imprensa.
Segundo o professor, Maria Eduarda ajudava a organizar jogos interclasses na escola e queria ser professora de educação física. “Era uma pessoa muito ativa e infelizmente foi vítima dessa tragédia”, afirmou.
A jovem trabalhava na academia Panobianco Silverstone. Em nota publicada nas redes sociais, a unidade lamentou a morte de Maria Eduarda e afirmou que ela “foi mais do que uma colaboradora, foi exemplo de dedicação, comprometimento, alegria e respeito”. A academia permaneceu fechada neste domingo como forma de luto.
Estadão Conteúdo
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